Lucille (Carla Gugino) e Marv (Mickey Rourke)
O Autor: Frank Miller
Nascido em Maryland, EUA, em 27 de janeiro de 1957, o quadrinista é um dos profissionais de maior importância dos últimos anos. Começou no mercado editorial ainda muito jovem, colaborando em vários fanzines. Seus primeiros trabalhos publicados como roteirista foram na revista
Twilight Zone, da extinta editora Gold Key. Miller trabalhou de
freelancer para várias editoras, inclusive a
DC e a
Marvel, onde seu primeiro trabalho foi uma história do Dr. Samson. Na Marvel, ele ainda desenhou dois números da revista Peter Parker, o que chamou a atenção dos editores, fazendo com que lhe dessem o cargo de desenhista regular da revista do
Demolidor, a partir do número 158. No número 168, Miller passou também a escrever.
Em 1982 ele se transferiu para a DC, onde realizou a mini-série
Ronin. Voltou para a Marvel em 1985 e escreveu aquela que é considerada a melhor história do Demolidor:
A Queda de Murdock, onde o maior inimigo do herói, o Rei do Crime, descobre sua identidade secreta e resolve acabar com sua vida. Foi no ano seguinte, em 86, que Miller alcançou o status de gênio, lançou - desenhando e escrevendo -
Batman - O Cavaleiro das Trevas, uma das séries mais premiadas de todos os tempos, que conta a volta à ativa de um Homem-Morcego já cinquentão. Ainda em 86, Miller criou a mini-série
Elektra Assassina, pintada por Bill Sienkiewicz. Em 90, ele faria para a Dark Horse as séries
Hard Boiled,
Liberdade e
300 de Esparta. Atualmente Miller dedica seu tempo à série policial criada por ele, o espetáculo em preto e branco
Sin City.
Um local: Sin City

Sin City é um lugar de justiça rápida e morte lenta, de calor selvagem e sangue frio, onde ninguém ouve os gritos na noite, mas um simples passo na parte indesejada da cidade pode ecoar feito um trovão. É o inferno na Terra, elevando à enésima potência a atmosfera sufocante e perturbadora daquele ambiente, onde os podres por trás dos códigos que sustentam as relações sociais se revelam a cada sombra.
Considerado um dos melhores trabalhos de Frank Miller, o título é composto de várias mini-séries e edições especiais que contam a violenta história desta cidade do pecado através da força de seus personagens. Como os bons filmes
noir, a força da historia se transmite através da dramaticidade que pontua os diálogos, calcados no sadismo e numa visão desencantada do mundo. São frases curtas, diretas, mas extremamente dolorosas, bem ao estilo da literatura
noir de escritores como
Raymond Chandler e
Dashiell Hammett. Mas a característica maior é a interpretação das leis em preto e branco pelos personagens, numa metalinguagem através das páginas que dividem o mesmo espectro de cor.
O filme interliga três histórias que envolvem os desagradáveis habitantes da cidade: Hartigan, um policial prestes a explodir que deve proteger a
stripper Nancy (
Assassino Amarelo); Marv, um criminoso que busca vingar a morte da única mulher que realmente amou (
Cidade do Pecado); e Dwight, que defende Gail da mira de Jackie Boy, um policial corrupto e violento (
A Grande Matança).
No elenco, vários nomes conhecidos como:
Bruce Willis (John Hartigan),
Mickey Rourke (Marv),
Clive Owen (Dwight),
Michael Madsen (Bob),
Josh Hartnett (O Vendedor),
Elijah Wood (Kevin),
Benicio Del Toro (Jackie Boy),
Jessica Alba (Nancy Callahan),
Brittany Murphy (Shelley), entre outros.
A direção ficou por conta do faz-tudo
Robert Rodriguez (
El Mariachi,
Era uma Vez no México) - afinal ele cuida também do roteiro, produção, direção de fotografia, composição das músicas e edição. O próprio Miller foi convidado para dividir a direção, e a co-direção ficou com o amigo de todas as horas de Rodriguez,
Quentin Tarantino (
Pulp Ficiton,
Cães de Aluguel,
Kill Bill).
Confira o trailer 1 e o trailer 2 de Sin City.
Os Quadrinhos
Sin City - Cidade do Pecado
Sin City - Cidade do Pecado narra as desventuras de Marv, arquétipo do perdedor, que fará qualquer coisa para honrar uma paixão roubada. Mas sua tarefa não é fácil. Sin City é uma cidade cujas ruas são pavimentadas com corrupção e ódio, onde os becos acobertam crimes que ninguém quer tomar conhecimento, e os olhares bastam para revelarem seus pecados.
