Bonito, bem feito, mas continua sendo apenas mais um...
Entre cenas de montanha russa, paisagens fantásticas e animações de computador com movimentos perfeitos, parece que falta alguma coisa.
O Expresso Polar é, obviamente, um filme de natal, feito para crianças. E, como história de natal, ele convence muito bem: crianças vencendo dificuldades, aprendendo lições de grande importância para a vida, fazendo novos amigos ao som de músicas à la jingle bells e similares. Infelizmente,
O Expresso Polar não vai muito além disso.
Robert Zemeckis que dirigiu antes sucessos como
Forrest Gump e
Uma Cilada para Roger Rabbit, ambos filmes que realmente chamaram a atenção, por contarem uma história interessante, por trazerem algo de novo. Enfim, o que fez desses dois filmes grandes filmes não está presente em
O Expresso Polar.
Pode-se começar pela história. Retirada do livro de mesmo nome do escritor
Chris Van Allsburg, a trama do filme é superextendida: na versão original, o garoto sem nome entrava no trem e ía até o Pólo Norte para descobrir se Papai Noel realmente existe. No filme, há vários pontos politicamente corretos que foram colocados por motivos, no mínimo, não muito claros. A garota negra é um desses pontos, o garotinho que está sempre sozinho e no final aprende a ter amigos é outro. Eles parecem estar lá “incrementando” o espírito de natal, passando valores como a amizade é importante, somos todos iguais, devemos encarar nossos próprios medos. Por um lado, talvez não se possa esperar muito mais de um desenho de natal feito para ser o blockbuster desse final de ano, mas, ainda assim, com Robert Zemeckis e
Tom Hanks esperava-se mais.
Não que o filme não seja interessante e agradável em vários momentos: as cenas no estilo montanha russa são impressionantes, e o mesmo pode-se dizer do primeiro vôo da passagem dourada da garotinha. Existem outras cenas que são maravilhosas, belas ao extremo, como o trem subindo uma montanha no meio da noite, com uma lua gigantesca aparecendo no topo da tela e as luzes da locomotiva refletindo de leve pelo gelo e pela neve. E aí talvez se possa chegar no que pode ser o ponto principal do porquê o filme, como um conjunto de fatores que fazme de um filme ser bom, dentre os quais o visual é apenas um, não consegue satisfazer de verdade.
Chris Van Allsburg escreveu um livro de 32 páginas que foi um sucesso por dois motivos: primeiro, era uma história simples, sem grandes reviravoltas, sem nem pretender ser uma grande história realmente, mas que conseguia, por sua simplicidade, ser comovente e incorporar sentimentos de uma forma sincera; segundo, suas ilustrações eram descomunalmente bonitas.
E o filme
O Expresso Polar é extremamente belo; na verdade, um dos objetivos de Zemeckis era reproduzir todas as ilustrações do livro em algum momento do filme. No que toca ao visual, a efeitos especiais, à beleza, com exceção de alguns efeitos estranhos (como os olhos totalmente sem vida das personagens), o filme é irrepreensível. Mas, como uma história simples e curta sem nenhum grande acontecimento ou inesperado não produz um longa-metragem, eventos foram sendo enxertados à trama, até que ela acabou por perder o que a fazia ser tão cativante e sincera. E assim o filme acaba deixando aquela sensação de ser simplesmente mais um filme de computação gráfica, bonito, bem feito, mas que continua sendo apenas mais um. ¤