Os joelhos e narizes de Gil Kane...
Por que se gosta deste ou daquele artista independentemente de sua arte? Eu gosto muito da arte de Jack Kiby, Steve Ditko, Jim Steranko e Gil Kane, entre outros, mencionando aqui alguns clássicos. Uma das conclusões a que cheguei foi que determinados artistas marcam certos momentos da nossa vida de quadrinheiro; e isto faz com que eles se tornem os nossos preferidos. Para mim, Gil Kane é um destes artistas.
Eu identifico facilmente a arte de Kane, para mim basta observar o joelho marcado e a sombra projetada no nariz que ele desenhava. É, desenhava. Kane faleceu em 2000 com 74 anos.
Embora tenha sido um dos principais responsáveis pela reformulação do Lanterna Verde, da DC Comics, não foi esse trabalho de Gil Kane, cujo nome verdadeiro é Eli Katz, que me marcou. A fase mais marcante de Gil Kane para mim é a seqüência de histórias de The Amazing Spider-Man que culminam na morte de Gwen Stacy. Dessa história eu me lembro bem quando foi publicada em Homem-Aranha, publicada pela RGE em 1980, embora já tivesse sido apresentada em 1973 em O Homem-Aranha, da Ebal, e eu já a tivesse lido.

Clique nas capas para ampliá-las
Outra seqüência marcante para mim foi publicada originalmente em
Tales of Suspense e, no Brasil, em
Capitão América, na segunda metade dos anos 1970 (não me lembro exatamente o ano, a Bloch não costumava pôr data em suas revistas).
Kane também era um especialista em capas. Escolhi três que são de momentos muito interessantes dos quadrinhos:
Captain América, história que mostra
Steve Rogers desistindo de ser o Capitão e se tornando o
Nômade (é isso mesmo,
Jack Monroe, nunca foi o primeiro&; Nômade, Steve foi o número um!), publicada no Brasil em
Capitão América, da Bloch e ignorada solenemente pela Abril Jovem;
Defenders com o encontro dos
Defensores com o
Esquadrão Supremo (chamado na época de
Esquadrão Sinistro) aqui mostrada em
Os Defensores, também da Bloch, e
The Amazing Spider-Man (que mostra a primeira aparição do
Justiceiro na Ebal era chamado de
O Vingador), e publicada em
O Homem-Aranha, da Ebal, e também aproveitada mais tarde pela RGE e pela Abril Jovem.
Na do Capitão reparem como Kane arrumou uma solução simples mas muito funcional para mostrar a mudança que ocorreria na história; na dos Defensores observem a vitalidade da ação, e finalmente, na do Aranha, em como uma solução de campo e contra-campo gerou um grande suspense para o que pode ocorrer. Agora compare as capas das edições brasileiras com as das edições originais. Atenção especial para a mudança de cores e nas montagens. Como curiosidade, aí também está a capa de
Homem-Aranha, da RGE, e
The Amazing Spider-Man, de John Romita. Vejam que os editores preferiram fazer uma montagem para ter o Escalador de Paredes de frente, e não de costas como estava no original.
Quem gostar de Gil Kane deve ir atrás de
Marvel Visionaries Gil Kane, da Marvel Comics, e
Gil Kane Art and Interviews, da Hermes Press.
Semana que vem a gente se vê de novo!