Sin City - A Grande Matança
Dwight McCarthy é considerado um assassino por ter se vingado daqueles que tentaram destruir sua vida no passado. Hoje ele tem um novo rosto e documentos falsos que o permitem andar livremente pelas ruas de Sin City, desde que não chame a atenção. Mas isso tudo poderá mudar drasticamente, pois se existe uma coisa a qual McCarthy dá valor neste mundo é a amizade. Para provar isso, ele irá até as últimas consequências. E, neste caso, isso pode significar matar muita, muita gente.
Sin City - O Assassino Amarelo
O ponto de partida é a cruzada de vingança de John Hartigan, um tira sessentão, honesto até a alma, envolvido em um escândalo após ter salvo Nancy, uma menina de 11 anos, de ser estuprada pelo filho de um senador corrupto. As desgraças do velho herói começam aí. Após oito anos vendo seu mundo ruir no cárcere graças a uma conspiração, descobre que Nancy, agora uma moça, corre perigo nas mãos do tal assassino do título.
Uma estética: Filmes Noir

Em 1941, os Estados Unidos entravam na Guerra. No mesmo ano, estreava
O Falcão Maltês, filme de
Jonh Huston, que é considerado o primeiro filme
noir da história.
O filme
Noir é descendente direto do filme de gângster dos anos 30, que, por sua vez, é filho da realidade daquela época, marcada pela crise econômica e pelo aparecimento do crime organizado. Crime que surgiu com o decreto da Lei Seca e que, imediatamente após a revogação desta, intensificou e diversificou suas atividades. O crime tornou-se um meio rápido de ascensão social. A moral perdia sua rigidez e se desintegrava numa sociedade onde as antigas leis políticas e econômicas não garantiam mais um futuro promissor.
Assim, era natural que no início os filmes girassem em torno de um detetive durão e solitário, que encontrava sentindo para sua existência no individualismo e no exercício de sua profissão, sobrevivendo como um pária do mundo exterior e mantendo uma ilusória sanidade mental às custas da indiferença. Cada vez mais alienado da verdadeira causa de sua perdição, consegue enxergar o semelhante escapar do cotidiano com sonhos de poder e riqueza, fantasias que se desmancham no ar.
O termo
noir surgiu após a Segunda Guerra Mundial, através de críticos franceses que se referiam aos filmes policiais produzidos nos Estados Unidos a partir de 1940. Como principais características, podemos citar a influência direta da literatura policial dos anos da Depressão, que trazia como personagens principais detetives linha-dura, fêmeas fatais, vilões perversos, investigações e conspirações em suas tramas.
O termo também se refere a um estilo de filmar, nitidamente influenciado pelo Expressionismo alemão, pelo Realismo poético francês e pelo romance policial. A contrastada fotografia em preto e branco; ângulos anticonvencionais; uso recorrente de câmeras altas e baixas; fontes isoladas de luz em oposição à iluminação naturalista; o ângulo na altura do olho; e as locações em estúdio conferiam àquelas produções de baixíssimo orçamento um clima ao mesmo tempo quase onírico e real.
É dito que a produção e a estética deste tipo de filme pode ser dividida em três fases:
A primeira, que corresponde à fase do detetive particular, da mulher fatal, dos diálogos cortantes e inteligentes, se deu durante a guerra, tendo como inspiração constante a literatura policial de Raymond Chandler, Dashiel Hammett e James M. Cain, podendo ser representada por filmes como
O Falcão Maltês (
The Maltese Falcon, 1941),
O Destino Bate sua à Porta (
The Postman Always Rings Twice, 1946, de Tay Garnett),
Pacto de Sangue (
Double Indemnity, 1944, de Billy Wilder). Vai de 1941 a 1946.
A fase seguinte, a do período pós-guerra, de 1945 a 1949, deu ênfase ao crime das ruas, a corrupção e a rotina policial. Os hérois eram menos românticos que os do período anterior. O realismo desta fase vem de encontro ao sentimento de desilusão do pós-guerra e a difícil readaptação dos veteranos à sociedade que se transformava. Pode ser indentificada em filmes como
Brutalidade (
Brute Force, 1947, de Jules Dasin),
Assassinos (
The killers, 1946, de Robert Siodmak) e
Amarga Esperança (
They Live By Night, 1949, de Nicholas Ray).
Na terceira e última fase, de 1949 a 1953, predomina a paranóia, o impulso suicida e a ação psicológica. O desespero e a desintegração do héroi chegam ao ápice, e o assassino psicopata, não mais um mero figurante, torna-se definitivamente o protagonista. São deste período filmes como
Crepúsculo dos Deuses (
Sunset Boulevard, 1950, de Billy Wilder),
Os Corruptos (
The Big Heat, 1953, de Fritz Lang) e
Mortalmente Perigosa (
Gun Crazy, 1950, de Joseph H. Lewis).
Após isso, filmes feitos dentro desse estilo, ou que o homenageiam, costumam receber o rótulo de
neonoir. Alguns exemplos são
Chinatown,
Pulp Fiction,
8 Milímetros,
Los Angeles Cidade Proibida,
Seven e
Olhos de Serpente. ¤