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O fim do começo
Por Tiago Cordeiro — Sexta, 20 de maio de 2005
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Acaba o filme na Artplex, pré-estréia especial do conselho Jedi do Rio de Janeiro para fãs de Guerra nas Estrelas e amigos (o que é o meu caso). Cansados pela hora (por volta de 2h30m da madrugada de quinta-feira) eu e uns amigos encontramos com alguns fãs, amigos nossos, com os olhos marejados. Chego para um deles, com os olhos vermelhos, e pergunto:
- E aí Alfredo? Gostou?
- Uma merda. – Responde ele com um sorriso.
O que pode parecer estranho, explica muito de Guerra nas Estrelas – A Vingança dos Sith. Especialmente no tocante à atuação (?) de Hayden “eu quero ser um N´Sync” Christensen. Ele é ruim? Não, é horrível...Mas, a verdade é que todo mundo já chega no filme tão tocado com a história que sua falta de talento não incomoda tanto neste filme. Este é apenas um dos mitos que o último (até que George Lucas prove o contrário) filme da franquia encerra.
Muito se escreve por aí que A Vingança dos Sith é, de longe, o melhor filme da série. Talvez seja o melhor, mas não é tão superior ao segundo filme (que acalmou os fãs, após o insípido A Ameaça Fantasma). O início extremamente corrido piora com o mau uso da trilha sonora. Talvez por temer a atuação de seu protagonista, Lucas apelou para músicas que soam melodramáticas demais em um filme que já é pesado e todo mundo sabe que um dos heróis se transformará em um vilão no final. Apesar de tudo, a trilha de John Willians se recupera da metade em diante e faz o que trilhas de cinema devem fazer: acompanha e não disputa o papel de protagonista da linguagem cinematográfica com as próprias imagens.
A direção também tem lá seus erros. Muito do fato de Christensen não comprometer no filme é porquê contracena com Natalie Portman que além de ter que carregar o colega de cena, se desdobra para dar veracidade à diálogos absolutamente ruins. Mas, o pior mesmo é quando Anakin, já como Darth Vader recebe a notícia que Padmé morreu (Não adianta dizer que não sabe, eu sei há 20 anos). Tente imaginar a reação mais clichê possível. Pois é, é por aí, ou pior.
Depois de falar de todos os problemas, daí a gente pode falar dos méritos. A Vingança dos Sith é um filme mais ágil que seus predecessores. Não existe momento em que você pare de prestar atenção, mesmo quando o que vê é ruim. Ewan Mc Gregor dá uma grande unidade e dramaticidade à história, talvez porquê seu personagem seja o mais próximo do que foi Luke Skywalker (Mark “onde está você?” Hammil) na trilogia original. Fica mais fácil compreender como ele se tornará o Obi Wan mais maduro que treinará o filho de Anakin. É o último a saber de tudo e o mais idealista. A luta final com Anakin é bem produzida, mas abaixo de outras lutas mais recentes como a de Darth Maul contra Qui-Gon (que é lembrado em uma parte pra lá de forçada do roteiro) e Obi-Wan, em A Ameaça Fantasma.
Toda a mitologia de Lucas está presente no cinema pela última vez. Se a trilogia original era a busca de Luke por seu pai, a nova é a busca de Anakin pela mãe que perdeu. Padmé representa essa busca e sua falha em protegê-la, a frustração cabal que o torna o maior vilão que o cinema contemporâneo já conheceu. Tudo termina com Obi Wan enfrentando seu ex-aluno, “seu irmão” como ele mesmo afirma em um planeta vulcânico, tal qual um Hades moderno em que os dois jedis se enfrentam pela primeira vez (mas não última como já sabemos). Se muitos fãs alardeiam que Luke só derrotou Darth Vader porquê ele estava dividido, o mesmo ocorre com Obi Wan que se deixa matar em Uma Nova Esperança e derrota Anakin neste. Sacramentando a transformação física do personagem.
Várias pontas soltas são amarradas: o nascimento dos gêmeos Skywalker, como cada um é separado, a morte de todos os outros jedi e muito mais. Com todos os seus acertos (ora comuns, ora monumentais) e com todas as suas falhas (algumas vezes escabrosas) A Vingança dos Sith é um filme da franquia Guerra nas Estrelas ( que em oito estréias só perdeu o primeiro lugar na bilheteria uma vez para Homem-aranha 2), ou melhor, que faz jus à mitologia que um então jovem cineasta concebeu há mais de vinte anos. É a história de Anakin Skywalker desde sua infância até sua morte.
E que a força esteja conosco se o Lucas resolver fazer alguma nova trilogia.
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