Incrivelmente Incríveis

É de conhecimento geral que super-heróis estão em alta na indústria de entretenimento americana – vários personagens de HQs estão sendo adaptados para o cinema e a televisão, seja na forma de filmes, desenhos ou séries de TV. Há alguns anos, o diretor e roteirista
Brad Bird (
O Gigante de Ferro, 1999) teve a idéia, após tornar-se pai e precisar criar um equilíbrio entre os dois lados de sua vida – o trabalho e a família, de escrever uma história sobre um casal de super-heróis e seus filhos, o que resultou no longa-metragem
Os Incríveis (
The Incredibles, 2004).
O filme foi produzido pela
Walt Disney Pictures em parceria com a
Pixar Animation Studios, que já haviam conseguido muito sucesso com
Toy Story (1995),
Vida de Inseto (1998),
Toy Story 2 (1999),
Monstros S.A. (2001) e
Procurando Nemo (2003). A Pixar já anunciou o fim dessa parceria, pois tem condições mais do que suficientes de seguir por conta própria.
Cars, o último filme feito em conjunto pelas duas companhias, estréia em 2006; em seguida a Disney terá que “se virar” para produzir seus filmes em animação digital, já que desistiu da animação convencional, pois a mesma não tem feito o mesmo sucesso de antigamente.
O roteiro de
Os Incríveis se utiliza de diversos clichês das HQs de super-heróis: o poderoso Sr. Incrível (Beto Pêra) faz parte da “velha geração” de heróis, que foram obrigados a abandonar o combate ao crime quando se recusaram a revelar suas identidades secretas ao mundo. A Mulher-Elástica (Helena Pêra) é a esposa do ex-herói; seus filhos são Flecha (que tem supervelocidade), Violeta (que fica invisível e cria campos de força) e Zezé (o bebê da família, que parece não ter superpoderes). Após o fim da era dos super-heróis, o governo “recolocou” esses superseres na sociedade, fornecendo novas identidades, casas e empregos, como uma espécie de retribuição por todas as ocasiões em que eles tinham “salvado o dia”.


Beto virou funcionário de uma corretora de seguros, onde sempre é repreendido por seu chefe, pois muitas vezes dá um “jeitinho” de ajudar os clientes. Helena é apenas uma dona-de-casa que cuida do marido e dos filhos do casal, tomando todo o cuidado para que eles não sejam descobertos pelo mundo, pois a população passou a temer os super-heróis. Um dia, Beto é recrutado por uma misteriosa agência que precisa de seus talentos especiais. Ele participa de missões secretas (após ser despedido da corretora, finge que continua trabalhando), voltando a utilizar seu velho uniforme (que depois é renovado pela “estilista dos heróis”, Edna Moda). O surgimento do vilão chamado Síndrome unirá sua família novamente, que passará a agir como um verdadeiro supergrupo, tendo o auxílio do seu amigo e também super-herói Gelado.

Um elenco de primeira qualidade foi reunido para fazer as principais vozes de
Os Incríveis:
Craig T. Nelson (Beto Pêra/Sr. Incrível),
Holly Hunter (Helena Pêra/Mulher-Elástica),
Samuel L. Jackson (Lúcio Barros/Gelado),
Jason Lee (Síndrome),
Dominique Louis (Bomb Voyage),
Spencer Fox (Flecha Pêra),
Sarah Vowell (Violeta Pêra),
Elizabeth Peña (Mirage),
Eli Fucile e
Maeve Andrews (Zezé Pêra),
Wallace Shawn (Gilberto Lima) e
John Ratzenberger (Escavador). O próprio Brad Bird dublou a personagem Edna Moda. Dois integrantes dos “Nove Velhos” (a equipe de nove mestres animadores da “era clássica” de Walt Disney),
Frank Thomas e
Ollie Johnston, dublaram suas próprias versões animadas, que aparecem quase no final do filme. Eles fizeram o mesmo em
O Gigante de Ferro, no qual são dois maquinistas de trem.

Um igualmente talentoso elenco dos chamados “atores de dublagem” foi convocado para participar da versão brasileira do longa-metragem:
Marcio Seixas (Beto Pêra/Sr. Incrível),
Marcia Coutinho (Helena Pêra/Mulher-Elástica),
Luiz Carlos Persy (Lúcio Barros/Gelado),
Alexandre Moreno (Síndrome),
Bernardo Coutinho (Flecha Pêra),
Lina Mendes (Violeta Pêra),
Andrea Murucci (Mirage),
Julio Chaves (Gilberto Lima),
Garcia Jr. (Bomb Voyage e Escavador) e
Nadia Carvalho (Edna Moda), só para citar os de maior destaque. A tradução e adaptação de
Os Incríveis foi brilhantemente realizada, desde os nomes dos personagens (Lucius Best virou Lúcio Barros, por exemplo) até algumas tiradas normalmente “intraduzíveis” (pois perdem a graça numa tradução literal), que mantiveram o espírito da piada original.
Os Incríveis não é simplesmente uma paródia de filmes de super-heróis, apesar de brincar com vários dos deliciosos absurdos normalmente vistos nas HQs, como o uso das vistosas (mas normalmente pouco úteis) capas. O nível de perfeição conseguido pelos animadores da Pixar é “de cair o queixo”. Certos cenários parecem reais, apesar dos personagens seguirem um
design bem estilizado (o que continua sendo a melhor opção, pois personagens digitais realistas ainda ficam com aquele “olhar de zumbi”). O filme é divertidíssimo para os fãs de HQs, mas quem nunca folheou um “gibi” na vida também vai apreciá-lo e rir muito. ¤