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Árvore Genealógica de uma Máscara
Por Édnei Pedroso — Segunda, 13 de dezembro de 2004
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As vésperas da chegada de O Filho do Máskara nos cinemas gringos (18 de Fevereiro de 2005), não poderia deixar de enumerar seu antecessor, nesta coluna, como um dos filmes mais importantes do ano de 94.
Quando O Máskara passou por aqui, foi aquele frissom danado. Além da famosa fila que virava quarteirões, outra imagem que me vem à cabeça, naquela época, é a do pessoal sentado nos corredores da sala escura (por falta de assentos, todos ocupados), cena que só voltaria a ver anos mais tarde, numa sessão de Titanic.
Mas quem era o Máskara afinal?
O personagem já existia nas HQs alternativas americanas (um pouco mais inclinadas para o terror do que para a comédia), então não era conhecido do grande público. O filme em si tinha um roteiro simples e uma premissa estranha (se for para resumir em uma única frase tosca, fica “sujeito desajeitado encontra máscara e fica maluco”), além de um orçamento barato para aquela época (US$ 18 milhões). Nada muito inovador a não ser por três detalhes que fizeram a diferença e mudaram para sempre a velha máquina.
Primeiro detalhe: o canadense de feições estranhas e totalmente desconhecido Jim Carrey. O homem mostrou a que veio na pele do tímido Stanley Ipkiss, um bancário gente boa, mas socialmente rejeitado e sem o “mojo” necessário para conquistar a mulher de seus sonhos (o que nos leva ao segundo detalhe): Tina Carlyle (interpretada pela estreante Cameron Diaz, que nunca esteve e nunca estará tão linda como neste filme), a dançarina de maior sucesso no point do momento de Edge City, a danceteria Coco Bongo. Num dos piores dias da vida do pacato Ipkiss, uma estranha máscara (atribuída à Loki, Deus viking da mentira) cai em suas mãos e o transforma em uma versão totalmente alucinada de sua personalidade. Surge o Máskara, um sujeito de gosto duvidoso para roupas, rosto verde e com incríveis poderes que viram Edge City de pernas para o ar e deixam o gângster local e bandido da trama (além de namorado da mocinha) Dorian Tyrrell (Peter Greene, o Zed de Pulp Fiction) ambiciosamente interessado no artefato nórdico.
O terceiro detalhe que fez de O Máskara um sucesso instantâneo foi o jeitinho único (até então) de misturar os trejeitos dos desenhos animados num filme de gente de verdade. Não, não estou falando de algo do estilo de Uma Cilada Para Roger Rabbit ou Space Jam, e sim de CGs bacanas bancando animações antigas (como na cena em que o coração do Máskara bate quase fora do peito, a exemplo do que acontece nos desenhos de Pepe LeGambá).
Como disse, três detalhes que mudaram o cinema. Jim Carrey, um comediante que só fazia sucesso no circuito interno do showbizz americano, ganhou desenvoltura mundial com O Máskara usando o filme como a porta da frente de uma carreira meteórica. Em Debi e Loide – Dois Idiotas em Apuros, o ator deu o bote num cachê de US$ 7 milhões e tornou-se, acima de Eddie Murphy e Mike Myers juntos, o ator cômico mais bem pago de Hollywood (seu “salário” hoje, gira em torno de US$ 25 milhões). Mas se pensavam que o “multifaces” Carrey iria parar nas comédias, estavam enganados. Tão logo pôde, Carrey surpreenderia à todos com uma atuação para lá de convincente em O Show de Truman, um filme sério, mas desonestamente ignorado pelos cartolas do Oscar, fora outras incursões do ator em roteiros mais cabeças, como Cine Majestic e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças.
Cameron Diaz então nem se fala. A moça caiu nas graças do público e de lá nunca mais saiu. Conseguiu aliar sua beleza estonteante com certas doses de boa interpretação (como em Gangues de Nova York, por exemplo) e se mantêm no topo até onde sei. Seu último trabalho de grande expressão foi a dublagem da Princesa Fiona em Shrek 2, reafirmando a versatilidade da atriz, que não é só um rostinho bonito no fim das contas. E pensar que uma carreira dessas começou na Coco Bongo...
Conclui-se então que a dinastia do personagem nasceu realmente numa tela de cinema, e não em páginas aleatórias que, não fosse o alcance proporcionado pela sétima arte, não seriam do conhecimento de quase ninguém.
Além de lançar todos esses rojões, o filme deu origem a quilos de games, centenas de brinquedos (já vi o boneco do Máskara com duas bazucas para vender em algum lugar ), um desenho animado que faz sucesso até hoje e, claro, a continuação mencionada no início do texto, que contará com o fraquíssimo Jamie Kennedy (O Império do Besteirol Contra-Ataca) como um cartunista que terá de cuidar de um bebê com os poderes da máscara de Loki (genial, como nunca pensei nisso?).

Nem todos os frutos são doces nesta árvore genealógica...
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