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Nós Lemos: Sin City
Por Marcelo Tavela — Segunda, 21 de março de 2005
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Experimento interessante: bote o trailer de Sin City, o filme, para rodar em seu computador. Não olhe para a tela. Comece a ler Sin City - A Cidade do Pecado, primeira história criada por Frank Miller para sua cidade calamitosa, relançada no fim do ano passado pela editora Devir. E vá costurando as amostras da trilha sonora de acordo com as “cenas” da HQ. Mesmo após o vídeo ter acabado, ela continua ecoando na sua cabeça. E ficará até o fim da leitura.
Pegando a onda do filme, e favorecendo os leitores, o álbum apresenta uma das três histórias que compõem o longa – as outras são A Grande Matança e O Assassino Amarelo. Marv é um looser em condicional, que, quando dá por si, está envolvido com Goldie, o tipo de mulher que nunca lhe daria trela. Vem fácil, vai fácil. Goldie amanhece morta ao lado de Marv, com a polícia subindo as escadas, como aparece no plano em 90º, tanto no trailer como na HQ.
Miller deita e rola com os pretos e brancos puros, sem nuances. Inverte de um quadro com o outro, brinca com as sombras e com os cenários, dá o show com os espaços vazios. Na época em que a história foi originalmente publicada – em longos 13 meses de 1991 e 1992, na revista Dark Horse Presents - seu traço estava em momento transitório, começando a utilizar os traços mais grossos sem perder um maior detalhismo.
Marv é exposto com todas as suas falhas e dúvidas, não só como um brutamontes, mas sem parecer pedante. O momento que melhor representa o intuito do autor é a caminhada de Marv na ponte sob a chuva – também representativo para as suas qualidades gráficas. Outro destaque é a parte em que um padre é morto no confessionário (e que, segundo alguns rumores, deve contar com uma participação especial no filme). As 48 páginas planejadas transformaram-se em 200. “Foi tudo culpa do Marv. O grandalhão começou a dar ordens para mim”, escreveu Miller no posfácio.
A Devir deu atenção especial para o lançamento, com direito a hotsite - www.devir.com.br/sincity -, onde o primeiro capítulo da história pode ser baixado em formato PDF. O álbum traz esboços, capas e desenhos publicitários, além de prefácio da tradutora Marcela Godoy. Mas faltou a revisão em alguns erros de português.
É uma boa época para se gostar de quadrinhos e cinema. ¤
P.S.: duas curiosidades: há uma “homenagem” a um das grandes personagens da DC entre as prostitutas da página 139. E quem descobrir o que quer dizer o número 311, que Miller distribui por placas e carros em toda a HQ, manda um e-mail para gente.
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