|
De olhos bem abertos – Parte 2
Por Tiago Cordeiro — Terça, 21 de dezembro de 2004
|
|
Bem-vindo ao Sobrecarga, seu destino para as principais matérias sobre Filmes, Séries, Quadrinhos, Música e muito mais... se você puder agüentar!
Use a barra superior do site para navegar entre os assuntos e confira, no final de cada texto, outras matérias relacionadas ao assunto.
Na barra lateral do site você encontra sempre boas ofertas de produtos relacionados ao universo pop, ajude o site visitando nossos patrocinadores.
Volte sempre!
|
 A primeira vantagem do mangá em relação ao gênero unlimited series está no fato cabal do quadrinho japonês ter um fim. O que pode parecer uma obviedade sem importância, se explica pelo desgaste que os personagens dos quadrinhos norte-americanos sofrem ao longo de suas décadas de existência.
Enquanto Akira, Cavaleiros do Zodíaco, Evangelion e outras histórias atraíam inúmeros novos leitores, o Homem-aranha descobria que era um clone, mas na verdade não era; o Super-homem morria, mas na verdade não morria e o Batman ficava paraplégico, mas depois andaria. Deu para perceber onde quero chegar? Enquanto leitores vão se enchendo cada vez mais de personagens cada vez mais repetitivos, o mangá se reinventa com personagens sempre novos e atraentes.
É fato que as limitações editoriais, somadas a idade dos personagens tira o ar de novidade de certos quadrinhos. O mangá surge como uma linguagem carregada pela originalidade não apenas na forma de se desenhar, mas também nos seus personagens que encontram seu fim.
 O grande problema é que esse sucesso do mangá fez a linguagem japonesa se tornar uma “Hollywood japonesa”. Se a indústria de filmes norte-americana é um constante perigo de monopólio por sua força, o estilo japonês chega a outros países. Não é raro, heróis receberem suas versões mangá (Homem-aranha, Vingadores e X-men já passaram por isso) e em outros países, a linguagem predomina sobre o quadrinho nacional.
O momento do quadrinho nacional não é novidade: está uma droga! Salvo renomados artistas nacionais como o sensacional Laerte, não há muito espaço para novos artistas. Nesse cenário, a maioria das novas produções flertam, ou melhor, usam e abusam do mangá. Nada contra a linguagem japonesa, como afirmei na coluna anterior, mas é preocupante que não exista uma iniciativa própria de linguagem nacional. Que não haja uma geração menos preocupada em enxergar o que se desenha lá fora (seja no Japão, EUA, Mongólia ou qualquer outro lugar) do que no que só se pode desenhar aqui dentro.
Assim como na extinta Vera Cruz (produtora de filmes brasileira que tentava produzir filmes dentro do padrão Hollywoodiano, faliu no início da década de 60), o mangá não vai vingar para sempre. Tão importante quanto o cinema brasileiro, o quadrinho tupiniquim também carece de mais produtividade. Que todos fiquem bem atentos à diferença de um quadrinho japonês feito no Brasil e um quadrinho realmente brasileiro. Mesmo que seja de olhos bem abertos.
|