Faltou a luta na lama
É verdade que uma das poucas coisas que se salvam em Demolidor é a presença de Elektra. Bonita e simpática, Jennifer Garner até que se esforçou pra dar alguma luz à aventura, protagonizada por Ben Affleck, o cara que atua com o queixo, o "italianíssimo" chefão da máfia Michael Clarke Duncan, e Colin Farrel, o ator mais superexposto dos últimos anos. Pois é, a miscelânea ficou tão "mais ou menos" que, antes de investir em uma continuação, resolveram fazer um longa só com a mocinha/vilã da história.
Não há dúvidas de que Elektra é uma grande personagem dos quadrinhos, sendo até mais interessante que o melancólico "homem sem medo". E, assim como nas HQs, aproveitaram a história da sua ressurreição para construir toda a trama. Infelizmente, era melhor tê-la deixado no mundo dos mortos. E com muitas pedras em cima, para garantir que ela não voltasse!
O filme já começa fraco: na tentativa de fazer com que o espectador sinta desde o início o poder da ninja assassina, uma futura vítima descreve a rapidez com que ela destrói seus oponentes, levando sempre de dez a quinze minutos para derrotar um bando de capangas sedentos de sangue. Isso é o que ele diz, já que na prática ela só apanha.
Tudo bem, não vou ser injusto. Ela bate também, o que garante mais momentos "brilhantes". Como nos melhores filmes de luta da Sessão da Tarde, a heroína toma porrada de tudo e de todos e, de uma hora pra outra, termina a luta. Vilões que durante toda a trama pareciam indestrutíveis, são derrotados sem mais nem menos, o que leva à pergunta: se era tão fácil assim, por que não os matou antes?

Os inimigos de Elektra, aliás, são um caso à parte. A gangue do Tentáculo é uma mistura de
Mortal Kombat com
A Hora do Espanto 2, aquele filme onde uma vampirona sexy queria vingar a morte do irmão e contava com a ajuda dos seres mais bizarros. Cada vilão tem superpoderes diferentes e inúteis, que só servem pra mostrar os fracos efeitos visuais. Aliás, eles são ótimos para encobrir as fracas lutas. Em dado momento dos duelos, a pirotecnia digital é tamanha que fica difícil saber o que está acontecendo. Talvez seja até melhor assim.

O tão esperado beijo entre Mary Typhoid e Elektra é ótimo... para rir. Só não é melhor que o confronto final entre as duas. A ninja assassina, pronta para a guerra, veste seu colete vermelho brilhante, bota o batom vermelho, faz aquele beicinho no melhor estilo "Angelina Jolie" e completa o visual com uma sombra azul. Mary Typhoid é uma espécie de Victoria Beckham mais cafona. Cabelão esvoaçante, roupa de couro colante e longas unhas coloridas. Quando as duas começam a se enfrentar, dá pra jurar que estamos assistindo a alguma disputa por ponto de trabalho em algum beco boêmio da cidade. Só faltaram as unhadas e as puxadas de cabelo.
Como não poderia faltar, Elektra tem seus aliados. Começando pelo samurai cego interpretado por Terence Stamp, que é uma imitação mal-sucedida do clássico personagem japonês Zatoichi. Além dele, há o par romântico, vivido por
Goran Visnjic, o Dr. Luka Kovac de
E.R. Para completar, a esvoaçante ninja arruma como melhor amiga uma garota de 13 anos. A empatia entre as duas é comovente. Em alguns momentos parece que estamos assistindo a algum filme da Britney Spears.
Existem produções que não se propõem a muita coisa e acabam surpreendendo, tornando válida a assistida. Há também aquelas películas que, de tão equivocadas, merecem a espiada, nem que seja para rir. Elektra não se encaixa nos padrões acima. É daqueles filmes que não se assiste, não se recomenda, e não se diz que viu. Que "as mesmas forças que trouxeram
X-Men" não se rendam novamente ao lucro fácil, e da próxima vez venham com algo que preste.