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XVI Salão Carioca de Humor: os vencedores
Por Rafael Lima — Quinta, 7 de abril de 2005
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Coube à Casa de Cultura Laura Alvim, como de hábito, hospedar os premiados e finalistas das 4 categorias do XVI Salão Carioca de Humor – história em quadrinhos, charge, cartum e caricatura - nas arcadas, além da mostra do homenageado desse ano, Jaguar, no salão principal.
Se os originais de Borjalo (homenageado também em 1991) estavam dispersos, e apenas uma parcela do que Millôr fez sobreviveu ao tempo, a maior lenha deve ter sido resgatar a produção de Jaguar. A impressão sincera de quem vê a exposição é a de que Sérgio Jaguaribe nunca se importou com nada além daquele mínimo indispensável para levar seus rabiscos ao prelo: originais em papéis amassados e dobrados, desenhos nos dois lados do papel – atitude até nem tão extraordinária, em se tratando de desenhistas, gente que vive testando gramaturas e texturas; o que há de extraordinário é usar o mesmo papel do teste para o desenho definitivo... – e emprego de literalmente qualquer instrumento para deixar preto no branco: pincel, esferográfica Bic, caneta para retro-projetor, numa mostra explícita de que, ao menos para cumprir prazos, Jaguar sempre praticou o desenho de resultados, muito mais do que cartum-arte.
Calcula-se em por volta de 90% da exposição o material recente (últimos 15 anos). São principalmente mini-charges feitas para o jornal O Dia, do qual Jaguar também é colunista. O que chama a atenção aqui são três coisas: primeiro, a tenacidade oposicionista em criticar o governo, seja na instância municipal, seja na federal, em rotina diária; segundo, a enorme capacidade em extrair humor dos mesmos e esterilizantes assuntos do cotidiano, ainda que repetindo motes. E terceiro, a permanente incorreção política do humor, perfeitamente ilustrada pelo cartum do paredão de fuzilamento onde o condenado é proibido de fumar um último cigarro "porque esse paredão é para não fumantes". Apesar da miudeza dos desenhos originais (a proporção é quase 1:1), fica claro o cuidado com detalhes do desenho que derruba a crítica comum - Jaguar não sabe desenhar. Sabe, sim.
Melhor para apreciar esses detalhes são três belíssimas litografias: a do circo superlotado de atrações ("Está cada vez mais difícil satisfazer o gosto do público"), a do domador de feras ("Detesto quando você traz trabalho para casa") e a estátua eqüestre que desce para tomar uma com o popular. E ainda tem uma prancha da anta de tênis, de tiras com roteiro de Ivan Lessa, pedindo para ser roubada dali, e excelentes cartuns da safra mais recente, feitos para a última página da revista Caros Amigos.
Quanto aos finalistas e vencedores, este ano, de certa forma, confirmou a crítica freqüente que tem se feito de quem a arte do cartum está morrendo (não fosse suficiente a confusão que sempre se faz com charge). Ao menos quando se compara com a pujança de um Millôr, a poesia de um Borjalo ou a graça gratuita de um Jaguar, fica difícil encontrar sucessores, ou ao menos gente com o mesmo nível médio de qualidade (exceção talvez apenas para Ronaldo, sempre com boa idéias e traço limpo). Moa trouxe a melhor combinação de idéia e execução e foi premiado com o primeiro lugar (veja abaixo).
Na categoria charge, ninguém repetiu a brilhante sacada do ano passado, em que uma leve interferência gráfica transformou o logotipo do Bradesco no ataque às torres gêmeas. Rodrigo Accioly até tentou, com o swoosh da Nike fazendo as vezes dum tsunami em "Made in Asia", até com maior impacto visual pelo jogo de preto e branco, mas com menos volume significativo. Rico levou o primeiro lugar com uma arguta piada visual sobre a reciclagem de detritos; Crist trouxe duas belas aquarelas, amealhando um terceiro lugar e Mario Vale executou de maneira singela a melhor idéia visual, um cidadão que puxa asas de avião (AeroLula?) do fundo de seus bolsos vazios, merecendo a menção honrosa.
Como Quinho não participou, a disputa pela melhor caricatura foi mais acirrada, com técnicas diversas, prevalecendo o registro mais realista sobre o estilizado – até Léo Madeira, que sempre comparece com realizações ousadas, dessa vez veio com um Roberto Carlos bem comportado. Quem levou, ironicamente, foi Xande, com um Jaguar geometrizado e estilizado (ao lado) - é a segunda vez que uma caricatura de Jaguar leva o primeiro prêmio. Dálcio Machado chamou a atenção com um Hitchcock e um Christopher Reeves, Junior Lopes fez um Yamandu Costa inusitado, totalmente de colagem e a Daiane de Elias ao menos levou a menção honrosa (poderia ter sido premiada). Outro que merecia prêmio foi o Yasser Arafat de L.Tasso, sem desmerecer o D.Pedro I de Tuba, cujo formato do rosto evoca o mapa do Brasil.
Na categoria história em quadrinhos, Guazzelli está se transformando no bicho-papão que Quinho já foi para caricatura; no entanto, sempre aparecem gratas surpresas, como Gabriel Renner e Paulo Barbosa, respectivamente segundo e terceiro lugares. O cartunista Ed, da revista Mad, também compareceu e levou a menção honrosa com suas tiras.
O catálogo deste ano, com todos os vencedores, além de amostras do trabalho dos quatro grande homenageados (e respectivos textos de apresentação) está à venda no Centro Cultural dos Correios e na Casa de Cultura Laura Alvim. Também à venda foi posta uma edição fac-similar da revista Pif-Paf. ¤
Veja os trabalhos premiados aqui.
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