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Nós vimos II: Desventuras em Série
Por Marcelo Tavela — Terça, 18 de janeiro de 2005
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As crianças estão bem
Desventuras em Série (no original, Lemony Snicker's A Series Of Unfortunate Events) tem Jim Carrey. Você fica sabendo disso antes mesmo de saber o nome do filme, pelo cartaz. Parece o melhor que há a oferecer. Ledo engano. Apesar de muito bem na caracterização do vilão Conde Olaf, Carrey, mais uma vez, exagera nos trejeitos e caretas. Ainda bem que o filme parece perceber isto, joga Carrey pra lá e dá espaço para o que realmente tem de bom.
Desventuras… é a adaptação dos três primeiros de treze volumes da série escrita por Daniel Handler, narrada por um imaginário (?) Lemony Snicket e alardeada como primeiro livro a desbancar Harry Potter da lista de best sellers infantis do New York Times. E o clima da adaptação é o primeiro trunfo do filme, criando uma atmosfera propícia para a fantasia das histórias infantis. Tudo foi criado em estúdio, com algumas pinceladas expressionistas que assombram, mas não exageram. Os figurinos e caracterizações vão pelo mesmo caminho. Os efeitos especiais só pontuam, como têm que ser. Lembra alguns momentos de Tim Burton, como A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça. Ponto para a equipe de direção de arte.
O outro trunfo são as crianças. De forma contida, mas ainda assim natural, se encaixam no clima e conduzem muito bem o filme. Violet (Emily Browning, promissora), Klaus (Liam Aiken, o filho de Tom Hanks em Estrada para Perdição) e a caçula Sunny (as gêmeas Kara e Shelby Hoffman) compõem os Irmãos Baudelaire, cada um com seu dom especial, e que repentinamente tornam-se órfãos, tendo a tutela – e o direito à herança – transferidos para seu tio de terceiro ou quarto grau, Conde Olaf.
Aos poucos, o filme vai conquistando até os mais mal humorados, com situações inusitadas, conspirações secretas, construções góticas, Meryl Streep e algumas participações especiais de luxo – descubra, eu é que não serei o estraga-prazeres de contar. Outro ponto para subir conceito é a paixão e incentivo aos livros que o filme dá, tanto no dom de Klaus como nas referências – além dos Baudelaire, há ainda um certo Sr. Poe.
Desventuras… deve receber classificação livre, mas fica a ressalva que algumas cenas mais sombrias podem assustar os menores. Vêm se juntar a alguns bons filmes ditos infantis mas que servem a todos. Como diria o The Who, as crianças estão bem. ¤
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