Vale, talvez, pelas músicas

Do início para o meio de
O Fantasma da Ópera, após cantarem a música-título,
Christine Daae desmaia e o
Fantasma a coloca em uma cama dourada, no formato de um cisne gigante com as asas abertas. A cama sintetiza o filme: exagerado e brega, com a sensação de que há alguma coisa estranha.
O início é até promissor, em preto-e-branco, mostrando a decadência do teatro Opera Populaire. Mas, após a volta no tempo, tudo fica muito rápido e confuso. Não se tem a exata noção do que está acontecendo. A reconstituição do teatro acerta em certos momentos - o filme foi indicado ao Oscar de Direção de Arte -, mas comete alguns exageros que complicam o trabalho.
No elenco, a intérprete de Christine,
Emmy Rossum (a filha de Sean Penn em
Sobre Meninos e Lobos), é a única que consegue se salvar, com alguma presença e uma boa voz. Nos dotes vocais dos atores, só há um destaque, negativo:
Jennifer Ellison, a amiga de Christine. A lourinha canta como uma apresentadora infantil em início de carreira.

O
Visconde Raoul de Chagny (Patrick Wilson), tem o carisma de um ovo cozido sem sal, insustentável àquela história de amor. E o Fantasma (
Gerard Butler, de
Tomb Rider: A Origem da Vida) não consegue imprimir a ameaça/fascínio que o personagem pede. Com direito a maquiagem malfeita. No restante,
Minnie Driver desce mais a ladeira (se é que um dia ela esteve no alto).
O filme contou com roteiro e produção de
Andrew Lloyd Webber, que transformou o romance
Le Fantôme de L'Opéra, de Gastón Leroux, no musical de sucesso em 1986. Mantendo suas boas músicas com arranjos próximos aos da peça - inclusive a mesma bateria eletrônica irritante no dueto de Christine com o Fantasma - esperava-se que Lloyd Webber defende-se melhor sua cria. Não aconteceu.
No mais, temos calças fora de época, estátuas que se mexem e um pôster em que o Fantasma aparece com a máscara no lado errado. No comando de tudo isso, o imprevisível diretor
Joel Schumacher, que quando se contêm apresenta trabalhos interessantes, como
Tigerland. Quando não, bom,
Batman & Robin. Ele até parecia o homem certo para o trabalho. Mas o resultado deixa a desejar. ¤