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De olhos bem abertos! – Parte 1
Por Tiago Cordeiro — Quinta, 2 de dezembro de 2004
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O sucesso da cultura japonesa no mundo é inegável. Recentemente Tom Cruise se aproveitou disso em O Último Samurai e não faltam exemplos de sucessos da cultura nipônica no ocidente. Entre seus admiradores encontra-se este quem vos escreve.
Ao ler o parágrafo acima e o título, o leitor deve estar pensando que esta é uma coluna de enaltecimento aos mangás. Longe disso. Minha preocupação se baseia na saturação de Animes e Mangás na cultura pop de hoje. É praticamente impossível um canal de TV não exibir um anime ou uma banca não vender um mangá. Neste último caso, o quadrinho japonês exerce uma influência cada vez mais forte no quadrinho mundial e nacional. Tão nociva quanto a influência hollywoodiana no cinema (e na música, e na moda etc.), os olhos grandes parecem ocupar cada vez mais espaço na nona arte.
Para não sair do nosso quintal, tente dar uma olhada nos fanzines e personagens publicados por aí. Repare na “revista brasileira que faz sucesso nos Estados Unidos”: Victory contra-ataca, personagem de Marcelo Cassaro. A semideusa elfa é mangá até a raiz dos cabelos (divinos). Daí, toda essa alegria de vermos uma revista brasileira brilhando nos States me faz perguntar... Será que realmente exportamos uma revista brasileira ou um quadrinho nipônico feito por brasileiros?
Não que eu pretenda definir o que é quadrinho nacional (especialmente por que acho que quando se trata de quadrinho de aventura, ainda não descobrimos o que é). Mas, não deixa de ser preocupante que tantas iniciativas se resumam a seguir o mesmo modelo. Não só no Brasil, mas no mundo. Imagine se toda cantora tivesse que cantar como Britney ou Aguilera? Ou se todos os filmes tivessem que ser hollywoodianos (aliás, o Brasil já tentou seguir esse caminho e deu na extinta produtora Vera Cruz)? Ou ainda se todo o artista plástico seguisse os passos de Andy Warhol?
Claro que o mangá não é um estilo sem méritos. A própria singularidade de sua estética é o principal fator de seu sucesso e o que dá graça à suas histórias. Mas, quando você começa a ver o estilo em todos os lugares possíveis (até mesmo heróis clássicos como Homem-aranha já tiveram alguma adaptação para o mangá), algo parece errado. Tem alguma coisa que não vai bem (assim como ir a um cinema brasileiro e só encontrar filmes norte-americanos me choca).
Não vou dar respostas ou dizer caminhos. Mas, repetição não me parece ser nem uma resposta ou um caminho. Mangás e animes podem e devem ser admirados, mas não copiados. Ou você só gosta de olhos bem abertos?
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