 |
Receita de bolo - parte II
Por Tiago Cordeiro — Terça, 22 de fevereiro de 2005
|
|
Bem-vindo ao Sobrecarga, seu destino para as principais matérias sobre Filmes, Séries, Quadrinhos, Música e muito mais... se você puder agüentar!
Use a barra superior do site para navegar entre os assuntos e confira, no final de cada texto, outras matérias relacionadas ao assunto.
Na barra lateral do site você encontra sempre boas ofertas de produtos relacionados ao universo pop, ajude o site visitando nossos patrocinadores.
Volte sempre!
|
Há algum tempo escrevi algumas regras de como conceber uma boa adaptação de histórias em quadrinhos. Hoje, vou fazer o que deveria ter feito desde o começo: falar sobre os cinco mandamentos que roteiristas e editores dos nossos personagens mais queridos poderiam ler:
1 - Não confundirás o leitor: Ok, somos leitores de histórias em quadrinhos, público (aham) privilegiado, capaz de entender vários conceitos pseudocientíficos, sem recorrer à erudição do nosso professor de física. Porém, para tudo há limite. Se o seu personagem já é um clone-transgênico-de-uma-realidade-alternativa, não faça ele se fundir com um ser humano e, acima de tudo, não invente que ele é um anjo (e antes que você pense que ninguém pode cometer um absurdo desses, dê uma olhada nas histórias dos últimos 7 anos da Supergirl e, se você não gostar, evite olhar as recentes), pode tornar as coisas difíceis para os leitores. Especialmente os novatos.
2 - Não mentirás: Tudo bem, você tem que fazer o personagem que você está escrevendo vender, mas evite criar tramas que se propõem a "mudar o personagem para sempre" e terminam iguaizinhas. Toda morte, não deve ser seguida de uma ressurreição. E se você não pode matar para sempre aquele kriptoniano, invente uma outra história. Caso contrário, quando você quiser matar mesmo alguém, ninguém vai comprar a revista. Além disso, ver que a editora que pega nosso dinheiro mente, não é exatamente uma boa estratégia de vendas (porquê será que nenhum leitor fundamentalista não processou a DC Comics por propaganda enganosa ao dizer que mataria o Super-homem, aleijaria o Batman etc?).
3 - Não chamarás o leitor de idiota: Na verdade, esse mandamento se aplica às regras acima também. Mas, aqui eu gostaria de abordar aquelas tramas mirabolantes que afirmam que vão finalmente revelar a verdade sobre aquele personagem, até a próxima queda de vendas, obviamente. Quantas vezes você já não viu "toda a verdade sobre Wolverine revelada". Isso para não falar sobre uma certa seqüência de histórias do Homem-aranha conhecida como "a saga do clone"...Brrrrrrr!
4 - Não ofenderás o personagem favorito do próximo: Claro que você não precisa gostar do personagem que escreve, e, nem tampouco, fazer tudo igual para não fugir muito de sua concepção. Mas, daí mudar tudo sobre aquele super-herói tão amado por um público cativo, não é lá uma forma muito inteligente de garantir seus direitos (humanos). Em outras palavras, se você tem um anti-herói que mata criminosos com armas de fogo e usa uma caveira no peito, é uma péssima idéia fazê-lo se suicidar e depois ressuscitar com poderes oníricos graças a uma conspiração envolvendo anjos e demônios (e se não sabe do que está falando, você não sabe como tem sorte!). E Deus salve Garth Ennis!
5 - Tente, invente, faça uma história em quadrinhos diferente: tudo bem, unlimited series é um estilo quase falido que, inevitavelmente, cai em repetições. Mas, há tantos personagens e tantas possibilidades. Evite criar sagas que comecem com títulos e idéias pouco originais como "Magneto declara guerra à raça humana" ou "O retorno de fulano" e por aí vai. Seja inovador, ou vá trabalhar em outro ramo.
¤
|
 |