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Blade - Trinity: lugar de criança é na escola...
Por Marcelo Del Debbio — Segunda, 27 de dezembro de 2004
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Olá crianças,
Segunda-feira passada fui assistir à cabine de Blade - Trinity e quase que mando este texto para a sessão “Nós vimos”, mas decidi esperar um pouco para ver se algum outro colunista assumiria esse mico. Como nenhum deles fez, sou obrigado a escrever uma resenha sobre o filme, mas aproveitarei a deixa para começar a campanha “lugar de criança em Hollywood é na escola, e não dando palpite no roteiro de filmes”.
O trailer de Blade: Trinity parecia bacana (o SoBReCarGa já falou sobre este filme aqui e aqui), falava sobre a origem dos vampiros, o Drácula, uma armadura bacana e mostrava algumas cenas legais de pancadaria; como e eu havia gostado bastante das duas primeiras partes (que são muito boas), então fui empolgado para sessão.
E acaba por aí...
Eu não acredito que alguém teve as manhas de fazer um filme desses. E olha que eu geralmente pego leve nas bombas, sempre tentando encontrar um lado positivo para tudo ou uma desculpa para falar bem do filme...
Vou citar algumas das cenas pitorescas e você me diz se eu estou certo ou errado:
- O Drácula é o Dominic Purcell (o John Doe da série da Fox), com corte de cabelos franjinha, no papel do vampiro de 4.000 anos mais banana que o mundo do cinema já conheceu. Deus! Como é que ninguém percebeu que o cara não tinha absolutamente NADA a ver com o papel? Ele tem as falas mais toscas, as atitudes mais infantis e as idéias mais pamonhas de todos os vampiros da trama, tudo isso vestindo uma roupa de dançarino de bar gay. E dá pra perceber que não é culpa do ator... nem ele acredita no que está fazendo ali.
- O líder dos mocinhos é o Ryan Reynolds (Van Wilder de O Dono da Festa), ator de comédias que passa o tempo todo fazendo piadas de peido do naipe “eu comi alho no almoço e estou soltando uns... silenciosos, mas mortais...”. A cada cinco minutos ele quebra o clima de terror/ ação do filme para fazer alguma piada sem graça de sitcom.
- A hacker-cega que bola os antídotos e antivírus para o grupo é totalmente sem pé nem cabeça... não é que eu queira ser politicamente incorreto ou algo assim, mas alguém poderia me explicar como é que uma pessoa cega pode hackear computadores do governo, desenvolver engenharia genética vampírica, projetar antídotos para Blade e seus amigos SOZINHA? Além dela, os outros ajudantes são tão inexpressivos que eu nem lembro os nomes deles.
- Nos outros filmes, é dito que Blade consegue sentir o cheiro de um vampiro e identificá-los imediatamente (e isso é até mesmo crucial em um ponto do segundo filme!) mas no início do filme, Blade mata um humano por acidente pensando que o cara era vampiro, mesmo depois de uma luta corporal contra o mesmo... será que os roteiristas poderiam pelo menos assistir aos filmes anteriores antes de escreverem?
- O grupo de vampiros é impagável: A líder, Danica Talos (Parker Posey), com cabelos “Quem-Vai-Ficar-com-Mary” e roupas góticas anos 80, Jarko Greenwood (Paul Michael Levesque), um lutador de luta-livre que é a cara do dentes de sabre dos X-men e Wolfe (Paul Anthony), dono do lulu-da-pomerânia-vampiro (sim, você leu direito...)
- Os caçadores enfrentam um lulu-da-pomerânia-vampiro (sim, eu estou falando sério...)
E por aí vai... não posso falar mais sem revelar uns spoilers, mas pode confiar em mim. Fica pior...
O meu maior medo - e grande - vem do fato que a criatura que escreveu este filme, David S. Goyer, também foi responsável pelo roteiro de Batman Begins e isso pode acabar de uma vez por todas com a lenda do morcego, já tão aloprada nos últimos dois filmes...
Mas eu acredito que não deve ser culpa dele, mas sim da criança de cinco anos que ficou dando palpites no roteiro o tempo todo. Não vejo outra explicação para isso.
Em tempo: as lutas são boas e a trilha sonora é legal, mas isso não salva o filme. Se você está a fim de arriscar, faça por sua conta e risco. ¤
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