Caçador caçado
O caçador de vampiros
Blade surgiu como um personagem secundário nas HQs de Drácula publicadas pela
Marvel Comics durante os anos 1970. Criado por
Marv Wolfman e
Gene Colan, Blade estreou na revista
The Tomb of Dracula #10, publicada nas Estados Unidos em julho de 1973.
Apesar do sucesso de suas revistas, a Marvel nunca tinha conseguido êxito nas adaptações de seus personagens para o cinema. Longas-metragens como
Capitão América (1991 – filme que foi lançado diretamente em vídeo, inclusive no Brasil) e
Quarteto Fantástico (1994 - produção que foi “engavetada”, mas que é conhecida por muitos fãs de HQs através de vídeos que circulavam nas convenções de quadrinhos americanas) estão na lista das “bombas” produzidas durante os anos 1990.
Blade - O Caçador de Vampiros (
Blade, 1998) foi o primeiro filme da Marvel que fez sucesso, após vários anos de aparente domínio das adaptações da DC Comics (
Superman,
Batman) no cinema. O ritmo acelerado da produção – cortesia do diretor
Stephen Norrington – cativou o público, fazendo com que o filme arrecadasse mais de 130 milhões de dólares nas bilheterias do mundo todo. Alguns anos depois, Norrington foi escalado para dirigir
A Liga Extraordinária (
The League of Extraordinary Gentlemen, 2003), a problemática adaptação da HQ de Alan Moore. Desentendimentos entre o diretor e o astro e produtor do filme,
Sean Connery, tornaram o clima das filmagens insuportável – o que provavelmente fez com que várias seqüências ficassem longe do resultado esperado (além de haver outros graves problemas no roteiro).
O assustador
Blade II (
Blade II, 2002) contou com muita ação e o elaborado visual do diretor
Guillermo Del Toro, um assumido fã de HQs. A bilheteria mundial da produção ultrapassou os 155 milhões de dólares. Del Toro foi convidado para dirigir a terceira aventura de Blade, mas não aceitou porque
Hellboy (2004), o projeto que há muito tempo ele queria levar aos cinemas, recebeu luz verde para ser produzido.
Sem dúvida, um dos responsáveis pelo sucesso do exterminador de vampiros no cinema foi o roteirista
David S. Goyer. Goyer roteirizou os três filmes de Blade, o telefilme
Nick Fury (1998) e co-escreveu o aguardadíssimo
Batman Begins (2005). O roteirista parece estar se tornando um “especialista” em adaptações de HQs, pois está envolvido nas produções dos filmes do Motoqueiro Fantasma e do Flash (como foi noticiado
aqui mesmo no
SoBReCarGa). Sua estréia como diretor foi em
Conduta Ilegal (
ZigZag, 2002), uma produção menor que também teve o roteiro assinado por ele.
Blade – Trinity (
Blade – Trinity, 2004) foi a primeira grande produção dirigida por Goyer, que precisou lidar pela primeira vez com cenas de ação e efeitos especiais em grande escala, além da direção de atores – o que explica a falta de ritmo do filme em alguns momentos.
Em
Blade – Trinity, Drácula – o vampiro original que agora é chamado Drake (
Dominic Purcell) – é ressuscitado pela comunidade dos vampiros para eliminar seu mais implacável inimigo: Blade (
Wesley Snipes). O caçador de vampiros cai em uma cilada armada pelas criaturas da noite e passa a ser perseguido pelo FBI. Em pouco tempo, o esconderijo que ele e Abraham Whistler (
Kris Kristofferson) utilizam como base de operações é descoberto pelos agentes do governo, o que faz com que Blade precise da ajuda de um grupo de humanos que se dedica ao extermínio dos sugadores de sangue: os Notívagos (péssima tradução do nome original,
Nightstalkers, que ficaria melhor se adaptado para algo como “Caçadores Noturnos”...).
Hannibal King (
Ryan Reynolds) e a filha de Whistler, Abigail (a bela
Jessica Biel), auxiliam Blade nos confrontos com o poderoso Drake e Danica Talos (
Parker Posey), que planejam um terrível destino para a humanidade. King, outro personagem trazido das HQs, serve como “alívio cômico” do filme, fazendo algumas piadas hilariantes em momentos de tensão.
Blade – Trinity, apesar de seus defeitos, decorrentes da falta de experiência de seu diretor e de um ator pouco carismático para o papel de Drake (Dominic Purcell funcionava bem na série de TV
John Doe, mas não consegue ser assustador no papel do primeiro dos vampiros), consegue proporcionar, com o bom roteiro e ótimas cenas de luta, momentos de boa diversão. O site
Dread Central colocou no ar uma foto do final alternativo do filme, que deve ser incluído no DVD americano. Se você estiver curioso (e já tiver assistido o filme, claro), veja a imagem
aqui.