
Nesta quarta, estréia nos cinemas de todo o mundo o capítulo final de uma das mais cultuadas trilogias do cinema. Em dezembro, outra obra adorada por fãs de todo o mundo chega ao fim. Parece que nas últimas décadas Hollywood se apaixonou por trilogias. Pela perfeição do número três. Basta um filme fazer sucesso e pronto, em vez de falar-se em uma continuação, agora a ordem é encomendar duas. De preferência feitas lado a lado e lançadas com alguns meses de distância.
E o que torna as trilogias tão atraentes? De alguma forma, as pessoas parecem perder o interesse por mais do que três capítulos. Ou os produtores é que começam a tratar mal as suas franquias quando chega a hora de fazer o quarto filme. Veja como exemplo
Superman 4 e
Batman 4. O primeiro era um filme barato, quase uma afronta ao que a série do homem-de-aço tinha sido um dia. No caso de Batman, mesmo com um monte de atores, o filme era tão ruim e sem nexo que naufragou (não que os anteriores fossem muito melhores...). Caso clássico de descaso dos produtores.
Agora, olhe para
Indiana Jones e
De Volta para o Futuro, duas trilogias bem sucedidas. No caso de Indy, ele gerou não só uma série de TV como há um quarto filme sendo pensado para 2005. Uma exceção à regra. Mas não vamos esquecer que a coisa toda saiu de dois caras chamados George Lucas e Steven Spielberg. Eles não acertam sempre, mas seus projetos sempre têm um nível mínimo de qualidade.
Marty McFly e Doc Brown viveram aventuras em desenhos animados e geraram um dos brinquedos de parque de diversões mais bacanas da história. Esta trilogia tem o pedigree de Lucas e Spielberg também, não se esqueça.

Não dá para se falar em trilogias sem lembrar de
Guerra nas Estrelas. Os três primeiros filmes fizeram um enorme sucesso e geraram jogos, revistas, livros, desenhos animados, brinquedos e tudo mais que os marqueteiros modernos poderiam conceber. Mas ainda não foi o suficiente. Lucas resolveu retomar a saga e os resultados são, na opinião dos próprios fãs, pífios.
A atração pelo número três parece atrair os produtores a fazer este número de filmes e depois abandonar a franquia. Então, dez anos depois, quando o protagonista vive um momento difícil na carreira, é hora de falar em uma quarta produção. Bruce Willis tenta botar de pé já há alguns anos um quarto
Duro de Matar. Nada ainda. O mesmo pode-se dizer do Indy 4 do qual eu já falei lá em cima. Harrison Ford não faz nada que preste ou dê dinheiro de verdade há mais de cinco anos. Uma eternidade para um astro.
As trilogias têm resultados diversos.
De Volta para o Futuro entregou um capítulo 2 nota dez e uma terceira parte de dar sono. Os outros dois
Duro de Matar não foram um desastre, mas ficaram longe da emoção do primeiro filme. Indy protagonizou um terceiro episódio digno, inferior ao primeiro, mas melhor do que o segundo filme.
O que nos leva a Matrix, não é mesmo?
Reloaded, por conta da expectativa enorme, ficou no meio do caminho. Longe de ser um fracasso criativo, não moveu montanhas. Deixou os fãs confusos.
Reloaded e
Revolutions foram filmados juntos e exibidos com um intervalo de cerca de seis meses. É engraçado, mas o motivo disso é, além de tudo, estético. O primeiro filme tinha um arsenal de truques de fazer inveja. Seria difícil surpreender em um segundo capítulo e ainda mais em um terceiro. A opção foi exibir tudo num espaço curto para tirar essa pressão de inovar do terceiro filme.
Até por que o que se espera do terceiro episódio é simplesmente o término da história, a conclusão. É isso que os fãs esperam de
Matrix e, claro, de
O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei: definição.

O grande defeito dos filmes feitos ao mesmo tempo é a mania de grudá-los. Enquanto a trilogia original de Guerra nas Estrelas se constituiu de filmes estanques, que era episódios fechados,
Matrix,
Senhor dos Anéis e
De Volta para o Futuro, por exemplo, não funcionam sozinhos. Você precisa dos três para que tudo funcione, já que principalmente os episódios 2 e 3 ficam capengas quando vistos sozinhos.
O número três talvez seja tão perfeito porque mimetiza a estrutura da dramaturgia clássica que rege os filmes que a gente vê em duas horas. São três atos. Um primeiro em que são delineados os personagens, outro que traz os conflitos e o terceiro que apresenta a resolução. E depois de esperar anos pela conclusão de uma história, saber o destino final de seus personagens queridos é tudo que um fã-espectador quer.