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Primeiras impressões de uma futura Jedi
Por Mariana Zanini — Quinta, 20 de janeiro de 2005
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Domingo, 15 de janeiro de 2005, 1:15 da tarde. Ligo a televisão e, por incrível que pareça, há algo que desperta minha curiosidade no mundo bizarro da TV aberta: Star Wars - Episódio I: a Ameaça Fantasma. Muitos leitores agora podem sacudir os ombros e dizer: “Ah, e daí??”
Bem, não custa dizer que essa foi a minha primeira vez encarando algum episódio da série de Mr. George Lucas. É, isso mesmo: Star Wars existe há quase trinta anos e eu nunca havia assistido um filme sequer. Os motivos? Digamos que um pouco de desinteresse, mais um tanto de preguiça... e o fato de que também nunca fui chegada a estórias com naves, espaço e bla bla bla. Mas dessa vez, a curiosidade falou mais alto e tive que dar meu braço a torcer.
Há algum tempo, decidi assistir à série completa pra ver qual é a desse povo todo que faz reverência apenas ao ouvir os nomes "Jedi" ou "Darth Vader". Antes de me acomodar na poltrona, eu já conhecia praticamente todos os personagens, óbvio. Em toda aminha vida, não ouvir ao menos uma menção a qualquer um deles seria uma alienação completa! Uso até algumas das frases mais célebres corriqueiramente: “Que a Força esteja com você” ou “Venha para o lado negro da Força” já fazem parte do meu vocabulário cotidiano.
Por não acompanhar a saga, não sabia coisas básicas que qualquer pessoa com um mínimo de antena ligada tem na ponta da língua. Por exemplo: não fazia idéia que o fofo do Anakin se transformaria mais tarde no Darth Vader!! Ok, ok, foi engraçado, não? Pois é: a história toda está aí há um tempão e eu não sabia nem o motivo que justificava a nova trilogia. Me senti como Jim Carrey em Débi e Lóide, quando ele se surpreende ao ver a manchete do homem pisando na Lua. Coisas de uma garota deslocada.
Mas acho que justamente por essa minha ignorância, consegui assistir tudo como uma criança que vai ao cinema pela primeira vez (tudo bem, com uma pequena diferença na faixa etária, mas vá lá...). Depois de assistir à Ameaça Fantasma procurei algumas opiniões a respeito, e pelo que vi, os fãs da série abominaram os episódios mais recentes, que se concentram na vida de Anakin e procuram explicar como ele passou ao lado negro da Força (leia o relato de um sobrecarregado aqui).
Claro que comparado ao impacto que os primeiros filmes devem ter causado há anos atrás, o longa lançado em 1999 deve parecer balela. Assim como aconteceu aos irmãos Wachowski com Matrix Reloaded, que decepcionou fãs em todo o mundo, os novos capítulos de Star Wars foram uma jogada arriscada do diretor que há muitos anos revolucionou o cinema ao criar um universo futurista e toda uma mitologia capaz de angariar um público enorme. Mas nada que tenha anulado o meu encanto ao ver esse que é um dos últimos trabalhos de Lucas.
Meus olhos brilharam ao ver a primeira luta com os sabres de luz, que já tentei imitar tantas vezes com meu guarda-chuva. Também fiquei torcendo por Anakin (canalha...) na corrida de Tatooine, apesar de faltar um joystick pra aquela cena de videogame ali. A batalha final, a luta entre os Jedis e Darth Maul foram outros momentos que me fizeram cerrar os punhos e gritar: “Vai, isso!”.
Talvez eu tenha mesmo me empolgado demais começando a assitir a série na ordem mais maluca possível. Agora já me informei de tudo e sei que Obi-Wan vai ser mestre de Anakin, que se transforma em Darth e mata o mestre, que antes de virar vilão ele se arruma com a Rainha e se torna pai de Luke, que é o último Jedi. Entendi o que é a tal da Força, vi que o Yoda tudo ao contrário fala (e não é um dedo polegar, como aparece em uma sátira no desenho Animaniacs) e que o simpático R2-D2 se parece com um aspirador de pó. Resultado: tirando aquela coisa do Jar-Jar, achei o filme muito bom. Mesmo.
Minha próxima missão é assistir aos episódios antigos (Uma Nova Esperança, O Retorno de Jedi e O império contra-ataca) e depois ao Ataque dos Clones, para conferir se realmente George Lucas anda mal das pernas atualmente em comparação às suas produções passadas. Independentemente da minha conclusão, em maio estarei no cinema para aplaudir ou jogar pipoca na telona, assistindo à estréia do Episódio III.
Depois de tudo isso, quando crescer quero ser uma Jedi. E podem me chamar de Tzlana Midtor.
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