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Guitarra e salto alto
Por Marcos Vasconcelos — Quinta, 24 de fevereiro de 2005
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Perguntei-me, dia desses, quem teria sido a primeira mulher roqueira. É que, quando se pensa na criação do rock, é fácil lembrarmos dos pioneiros Bill Halley, Chuck Berry, Jerry Lee Lewis, Little Richard e Elvis Presley, entre outros. Depois da era rockabilly, aparecem os Beatles e Rolling Stones, e pouco mais tarde as fases progressiva e pesada. Mas, onde aparece a primeira mulher roqueira?
Aqui no Brasil há um certo consenso de que o rock chegou com a Jovem Guarda. Consta, inclusive, que Nora Nei, uma cantora popular, foi quem gravou o primeiro "rock" brasileiro. Mas a lembrança maior do início da fase sem dúvida é a de Celly Campello cantando "Datemi Um Martelo", música que foi imortalizada na voz da italianinha Rita Pavone. Seria esta, então a primeira roqueira de que se tem notícia? Na América, sem dúvida não, lá as coisas correram de outro jeito. Em 1959, é gravado um álbum de rockabilly por uma espécie de vovó do rock, Cordell Jackson. E pela vertente jazz e rhythm'n soul - que muito teve a ver na formação do caldo fundamental do rock - surge o primeiro grupo feminimo, "The Shirelles", formação que, na mitológica gravadora Motown, ia derivar para sucessos como as "Marvellets" e por fim, as "Supremes", de Diana Ross.
O fato é que o rock começou masculino, mas se rendeu cedo ao rebolado das damas e deste modo, elas vem ajudando a construir a sua história. E assim como as divas do jazz e as cantoras populares do rádio, as roqueiras tornaram-se estrelas, mesclando talento vocal e instrumental e muita atitude no pensar e agir. Pioneiras como Janis Joplin, na década de 60, Siouxie Sioux e Patti Smith na de setenta e Chrissie Hynde e Annie Lenoxx nos anos oitenta, marcaram época com seu som pesado. Nina Hagen personificou o glam-punk e Cindy Lauper e Madonna, o pop oitentista. E até mesmo grupos pseudo-heavy, como o feminino Heart, apareceram naquele tempo. E na botocúndia não podia ser diferente. Das terras de Tio Sam, Rita Lee chegou para ser o grande nome na década de setenta, já que nos anos oitenta, ela derivou radicalmente para um pop mais babento, ainda que nunca tenha perdido a verve. Já nos anos 80, inspirados pelo New Wave de B-52 e Go-Go's, grupos como o Metrô, da fracesinha Virginie, o Sempre Livre da charmosa Dulce Quental e principalmente o Kid Abelha da musa Paula Toller, cresceram e apareceram.
Mas foi na década seguinte que houve o boom dos cromossomos X. Madonna era a estrela que subia, enquanto Michael Jackson, seu contraponto, decaía. Só que a cantora americana começou a derivar para uma vertente eletrônica, que acabou novamente mesclando o pop-rock ao soul, mistura que veio dar em artistas como as contemporâneas hip-hoppers Lauryn Hill, Missy Elliott, as pop-farofa Beyoncé, Britney Spears e Christina Aguillera, sem falar na neo-rocker Pink. Na vertente que se afastou da tendência eletrônica aberta por Madonna, surgiram roqueiras puras, como Juliana Hatfield e Courtney Love, principal representante feminina da era grunge, com seu grupo, o Hole. Essa mesma estrada acabou desembocando em Alanis Morissette e Avril Lavigne.
E no Brasil? Bem, se formos pensar no rock feminino destas plagas, é provável que a imagem da baianinha Pitty seja a primeira que nos venha à cabeça hoje em dia. Mas ela não é a única e várias abriram caminho para ela. Na moderna cena alternativa, encontramos roqueiras como Bianca Jhordão, Marília Bessy e Syang, do DeFalla (que acreditem, já foi roqueira...). Antes delas, entretanto, houve a grande rockerman brasileira, que mais que simplesmente ser uma roqueira de mão cheia, era talentosa para fundir ritmos e tendências e ser boa em tudo o que fez, inclusive em morrer drogada como todo mito do rock: a inesquecível Cássia Eller. Cássia deixou um vácuo em uma cena musical onde tudo se funde, e até cantoras pop e sambistas, como Adriana Calcanhotto e Marisa Monte às vezes se arvoram de roqueiras. Nada contra, tudo é válido. Mas rock mesmo é coisa de quem tem pegada e atitude. Pitty é soberana nas rádios de rock, hoje em dia. E na rádio adulta, temos Isabella Taviani e principalmente Ana Carolina, que têm os atributos de sobra, mesmo que não se possa chamar tudo o que elas fazem de rock. Mas afinal, precisa? Nã. O rock é o que é justamente porque não precisa.
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