Fruto da fértil parceira entre Pixar e Disney,
Os Incríveis chega conquistando bilheterias e platéias. Não é à toa. Pela primeira vez, os dois estúdios perceberam que a franquia de super-heróis (que rende um generoso quinhão no universo das animações há anos) pode render um bom filme. Mesmo que sejam com personagens totalmente novos e independentes da velha turma clássica dos quadrinhos.

Tudo começa em um mundo onde os super-heróis foram proibidos de existir quando o
Senhor Incrível salvou um suicida que não queria ser salvo. Uma situação parecida com o universo da saga
Watchmen, concebida por Alan Moore. Proibido de atuar, o Senhor Incrível disfarça-se em um pai de família comum, junto com sua esposa, a
Mulher-Elástica e seus três filhos:
Flecha (com esse nome, vocês já imaginam o que ele pode fazer, certo?),
Violeta, capaz de ficar invisível e gerar campos de força violetas (humm... Onde foi que já vi esse conjunto de poderes antes?), e o pequeno
Zezé (Jack, no original em inglês), o único membro sem poderes da família.
Falar sobre a qualidade gráfica da animação é perder tempo. É impressionante como os personagens são absolutamente expressivos e naturais em seu universo e como os cenários convencem o tempo todo. Mesmo que se trate de um quartel-general super tecnológico ou uma rua congelada. Na verdade, a maior polêmica do longa-metragem é o seu roteiro.
Há algum tempo, produtores de animação perceberam que tão importantes quanto as crianças que iam ao cinema, eram seus pais e os (zilhões) de adolescentes que cresceram vendo desenho animado. Daí para frente o grande desafio dos roteiristas sempre foi criar histórias que agradassem a todos os públicos. E não pense que isso é fácil. Só para citar um exemplo,
O Rei Leão é um dos melhores roteiros do gênero que traz a característica mais importante para este filão: a simplicidade. E de lá pra cá, poucas animações conseguiram manter a mesma qualidade.
O problema de
Os Incríveis está em que ele não consegue agradar a todos os gostos. O público infantil não vai entender ironias como o suicida que não quer ser salvo, o contraste entre o clássico e o moderno incorporado no Senhor Incrível e no Síndrome (aliás, isso é quase uma referência à saga em quadrinhos
O Reino do Amanhã de Mark Waid). As tramas são mirabolantes demais (
menino-que-não-consegue-se-tornar-parceiro-mirim-de-seu-maior-herói-tenta-se-vingar-criando-uma-conspiração-para-matar-todos-os-heróis-para-se-tornar-o-único) ou voltadas apenas para adolescentes (repare que enquanto Violeta tem seus dramas existenciais, Flash mal comenta sobre seus problemas na escola).
O resultado?
Os Incríveis é uma
ótima animação. Mas, seu filho ou irmão menor (ou em casos mais graves: seu neto) vai gostar e entender menos do que você. Em compensação, nós adultos fãs de animação queremos ver
Os Incríveis 2... E logo! ¤
X-TUDO