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Constantrix Revolutions
Por Marcelo Del Debbio — Quarta, 2 de março de 2005
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Hoje estou de bom humor... aliás, de excelente humor. Sabem por quê? Porque acabei de chegar da cabine de Constantine (2005, dirigido por Francis Lawrence, diretor estreante que começou com o pé direito sua carreira no cinema) e, ao contrário do que todos estavam dizendo, é um filme DUCARAIO (posso falar Ducaraio aqui no Sobrecarga? Tarde demais... já falei).
Confesso que depois de Elektras, Mulheres Gatos, Ligas Extraordinárias e outras bizarrices que apareceram por aqui, e aquele pôster mostrando o Neo segurando uma escopeta-calibre-doze-crucifixo-dourado me assustou bastante. O trailer parecia bacaninha, mas a visão de Constantine segurando uma escopeta ainda trazia bons demônios aos meus sonhos... sabendo disso, fui para o cinema com os dois pés atrás. Estava esperando literalmente “qualquer coisa”, mas me impressionei. E muito!. O filme é uma das melhores e mais espetaculares adaptações de HQ já feitas...
“Calma lá..” afirma categoricamente o senhor de bigodinho e rabo-de-cavalo – “adaptações de HQ? Fala sério!”
Bem... confesso que de Constantine mesmo o filme tem muito pouco. Ao invés de um loiro de meia-idade com a cara do cantor Sting, colocaram o Keanu "Matrix" Reeves; ao invés de Liverpool, Los Angeles... a cosmologia dos anjos e demônios também está radicalmente diferente da HQ... mas, quer saber? Quem se importa?
Pode chamar de “filme onde o Keanu Reeves interpreta um exorcista” que está beleza. O filme começa com uma escavação no México onde um dos trabalhadores encontra por acaso a poderosa “Lança do Destino” (a lança que espetaram no peito de Jesus Cristo quando ele estava crucificado e que possui um pouco do sangue de Deus e quem a controlar, controlará o mundo e blá blá blá). Uma rápida seqüência de tirar o fôlego depois e estamos em Los Angeles onde John Constantine está auxiliando o padre Henessy (Pruitt Taylor Vincent, o detetive fanático de S1m0ne) a realizar um peculiar exorcismo. Tudo parecia sob controle, mas... eu não vou contar mais nada para não estragar nenhuma surpresa, mas os efeitos especiais do filme são espetaculares (com destaque para uma das melhores versões do Inferno já vistas no cinema), os demônios e anjos são convincentes (com o demônio formado por insetos sendo o melhor!) e as sacadas de magia são espetaculares. O anjo Gabriel (interpretado pela andrógina Tilda Swinton) merece um destaque especial. Sua caracterização é um barato. Outros colegas de John como Chas Chandler e Papa Midnite estão muito bem, e o demônio Balthazar (interpretado por Gavin Rossdale) está muito divertido.
Muita gente criticou o Keanu Reeves por causa desse papel, dizendo que era a escolha errada e tal (cogitaram até mesmo Nicholas Cage para o papel antes de fecharem com ele), mas eu diria que está bem sarcástico e irônico, como o verdadeiro personagem. Claro que várias vezes ele faz caras e bocas de Neo e você fica esperando que, ao invés de um demônio, apareça um agente Smith a qualquer momento para pegá-lo. Os produtores poderiam pelo menos ter tingido seu cabelo de castanho ou loiro... não custaria nada e ajudaria a apagar um pouco a impressão de Matrix que ficará para sempre grudada em Keanu, quer ele queira, quer não...
O lance do politicamente correto também me incomodou um pouco. Às vezes, têm-se a impressão de que o filme é uma grande propaganda anti-tabagista, mas eu posso entender isso. Não deve ser nada legal para os produtores de Hollywood mostrar um viciado em cigarros com câncer de pulmão que, nos quadrinhos, quando conseguiu se livrar da doença, a primeira coisa que fez foi acender outro Silk cut.
O prêmio mané vai para o infeliz que legendou o filme, que se confunde o tempo todo com Gabriel (por ser interpretado por uma mulher) colocando nas legendas “ela, dela, sua...” mas nada que incomode muito...
Fica a dica da semana. Se você curte quadrinhos, não precisa nem conhecer Constantine para adorar o filme.
Assista antes que o mundo acabe.
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