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Para ler e ouvir
Por Tatiana Tavares — Quinta, 30 de outubro de 2003
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O negócio é o seguinte: esta historinha de pesquisa retratando o jovem brasileiro como alguém alienado, que só pensa no próprio umbigo e quer distância dos livros parece cada vez mais restrita a estereótipos. Prova disso é que, ao contrário do que acontecia até pouco mais de dez anos atrás, uma penca de livros musicais vem sendo despejada no mercado com freqüência. Exemplos que chegaram as lojas nas últimas semanas são Vamo batê lata;, biografia dos Paralamas do Sucesso escrita pelo jornalista, crítico e amigo dos caras, Jamari França e Todo DJ já sambou a história dos DJs no Brasil”, da também jornalista e baladeira, Cláudia Assef.
O primeiro. Lançamento da Editora 34, conta em mais de 300 páginas recheadas de fotos que nem a própria banda devia lembrar da existência, como tudo começou, há 21 anos. Está tudo lá: todos os discos, as fofocas de bastidores, amizades e inimizades com bandas contemporâneas, a consagração internacional – Europa, América Latina – o mix cada vez mais freqüente entre rock e MPB e muito mais. Jamari dedicou um capítulo ainda a história de Herbert Vianna e Lucy, esposa do guitarrista e mãe de seus três filhos morta no acidente que o deixou preso a uma cadeira de rodas, em fevereiro de 2001. O capítulo entrou como um espécie de homenagem a Lucy e o acidente e a posterior recuperação de Herbert também mereceram destaque.
Completinho, completinho. Mas algumas coisas não podem passar em branco, bobagens que na pressa da revisão – afinal, o acidente com Herbert adiou e atrasou bastante o lançamento, previsto inicialmente para o final de 2001 – acabaram passando em branco. Só para ser chata e citar dois erros, Jamari escreve sobre a participação de Herbert Vianna no hit ^Até quando esperar”, da Plebe Rude, quando todos sabemos que o vocalista aparece na faixa "A minha renda”, do CD de estréia da Plebe, “O concreto já rachou”. Outra coisa, lá pelas tantas, Jamari descobre que houve Copa do Mundo em 84, o que é imperdoável afinal, 84 foi ano de Olimpíadas.. Tudo bem, nada disso compromete o andamento e a veracidade da história, mas merece uma revisada na próxima edição, né não?
Já o segundo, Todo DJ já sambou, saiu pela Conrad Editora e merece todo o crédito. A música eletrônica produzida no Brasil, ao contrário do que muita gente pensa, faz o maior sucesso lá fora. Patife e Marky são exemplos disso nas pistas européias. O livro vem contar um pouco de como tudo isso começou, relembrar os tempos em que as festas e boates eram animadas por orquestras sinfônicas e os chamados discotecários eram apenas meros trocadores de discos, para chegar nos dias de hoje em que os DJs são verdadeiros maestros da música mecânica e proporcionam espetáculos a parte nas pistas por onde passam.
Ligada em música desde criança, quando ficava em casa curtindo as fitas que seus pais – segundo ela, “clubbers pré-históricos da década de 8-“ – traziam das baladas, Cláudia escreve quase em forma de diário, contando suas aventuras nos festivais europeus e entrevistas com os principais nomes de ontem e de hoje da música eletrônica brazuca. Foram mais de cem entrevistas e cinco meses de pesquisas em arquivos pessoais dos DJs, jornais e revistas. As fotos também são um show a parte.
É aquela velha história, né? O jovem não lê e coisa e tal. Mas será que essa falta de leitura também não se deve ao fato de que as vezes, não há coisas realmente interessantes para serem lidas? A partir do momento em que abre-se espaço para elas, a coisa funciona. O mesmo vale para as revistas de música que, com raras exceções – não conseguem sobreviver por muito tempo nas bancas brasileiras. Mas isso aí, é outra história.
Se tudo continuar caminhando bem, ano que vem Fábio Masseira deve lançar uma coletânea de entrevistas e Dinho Ouro Preto, do Capital Inicial, deve finalmente colocar no mercado a história da famosa Turma da Colina, que incluia bandas como Legião Urbana, Plebe Rude e é claro, o próprio Capital. É só torcer para o filão continuar sendo rentável para que não fiquemos restritos apenas a biografias de bandas e artistas gringos.
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