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Rod Reis: um profissional de muitos tons
Rod Reis é um dos coloristas mais promenientes do mercado nacional. Seus trabalhos podem ser acompanhados desde a
Godless, passando por
Blue Fighter,
Mortal Combat,
Victory e
Holy Avenger. Além de seus trabalhos internacionais na
Razorjack do John Higgins,
Dragonlance: Legend of Huma, na
Variance com seu amigo
Sam hart e agora no título
Starship Troopers, novamente fazendo dupla com Hart.
SoBReCarGa - Bom, Rod, vamos começar sua entrevista de uma forma diferente, ou seja, do fim para o começo. Como está sendo seu trabalho junto ao pessoal da animação Holy Avenger? E você cuida da colorização como um todo?
Rodrigo Reis - Está bem no começo ainda, eu fiz os cenários da abertura e agora vou começar a fazer o cenário do primeiro episódio, mas está bem legal, é diferente de trabalhar com quadrinhos, e talvez mais trabalhoso, porque serão muitos cenários. Sou responsável pela pintura dos cenários, que não são poucos. Digo pinturas, porque utilizo as referências de outros animes onde essa técnica é muito bem trabalhada.
E de onde tira essas referências?
De animes que eu gosto e de artistas q fazem arte conceitual para filmes, que tem bastante cenário pintado. De Hayao Miyazaki (
A Viagem de Chihiro) e do Craig Mullins (
Final Fantasy) a Dusso e Ryan Church, ambos podem ser visto nos conceitos dos novos Star Wars , artistas que fazem bastante cenário para filmes.
É interessante que você desenvolve um trabalho que muitos jovens não imaginam a importância, ou seja, o do colorista. Afinal todo mundo quer ser "O" desenhista. O que você poderia dizer sobre sua escolha profissional?
Eu também queria ser o desenhista, mas eu comecei a desenvolver interesse por colorização e estudar, e em certo momento isso tomou uma dimensão maior q o meu desejo por desenhar quadrinhos, preferi focar em cor e me especializar. Acho que eu não seria um desenhista de quadrinhos tão bom quanto sou como colorista. Mas ainda desenho algo como ilustrador de RPG.
Novamente aparece o mercado de RPG como um canalizador para os artistas nacionais. Qual sua experiência nesse campo? E você o vê como um espaço para novos talentos surgirem?
O mercado de RPG é uma boa janela pro pessoal mostrar seu trabalho, é um mercado q está em crescimento e sempre vão precisar de bons ilustradores. E trabalho na
Dragão Brasil desde que eu comecei, com a revista Godless, publicada por eles.
E daí para trabalhar com as outras editoras foi rápido? Comente estes outros trabalhos.
É importante sempre fazer contato com outras editoras, para ter um leque maior de possibilidades de trabalho. E quando se fala de livros de RPG é fácil conhecer outros editores, principalmente nas convenções. Já fiz ilustrações e capas tanto para a Editora Daemon quanto para a Manticora na
D20 Saga.
Parece que você está colorindo a revista Starship Troopers que sairá pela a Moongose. Como é trabalhar para fora?
A melhor parte é receber em dólar! Acabei de entregar a revista
Starship Troopers, onde eu pintei o traço do Sam Hart. Acho que o mais importante para se trabalhar pra fora é ter um contato que te dê confiança pra trabalhar - no caso do
ST, o Sam foi para Inglaterra e fez o contato, e mesmo aqui, sempre houve muita transparência entre nós e a editora lá. Quando fiz a revista
Dragonlance: Legend of Huma (
Devil´s Due), também tive bastante confiança no trabalho da Art&Comics, através do Joe Prado que faz os contatos com os editores americanos.
Essa parceria Reis e Hart parece que já acontece a algum tempo. Como começou?
Quando fomos dividir o mesmo apartamento, ele havia pegado uma revista do John Higgins pra colorir e me chamou pra ajudar, depois de um tempo nós fizemos uma história de 8 páginas pra
D20 Saga, ele desenhando e eu pintando, que todo mundo gostou, inclusive o pessoal da revista
Super Interessante, que chamou a gente pra fazer umas ilustrações nesse estilo. Esse trabalho também rendeu a oportunidade de fazer a revista
Starship Troopers.
Deixa me esclarecer só uma coisa. Você é auto didata, ou seja, chegou onde chegou desenvolvendo sua própria técnica?
Sim, mas eu não aconselho. Porque você percorre um caminho muito mais longo para desenvolver seu estilo e sua técnica. Quando comecei não havia cursos de colorização digital, por isso tive q estudar por conta própria, mas hoje já existem cursos bons. Mas só o curso não adianta, tem que ter dedicação e talento.
E aí! O Rod Reis esconde algum projeto pessoal, por exemplo, um HQ ou algo do gênero?
Infelizmente não, ando muito ocupado com as revistas que não tenho tempo pra desenvolver algo meu. E não acho q eu vá ter tempo pra fazer algo nesse sentido, mas me contento em colorir os projetos legais dos outros.
No caso da Victory, que agora é feita lá fora, você chegou a participar desse novo processo? Ou foi tudo feito por lá?
Eu, o Riamonde e o Vazzios recolorimos a primeira mini-série, que foi redesenhada pelo Edu Francisco.
O que você acha de um título nacional chegar lá fora, assim como a Victory? Outros que estão conseguindo mandar seu trabalho autoral são os Gêmeos. Seria isso uma mostra de existe possibilidade de finalmente existir um mercado brasileiro feito por brasileiros?
Claro que existe, o que falta é iniciativa dos artistas e das editoras para quebrar essa barreira, existem mil formas de se construir o mercado, o Marcelo Cassaro conseguiu, os Gêmeos, Fábio Yabu, o Marcelo Campos com os álbuns do Quebra-Queixo... Todos eles mostram que é possível, sim. Mas dá pra ter muito mais coisa, por isso é importante o pessoal produzir suas histórias.
Além desses trabalhos que você citou, o mercado de animação mostra sinais de aquecimento, voltamos um pouco a entrevista, afinal falamos do desenho da Holy algumas perguntas acima. Tudo indica que se essa safra nova de artistas, produtores e editores encararem o trabalho de frente, assim existe uma boa chance dessa boa fase durar. Qual a sua opinião?
É o melhor momento pra se fazer animação no Brasil, temos bons animadores aqui, e a hora de produzir é essa. É nisso que o pessoal que está produzindo a série da
Holy Avenger aposta.
Você já trabalhou colorindo comics e revista no estilo mangá. Como profissional e leitor, você acha que esta "invasão" de revistas orientais veio suplantar o mercado ou alavancar o mercado?
Foi uma febre sabiamente aproveitada pelas Editoras. O Cassaro foi muito esperto juntando RPG e Mangá pra lançar as revistas. Essa foi uma fórmula que deu certo, e dá certo até hoje, para se alavancar um mercado fraco como o daqui. É necessário que cada editora ache seu nicho de acordo com o que quer lançar.
Suas considerações finais...
Vamos parar de perguntar os porquês de não se fazer quadrinhos no Brasil e começar a FAZER, existe muitas maneiras de mostrar seu trabalho, fanzines, internet, convenções, lançamentos. Para quem quer ser colorista, o negócio é ter sempre um portifólio profissional a mão, e mostrar seu trabalho, existem muitos coloristas bons, e com certeza aparecerão trabalhos para quem correr atrás. ¤