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Constantine - Matador de Demônios
Por Eloyr Pacheco — Terça, 1 de março de 2005
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Eu estava ansioso. Confesso que não acreditava que essa adaptação de Hellblazer dos quadrinhos para o cinema pudesse funcionar. O filme tinha tudo para dar errado: um ator “bonitinho”; em vez de louro, moreno; ao invés de ambientada na Inglaterra (NewCastle?), Los Angeles... As informações que corriam pela Internet eram realmente preocupantes.
Hoje, eu consigo separar os “produtos” – os fãs devem odiar esse termo, pois não costumam enxergar seu objeto de adoração como mera mercadoria –, distinguir entre um e outro. Há muitas diferenças entre o que se produz para quadrinhos e o que se produz para cinema. As linguagens, embora parentes próximas, são completamente diferentes. Eu me preparei para assistir a Constantine com esse olhar. Mas, hoje, finalmente assisti ao filme e para ser bem sincero, nem precisei usar esse artifício, mais um mecanismo de defesa do que outra coisa qualquer, para gostar do filme. Minhas preocupações foram dizimadas, assim como os demônios que Constantine enfrenta no filme.
As diferenças entre a HQ e o filme param nos tópicos que mencionei. Constantine consegue captar a essência de John Constantine. O sarcasmo em suas palavras é nítido, e, até mesmo, uma certa arrogância na interpretação de Keanu Reeves é percebida e ajuda a delinear o personagem. Sua autodestruição através do álcool e do cigarro, Constantine tem câncer nos pulmões, é mantida e usada como um dos temas centrais da história. Não consegui ver se ele fuma Silk Cut como nas HQs.
O filme tem começo, meio e fim (e que final! Não saia da sala, espere até o final dos créditos!) e não incorre no erro de “mostrar a origem” de John Contantine para aqueles que não o conhecem, como é comum nas adaptações de quadrinhos. No decorrer do filme, percebe-se que ele já conhecia o Papa Meia-Noite (Djimon Hounsou) e o Padre Hennessy (Pruit Taylor Vince), e que há uma história antes dessa. Essa mesma sensação ocorre com outros personagens, mas não atrapalha o enredo, pelo contrário, acrescenta à trama. A certa altura do filme, quando realmente importa, é mostrada uma explicação para o que John se tornou, se é que assim pode-se dizer, mostrando seus problemas de vidência quando ainda criança e, depois, quando adolescente. Diferente dos quadrinhos, mas inteligente e, principalmente, convincente.
Até mesmo a arma que ele usa (um tanto excêntrica) não me incomodou como havia incomodado no trailer e ganha razão de ser nas cenas em que ele enfrenta uma horda demoníaca. Os fãs sabem que ele não usa armas nas HQs, eu pelo menos, não me lembro de Constantine segurando sequer um revólver.
A visão que o diretor Francis Lawrence tem do Inferno é muito interessante. Ao realizar as “passagens” deste plano para o do Inferno Constantine permanece no mesmo local, mas destruído e em chamas; de tons sombrios (preto e cinza), o lugar passa a ter cores quentes (amarelo e laranja). Parece que tudo é igual, só muda o plano físico. Como se Terra, Céu e Inferno co-existissem em planos diferentes.
A atriz Rachel Weisz (abaixo), que interpreta as gêmeas Angela e Isabel Dodson, mostra-se interessada por John e isso se torna uma piada no decorrer do filme, um alívio para tantas cenas fortes. Há uma muito forte no início do filme, fique preparado. A escolha de Tilda Swinton deu um ar andrógino para o anjo Gabriel, que funciona muito bem no filme (lembre-se que anjo não tem sexo!).
Surpresa ainda maior ficou para a parte final, quando surge o ator Peter Stormare interpretando Satanás. Muitos atores já o fizeram, mas posso garantir que Peter deu uma visão única para o Senhor do Mal. Inteligente, sofisticada e um pouco exagerada, chegou a arrancar risos nervosos do público.
Muitos dos detalhes que realmente gostei foram tirados (e bem adaptados) de seqüências de histórias em quadrinhos e que somente aqueles que leram também vão perceber. Mas, aqueles que não leram, tem um bom filme para curtir, cheio de ação e bons sustos.
Particularmente, acho que uma adaptação de quadrinhos para o cinema é isso. Buscar fidelidade neste momento em que tantas adaptações estão sendo produzidas pode ser um entrave para se conseguir um bom resultado final. O fato é que Constantine tem consistência por si só, como filme, porque mesmo não sendo totalmente fiel aos quadrinhos nos quais se originou, como já escrevi, preservou a essência do personagem.
Se ele fuma cigarros da marca Silk Cut eu vou saber, porque, com certeza, esse é um filme que eu quero rever.
É isso aí. Até breve! Tchau. ¤
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