Nós vimos II: O Expresso Polar

Por Eloyr Pacheco — Sexta, 26 de novembro de 2004

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Síndrome de Peter Pan adquirida

Em 1988, Robert Zemeckis transformou a indústria de animação com Uma Cilada para Roger Rabbit, quando conseguiu de maneira convincente unir uma figura humana atuando ao lado de personagens animados. Tendo O Expresso Polar, de Chris Van Allsbury (também autor de Jumanji, adaptado em 1995 para o cinema), como um dos seus livros favoritos, pensou em transpô-lo para o cinema, mas só se conseguisse mais uma vez extremo realismo. Zemeckis sabia que um filme desse porte, devido à grandiosidade das cenas e dos cenários, não poderia ser realizado somente com atores, sem animação, leia-se computação gráfica.

Acostumado a desafios, Zemeckis decidiu arregaçar as mangas e inovar uma vez mais. Primeiro resolveu procurar Tom Hanks, com o qual já havia trabalhado em Forrest Gump – O Contador de Histórias e Náufrago e convidá-lo para embarcar (literalmente) no projeto. Com a concordância de Hanks, convocaram o premiado Ken Ralston – supervisor sênior de efeitos visuais da Sony Pictures Imageworks – que já havia vencido o desafio de desenvolver os efeitos especiais da trilogia De Volta para o Futuro, também de Zemeckis.

Ralston sugeriu usar “captação de movimento”, onde a atuação de um ator é capturada digitalmente. O resultado desta captação, chamado pelos técnicos de blueprint humana, possibilita a criação de personagens virtuais. Mas, não era só isso que Ralston tinha em mente para vencer mais este desafio, ele pretendia usar uma nova técnica que acabou sendo batizada de performance capture. Muito mais sofisticada, essa nova técnica permite, além da captação de imagens, capturar também qualquer tipo de movimento, inclusive expressões faciais e até pequenos movimentos dos atores.



Depois dos testes iniciais que provaram que o performance capture poderia ser utilizado, Tom Hanks assume em O Expresso Polar (The Polar Express, 2004) , não um, mas cinco papéis: o do garoto (sem nome), o do pai do garoto, o do condutor, o do andarilho e o do Papai Noel.

O Expresso Polar é um conto de Natal que há muito não se via no cinema. Desta feita, resultou em um filme sensível e atraente. A história, no geral bastante simples, mostra um garoto que começa a crescer e a perder o sentido do Espírito Natalino. O Garoto-sem-nome recrimina sua irmã por deixar biscoitos e leite para o Papai Noel que ela acredita que os visitará à noite e, desconfiado, procura por pistas da não existência do “bom velhinho” em jornais e revistas. Resumindo: o Garoto-sem-nome está crescendo, se tornando adulto.


À noite, depois de estar na cama, o Garoto-sem-nome é surpreendido com um enorme barulho de trem. Curioso, sai da casa e se depara com um enorme trem em meio à neve do jardim. Um condutor, aparentemente hostil, interpela se ele deseja embarcar. Levado mais uma vez pela curiosidade, o “menino” entra no trem que segue rumo ao Pólo Norte, a terra de Papai Noel.

Durante a jornada, repleta de dificuldades e surpresas, surgem outras crianças (algumas já estão no trem e outras embarcam pelo caminho); um andarilho que mora sobre um dos vagões do Expresso Polar, e um condutor e seu ajudante trapalhão. Quando a viagem chega ao fim, na cidade de Papai Noel, descobrem que participarão de uma festa e que uma das crianças do Expresso Polar será escolhida para ser a primeira a receber seu presente de Natal. Qual das crianças será a escolhida?

O Expresso Polar é um filme humano que mostra o esforço de um garoto em não deixar de “acreditar”, de ter esperança. Pode perder em emoção pela ausência de atores reais em cena, mas ganha pela retomada de um “filme família” numa época em que as crianças crescem muito depressa e se tornam adultas cedo demais. ¤




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