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De graça, na web e totalmente legalizadas
Por Leonel Dorkboy — Terça, 28 de outubro de 2003
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O hábito (eu ia dizer “vício”, mas vamos fingir que a coisa não é tão séria...) de ler HQs pode pesar bastante no bolso, principalmente quando você segue diversos títulos e escritores que estão espalhados por diversas revistas. Veja se a situação não parece familiar: vai começar um bom arco histórico, digamos, do Wolverine, e você começa a ler a revista que publica ele. Mas você nota que na mesma revista, há um arco interessante, sei lá, dos Novos X-Men, e começa a seguir este também. Quando acaba o arco do Wolvie, você continua lendo o dos X-Men, e acaba comprando outra revista para ver o que está acontecendo em outra parte do universo Marvel, quando aparece um outro arco que... Sentiu? Eu mesmo comecei com singelos dois títulos da atual linha Marvel da Panini (Paladinos Marvel, por causa do Justiceiro do Garth Ennis, e X-Men, por causa das histórias do Grant Morrison). Logo, eu estava comprando praticamente TODOS os títulos da Panini. Enquanto isso, eu deixava de lado gastos insignificantes como roupas, contas...
Bem, agora que já concordamos que gibis são um verdadeiro poço sem fundo de dinheiro, vamos propor uma alternativa: webcomics. Para quem não sabe, webcomics são HQs “publicadas” na internet e em geral totalmente de graça. Existem dezenas de sites que disponibilizam as HQs, e, com um pouco de procura, é fácil encontrar várias de grande qualidade.
Mas ok, o que e como são estas webcomics? Bem, diferente das polêmicas HQs escaneadas (que estão atualmente causando uma verdadeira epidemia de sites tirados do ar), webcomics são HQs feitas especificamente para publicação na internet, por autores que, por uma razão ou outra, não conseguem espaço na mídia “convencional”. Estes autores na maior parte das vezes são sujeitos bem próximos ao “público”, ou seja, que têm a mesma faixa de idade, gostos e preferências, e fala a mesma “língua”. Isto porque, na verdade, eles SÃO o público, são pessoas sem contatos na “indústria” ou experiência escrevendo para hollywood, mas que gostam de quadrinhos, desenham e escrevem, e decidiram montar um site.
A grande sacada das webcomics é esta proximidade. Não é incomum encontrar autores que são verdadeiras “celebridades” das webcomics (como Greg Dean de Real Life Comics, ou Tycho e Gabe, de Penny Arcade em chats ou em um servidor qualquer de videogames multiplayer... Isto, para muitos fãs, é o equivalente de encontrar, digamos, o Jim Lee, e falar com ele sobre assuntos e gostos em comum.
As webcomics, contudo, têm uma característica que pode ser, para alguns, um grande problema: seus temas são bastante específicos. Em geral, são apenas “tiras” (é muito difícil ver webcomics fora do formato quatro-quadros-com-uma-piada-no-final) e falam de videogames, internet e assuntos “computadorísticos” em geral. Muitas também versam sobre outras facetas da cultura geek, como RPG ou filmes que estejam em voga, mas os temas geralmente associados às HQs de papel (super-heróis, terror, mistério) não têm muita vez neste mundo. O que traz proximidade do público (“ei, eles estão jogando o mesmo videogame que eu!”) também limita as situações e a linguagem, possivelmente afastando uma grande fatia deste público.
Mas o mais impressionante nas webcomics é mesmo o sucesso que algumas fazem. Já não é tão raro ver cartunistas na rede cuja única fonte de renda seja sua HQ, e as tiras continuam sendo de graça. Com o apoio de doações e propagandas nos sites, muitos destes artistas (que, em uma análise mais fria, certamente não seriam publicados na mídia impressa) conseguem viver dos quadrinhos, o que é uma façanha mesmo para quem é publicado por editoras grandes. Muitas vezes, a arte e mesmo o humor das webcomics deixa a desejar se comparado a outros profissionais das HQs, mas a identificação do público (e o fato de que ninguém tem que pagar para ler) tornam as tiras populares a ponto de possibilitar isto. E, falando francamente, para quem se identifica com os temas tratados, as webcomics são melhores do que a imensa maioria das tiras que vemos em jornais.
Já há outras iniciativas para diversificar mais os quadrinhos pela web, mas todas elas ainda estão em seus estágios iniciais. O genial Scott McCloud (autor do livro Desvendando os Quadrinhos) está desenvolvendo um projeto em que publica uma HQ na internet uma página por vez, e cada página custa alguns centavos para ser lida. No final, o custo de 22 páginas (o padrão para um gibi) acaba sendo quase o mesmo de uma HQ impressa, mas o leitor paga “em suaves prestações” e tem a opção de desistir caso não goste...
Por enquanto, existem webcomics grandes apenas em inglês (pelo menos até onde eu saiba). Embora algumas (e excelentes) iniciativas brazucas estejam por aí, ainda nenhuma alcançou uma projeção capaz de sustentar seus autores. Vamos a uma pequena lista de sites:
www.absurdnotions.org O cotidiano de um grupo de amigos, geralmente envolvido em assuntos “nerds”. No mesmo site, uma tira autobiográfica do autor.
www.avalonhigh.com A vida de estudantes canadenses de 2° grau. O que as séries de TV de “drama adolescente” seriam, caso não tivessem um pouco mais de humor.
www.kenzerco.com Knights of the Dinner Table, a excelente HQ sobre RPG, em versão online. Obrigatória para quem é fã do gênero.
www.penny-arcade.com Comentários ácidos sobre videogames. A linguagem tende a ficar “pesada” de tempos em tempos.
www.pvponline.com A webcomics mais bem-sucedida de todos os tempos. O autor Scott Kurtz, após uma matéria da revista Wizard americana, foi convidado a se juntar à Image Comics, e venceu a “barreira do papel”. A tira PVP continua grátis na web e tem agora uma versão em gibi mensal.
www.reallifecomics.com Simplesmente, a vida do autor Greg Dean com “um pouco” de fantasia em cima. Dean é idolatrado pelos fãs, o que prova que, em webcomics, o carisma às vezes importa mais que a qualidade...
www.sinfest.net Reflexões filosóficas, piadas sexuais e tudo o que é politicamente incorreto.
www.sluggy.com Uma história contínua e anárquica, envolvendo colelhinhos psicopatas, viagens ao inferno, nerds do mal e outras esquisitices. A arte deixa a desejar, mas a história é engraçadíssima.
www.megatokyo.com Um mangá na web, com elementos “shônen” e Shôjo” que se intercalam.
www.garotadpi.com A Garota DPI, uma webcomic brasileira! Não deixem de conferir.
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