Demorou, mas finalmente consegui encontrar uma série para me viciar. Desde o fim de seriados que submeteram-me à disciplina de umas 3 horas semanais frente à TV por 5 anos ou mais, como
Friends,
Dawson’s Creek e
Sex and the City (esse um pouco menos), não encontrava um outro programa com capacidade de persuasão comparável. Tentei
I’m with her, mas foi cancelado. O mesmo aconteceu com
Miss match e, embora tentasse, nunca acertei o horário de
Joan of arcadia. Estava quase desistindo quando o Sony anunciou a estréia de
Desperate Housewives.

Descobrir que a série estava em segundo lugar de audiência nos Estados Unidos foi um alívio. Finalmente um show que conseguia unir a preferência popular (nomeação ao
People’s Choice Awards), a "acadêmica" (
O Globo de Ouro) e a dos próprios profissionais do ramo (
Screen Actors Guild (SAG) Awards).
Na escolha popular, as donas-de-casa superpoderosas foram as favoritas no quesito melhor nova série dramática. Para os jurados do Globo de Ouro, o programa não tem nada de drama, é comédia; não apenas mais um do estilo, é o melhor deles. Embora eu fosse fã de Lois Lane, não pude deixar de manifestar minha simpatia e preferência pela candidata à melhor atriz
Márcia Crossman (a patologicamente perfeita dona-de-casa
Bree Van De Camp). Contudo, o júri dourado achou que
Teri Hatcher merecia o prêmio pela performance como
Susan Mayer, a divorciada com um “que” de Bridget Jones.
Embora tenha perdido o Peoples’s Choice, tive que assistir à prévia do Oscar, como também é conhecido o Globo de Ouro. Talvez por inocência de achar que o prêmio é justo e honesto ou talvez apenas por futilidade, todo ano fico acordada até altas horas da madrugada, sempre aos domingos (nenhum dia podia ser pior), para assistir ao Golden Globe. De qualquer maneira é legal, coisa de imprensa, ter em primeira mão o discurso do idealizador do programa
Marc Cherry, para descobrir que a idéia principal do show foi da mãe dele. Pensando bem, enredo típico de imaginação materna: donas-de-casa que sofrem por não se sentirem tão valorizadas quanto deveriam.

A história se passa em uma pequena vila onde todas as famílias são aparentemente felizes, hipótese que é derrubada já no início do primeiro episódio com o suicídio de uma das donas-de-casa. Daí por diante, a trama gira em torno da causa da morte de
Mary Alice (
Brenda Strong), e é ela mesma que vai dando-nos pistas para desvendar o mistério. Enquanto isso, Mary Alice mostra como aquelas pessoas não são tão felizes quanto aparentam ser. Por aí percebemos que a intenção não é criar mais famílias ideais, daquelas que, paradoxalmente, só se vê na TV, mas sim exibir as complexidades que toda família apresenta: seus segredos, mentiras, problemas e conflitos.
O suspense que cerca cada episódio prende o telespectador à espera do próximo. Já circula por aí o buxixo que mais um(a) personagem vai morrer, quem visita o site oficial da
ABC e seus messages boards já deve saber de quem se trata, uma vez que o episódio já foi ao ar lá fora. Série em evidência, reconhecimento nos tapetes vermelhos da mídia, atores (ou melhor, atrizes) famosas, mas...eis a pergunta que não quer calar: o que vai ser do programa quando o mistério for desvendado? Isso é assunto para a segunda temporada. ¤