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A TV nossa de cada dia
Por Eloyr Pacheco — Sexta, 29 de abril de 2005
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Sinceramente, meu tempo está escasso e tenho visto pouca televisão. No momento, quando posso, acompanho as séries Smallville, 24 Horas, Lost, Battlestar Galactica e C.S.I., todas exibidas pela TV a cabo. Mas o que quero mesmo nesta coluna é discutir um pouco a TV aberta. Que, e isto é “quase” unânime, está cada vez pior.
Fui criado assistindo a desenhos animados que só passavam mais ou menos uma hora por dia e lembro-me bem que, depois de chegar da escola (sempre preferi estudar de manhã), ficava aguardando a hora de exibição dos tais desenhos. Portanto, aí está justificado o meu carinho pela TV aberta. Respeito muito, por exemplo, o SBT por ter mantido Os Simpsons durante tanto tempo em horário nobre. O mesmo SBT tem aberto espaço para o humor, com programas como Meu Cunhado, estrelado por Ronald Golias (o Bronco) e Moacyr Franco e, recentemente, Dedé e o Comando Maluco. Sem esquecer a eterna A Praça da Alegria, criada por Manoel da Nóbrega e hoje comandada por seu filho Carlos Alberto de Nóbrega. O SBT mantém esse humor ingênuo (até certo ponto) e abre espaço para o humor circense, que pode estar em vias de extinção caso não seja preservado e mantido no ar por alguma emissora. Sinceramente, prefiro ouvir as piadas de A Praça é Nossa do que as do Zorra Total. E também prefiro Meu Cunhado que Sob Nova Direção. Nada contra a Rede Globo, lembre-se que elogiei aqui a série Hoje é Dia de Maria.
Também admiro o Señor Abravanel, o conhecido “dono do domingo”, Silvio Santos. Muitas pessoas ainda dizem (essa é piada antiga) que o Silvio é o maior químico do Brasil, mas, na hora de procurar audiência não esquecem de imitá-lo descaradamente. O cúmulo do absurdo é Tom Cavalcante, agora na Record, usando os quadros de Silvio sem a menor cerimônia. E, pior ainda, conseguindo boa audiência. Onipresente, Silvio parece se multiplicar na televisão. E, espertamente apóia, ou pelo menos não age contra as imitações, ocupando mais espaço do que já tem.
Há poucos dias descobri que boa parte da TV Cultura é dedicada ao futebol, como se houvesse necessidade de mais um programa ou mais exibições futebolísticas. Gosto de futebol. Mas, não dá mais para agüentar as noites de domingo e seus programas sobre a “rodada da semana” com críticos que mais parecem Leões Lobos e Nelsons Rubens do futebol. Há exceções, mas nenhuma na TV aberta.
Discutido TV aqui e ali, entre amigos e críticos da área, não hesito em mencionar que, segundo meu ponto de vista, o programa Pânico na TV é atualmente o melhor programa da TV aberta. Explico: para mim Pânico na TV, paródia escrachada de tudo o que é exibido na televisão brasileira, dá a cara a tapa e numa espécie de “mea culpa” diz o tempo todo: “ – Nós fazemos uma paródia neste nível para mostrar o quanto a TV aberta está ruim!”. Para mim, é isso que o pessoal do Pânico – que também é um grande sucesso no rádio – diz o tempo todo e ninguém ouve.
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