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Nós vimos I: Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith
Por Édnei Pedroso — Quarta, 18 de maio de 2005
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Há muito tempo, em uma galáxia muito, muito distante...
Não há como evitar de se usar a frase de chamada do mais novo filho de George Lucas para resumir o que presenciei a pouco.
A Saga está completa.
Confesso que, quando soube que Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith teria “míseros” 146 minutos, fiquei um tanto consternado, afinal, seria nele que Lucas teria de encaixar todas as peças da franquia mais famosa e rentável do cinema de todos os tempos. Parecia um tempo curto, já que nele teriam que figurar as respostas de algumas das perguntas que tiravam o sono de fãs do mundo todo por décadas. Eis algumas delas:
- Qual a identidade real de Darth Sidious?
- Como o Império surgiu como o governo opressor mostrado no Episódio IV - Uma Nova Esperança?
- Em que situação nasceriam Leia e Luke e como suas vidas tomaram o destino mostrado no mesmo Episódio IV?
- Onde foi parar todo o Conselho Jedi?
- Por que diabos Obi-Wan Kenobi e o Mestre Yoda amargaram no exílio?
- E o mais importante: COMO o jovem Anakin Skywalker assume o lado negro e ganha o manto do vilão mais cultuado do planeta?
A primeira pergunta, claro, nem chega a ser um enigma, pois qualquer pessoa que consiga somar dois e dois saberá a resposta. Mas e as outras? E as que não coloquei aqui? Como Lucas faria para escrever um roteiro conciso, aliar as maravilhas visuais da Industrial Light and Magic e um orçamento de US$ 115 milhões para sanar todas as dúvidas?
Como fez não importa. Ele conseguiu!
Quando seu novo Star Wars inicia com a clássica frase “...em uma galáxia muito, muito distante...” e corta para uma batalha espacial de cair o queixo, você imediatamente esquece de qualquer má impressão que Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma tenha causado. Seus olhos estão diante de um legítimo Star Wars, mas numa escala assustadoramente maior. O som exigido pela Lucasfilm para a exibição do longa é descomunal e, se houvessem cristais na sala de cinema, eles estourariam num dos inúmeros rasantes das naves. Como no Episódio II, não há tempo para conversa e a ação arranca suspiros da platéia nos primeiros dois minutos, pois o mote de Episódio III já começa com uma tentativa de resgate desesperada liderada pelos jedis Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor, idêntico ao Obi-Wan de Alec Guinness no filme de 1977) e Anakin Skywalker (Hayden Christensen), em busca do Chanceler Palpatine (Ian McDiarmid), capturado pelos dróides separatistas do General Grievous, um híbrido de dróide e alienígena que rouba as cenas em que aparece.
No desenrolar da guerra entre República e Separatistas, vemos algumas das peças se encaixando lentamente, e como Palpatine seduz para o Lado Negro da Força (embora a legenda insista em chamar de sombrio) o nervoso Anakin, com a destreza de um político e a maldade de um Sith (sim, aqui vemos como ele é mal. E muito!), calçado em uma possível ameaça à vida de sua esposa Padmé (Natalie Portman).
Cenário armado, peças em posição, e Lucas continua seu espetáculo. Ao contrário do que alguns pensavam (inclusive eu, confesso), o filme consegue, com um roteiro perspicaz, nos convencer da dualidade de Skywalker, que pouco a pouco se rende aos argumentos do Lorde Sith e o auxilia na vingança mencionada no título. A mudança é tão drástica e aterradora, que nenhum jedi (mesmo as crianças) escaparia da perseguição implacável de Anakin, que ganha o nome Darth Vader antes mesmo da famosa armadura negra. Sem dúvida, é o episódio mais dramático da saga e a cena em que Obi Wan descobre o destino de seu Padawan (aprendiz de jedi, para os desavisados) pode fazer os mais emotivos engolirem em seco.
Posto na mesa a complexidade da trama, temos também de enumerar as cenas de ação e aventura e estas, meus amigos, já são clássicas. Os efeitos visuais são fora da casinha e as batalhas aéreas/espaciais são exponencialmente maiores do que em seus antecessores. Também há crédito (e bota crédito nisso) para os combates com sabres de luz, que são impressionantemente coreografados. O Conde Dooku (Christopher Lee), embora apareça menos do que eu gostaria, faz bonito em novo confronto com Anakin e Obi-Wan e o General Grievous dá uma tremenda dor de cabeça à Obi-Wan, empunhando quatro sabres de luz. Personagens como Mace Windu (Samuel L. Jackson) e o Mestre Yoda (efeito em CG e voz de Frank Oz) também suam a camisa para valer com seus sabres e Sidious mostra do que é capaz ao aniquilar alguns jedis em menos de dois segundos. Claro que a luta mais esperada ficou por conta de Obi-Wan e Anakin, mestre e pupilo respectivamente. Os sabres dançam como flashs nas mãos dos dois, em meio à rios de lava e gêiseres incandescentes, proporcionando um espetáculo a altura de tal duelo.
O elemento cômico é um pouco menor do que no Episódio II, mas o robô R2-D2 dá o ar de sua graça e, de quebra, encara alguns brutamontes de metal. Os mais atentos também notarão que outros personagens do universo Star Wars, como o peludo Chewbacca, ou o jedi Plo Koon (do game Star Wars: Power Battles) pululam pelo longa.
Enfim, um filme completo.
Embora a direção de Lucas continue precária, o filme é maior que isso. Não se trata apenas de um espetacular longa de ação ou de um livro de respostas. Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith é a peça que faltava para o desfecho de uma das mais cativantes histórias já contadas na tela grande. Com este capítulo que, creio eu, não decepcionará os fãs que encontrei na saída da sessão com cartazes de “Go Vader, go!”, George Lucas fecha com chave de ouro sua maior realização. ¤
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