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Os últimos serão os melhores
Por Marcos Vasconcelos — Quinta, 9 de dezembro de 2004
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Aí vocês me perguntam: mas se essa coluna é sobre rádio, por que o raio desse colunista não fala de rádio? Sem dúvida vocês tem razão. Mas a culpa não é só minha. O fato é que 2004 foi um ano pobre para a música e se não fosse um grande lançamento fonográfico ocorrido no último mês de novembro, seria praticamente um ano passado em branco. Mas, como as retrospectivas são obrigatórias, vamos repassar os poucos fatos importantes do ano, começando pelas notícias daqui da botocúndia.
- Sem grandes fenômenos como os Tribalistas (2002) ou Maria Rita (2003), este ano consagrou um tímido compositor mineiro: Vander Lee. Foi ele, que fez seu début com um corajoso álbum ao vivo, que esteve no alto dos paradas da rádio adulta durante praticamente o ano inteiro. Vander é compositor inspirado, ainda que sua voz seja um tantinho irritante. Nada que tirasse, entretanto, o brilho das suas músicas, que tocaram e encantaram em 2004.
- Ainda perambulando pela rádio adulta, Simone e Ivan Lins reeditaram boa parceria, que no final das contas deu mais lucro para a cantora baiana, que andava gramando em repertórios de gosto duvidosíssimo; Nando Reis lançou um disco ao vivo e se manteve em alta, com o hit-para-encontro-de-jovens Mantra; Três mineiros lançaram discos no ano: Aggeu, que pela primeira vez tocou na rádio, Beto Guedes e o grupo 14 Bis; Vanessa da Mata, que era grata revelação no ano passado, caiu um bocado este ano, ainda que tenha tocado com certa freqüência. Nélson Motta fez mal a ela; E do mundo encantado da gravadora Trama, onde só existem mega astros, não saiu nenhum lançamento relevante. Houve sim, a relevante contratação de Ed Motta, e o amadurecimento a olhos vistos da cantora Luciana Mello.
- Nas rádios de música jovem, o ano foi de Marcelo D2 e Pitty. O rapper colheu os frutos do seu multipremiado À Procura da Batida Perfeita, gravando seu Acústico MTV. Já a roqueira baianinha ganhou prêmios de melhor do ano e emplacou vários hits de seu álbum Admirável Chip Novo, lançado ano passado. O destaque de revelação foi para a excelente Negra Li, sem falar do estrondoso sucesso da funkeira Tati Quebra-Barraco aqui e no exterior. Não toca na nossa casa, mas toca muito aí fora.
- Na gangorra do sucesso, estão o CPM22 e o Detonautas. Se 2003 foi o ano dos comandados de Tico Santa-Cruz, 2004 elevou ao auge a turma de Badauí, Japinha e cia. No mais, as bandas-de-música-para-adolescentes suspeitas de sempre, como o Charlie Brown Jr, continuam lançando mais do mesmo. Destaque para a cabeçada de Chorão em Marcelo Camelo, que além de corcovas, ganhou um puta galo. Falando no Los Hermanos, que tocou bem durante o ano, a turnê do álbum Ventura está chegando ao fim. Prenúncio de que pode sair alguma novidade da cabeça dos barbudos cariocas em breve.
- As velhas novidades foram o novo disco do Capital Inicial, que tocou bastante, o excelente acústico do Ira!, o nem tão excelente acústico do Engenheiros do Hawaii, e os discos MTV ao Vivo de Lulu Santos e Rita Lee. Trabalhos primorosos, com destaques para a nossa velha titia do rock, que fez boas releituras de grandes sucessos. Já Lulu continua com aquele eterno ar de enfado de quem não agüenta mais tocar nenhuma de suas músicas no mesmo arranjo em que foi composta. Legítimo, compreensível, mas irritante.
- Nos estrangeiros, pouca coisa se destacou no ano. O Aerosmith lançou um disco bluesy Honkin'on Bobo - e mais nada. No mundo pop, Alanis Morissette lançou o bom So-Called Chaos e Avril Lavigne manteve o skate rolando em Under my Skin. As patricettes Christina Aguillera, Beyoncé e Britney Spears continuam fazendo o de sempre. Destaque para Britney cantando, My Prerrogative, onde ela dá a clara impressão de que não deve fazer idéia do que significa o termo. Nem deve fazer mesmo.
- Na verdade, só consegui ver um único destaque de peso no mundo pop este ano: a volta por cima do Green Day, com American Idiot. Na Inglaterra, toda semana uma nova banda fazia sucesso. A mais falada foi o The Libertines. Grande parte das bandinhas de rock sucesso em 2003 - como os Strokes, Hives, Vines e etc... - sumiram de circulação. Coisas boas como o White Stripes também. P.J. Harvey lançou disco novo - Uh huh her - e Juliana Hatfield também - In Exile Deo. Este último é bem bacana.
- E novembro nos redimiu trazendo o lançamento mais importante do ano na indústria fonográfica: How to Dismantle na Atomic Bomb do U2, um grande disco que enfiou o pé na porta da mesmice com a já clássica "Vertigo", e está entregando tudo o que o álbum anterior All That You Can't Leave Behind prometeu mas não cumpriu: a volta do U2 roqueiro, pesado, power-four. Não que a fase eletrônica fosse ruim de todo - o álbum Pop é uma injustiçada obra-prima - mas o U2 só é bom quando se entrega de alma ao que resolve fazer. Seus discos mais puristas, como o Pop e o The Joshua Tree, são primorosos, ao passo em que obras híbridas, como o Zooropa e o All That são cansativos.
E assim termina o ano, termina a retrospectiva e eu vou me dando imerecidas férias (pois estou há seis meses em greve no trabalho...), que eu não sou de ferro. Felicidades no fim do ano para todo mundo e em 2005 é nóis de novo. ¤
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