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"I will Will!" - Divagações sobre o Mestre
Por Eloyr Pacheco — Quarta, 12 de janeiro de 2005
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Segunda-feira passada estive visitando o Moya (Álvaro de Moya). No dia em que Will Eisner faleceu, Moya estava internado para ser submetido a uma cirurgia na vesícula, adiada devido ao ataque cardíaco que sofreu recentemente. Ele ficou sabendo abruptamente da morte de seu grande amigo através de uma ligação telefônica que recebeu de um jornalista que gostaria de obter um depoimento. Sempre irônico e com um repertório recheado de frases de efeito, comentou: "Se eu também morrer, vão dizer que eu era tão fã dele (Eisner) que quis ir junto com ele!".
Em 1994, na Escola Pan-Americana de Arte, encontrei com Moya e Eisner no corredor. A figura paterna e agigantada de Eisner me melindrou. Interpelei ao Moya se não ficaria chato eu pedir um autógrafo ali no corredor. Moya pegou a minha edição de Um Contrato com Deus e pediu para o Will autografar para mim. Eisner, ao ver a edição, fez um comentário típico dos autores humildes: "Ah?! Então foi você que comprou o único exemplar vendido?!" Só consegui responder com um sorriso amarelo. O que dizer para "um monstro sagrado" que tem esse tipo de atitude. Um muito obrigado foi o que me restou balbuciar, e sai feliz com o meu exemplar de Um Contrato com Deus.
Certa vez eu, o Moya e Leão Azulay (proprietário da Metal Pesado Editora) ligamos para Will Eisner. No viva voz, como era comum nos comunicarmos quando tínhamos assuntos editoriais para resolver, Leão perguntou se era o Will quem havia atendido. Do outro lado respondeu: "I will Will!". A frase de Eisner, embora aparentemente apenas uma brincadeira inocente, guarda em si uma metáfora que se aplica para qualquer um de nós e para a vida toda. Só os mais velhos talvez possam entendê-la em sua plenitude. Para mim essa frase de Eisner é mais um exemplo de humildade, reflete um artista que está sempre pensando em fazer, produzir, empreender, ser...
Lembro-me claramente como organizei a revista Will Eisner's Spirit Magazine #1, publicada pela Metal Pesado em outubro de 1997. Fui eu que lembrei ao Moya das entrevistas geniais que Eisner fazia e acabamos escolhendo o bate-papo com Jack Kirby, outro gigante dos quadrinhos, publicado originalmente na edição homônima de número 39 em fevereiro de 1982. Moya pediu que na seleção das histórias do Spirit fosse incluída O Arqueiro Negro, a primeira HQ de "O Espírito" que ele havia lido. Por isso coloquei O Arqueiro Negro abrindo a edição.
Na época Moya havia reservado a preferência para a publicação de Dropsie Avenue e Graphic Storytelling e, antecipadamente, de The Spirit: The New Adventures (que só viria ser publicado a partir de março de 1998). E eles estavam dispostos a fazer um concurso para que os leitores de Spirit concorressem a um original de Eisner. Que projeto!
Infelizmente, por inúmeros motivos, Will Eisner's Spirit Magazine não passou do número 1.
Remexendo em minha coleção para escrever esta coluna, revi as edições da NG Editorial de Spirit publicadas em 1987/88, onde artistas brasileiros também renderam homenagem ao criador do termo graphic novel. A edição número 1 tem cores de Spacca; a número 2 foi criada por Moya; a número 3 tem arte de Luiz Gustavo; a número 4 é de Libero Malavoglia; a número 5 é de Alain Voss e a número 6 é de Octavio Cariello.
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 Grandes artistas americanos já haviam homenageado Eisner em 1981 em The Spirit Magazine número 30, republicado em 1998 pela Kitchen Sink Press. Neste Spirit Jam, temos no total 50 artistas, entre eles, citando apenas uns poucos, John Byrne, Bill Sienkiewicz, Denny O'Neil, Frank Miller e Brian Bolland.
Também soube da morte do grande mestre das Histórias em Quadrinhos sem nenhuma preparação para receber a notícia. Olhando para a minha coleção onde meticulosamente as obras de Eisner estão reunidas, disse para o Humberto ( Yashima): "Como que ele morreu... veja a obra dele!".
É isso aí! Tchau e até a próxima. ¤
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