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Shoot the Hostage!
Por Édnei Pedroso — Quarta, 24 de novembro de 2004
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“Atire no refém.”
Não é bem o que se espera ouvir de um policial com cara de gente finíssima quando você está abraçado a um lunático com as fuças do Dennis Hopper e trocentas bananas de dinamite espalhadas pelo corpo. Puxa vida. Espera-se que o herói tenha um plano mirabolante e que o refém em questão, seu parceiro de polícia, saia ileso desta fria, não é mesmo?
De jeito nenhum. Depois de disparar um tiro na perna do infeliz seqüestrado ( o ator Jeff Daniels ), o “mocinho” da trama têm de parar um ônibus lotado que corre solto por Los Angeles à 50 milhas por hora ( que em contagem humana, daria uns 80 km/h ) com um detalhe: se o veículo diminuir a velocidade, uma bomba manda tudo pelos ares.
Adicione a tudo isso o comando de quem já foi diretor de fotografia de Steven Spielberg e teremos um dia na vida de Jack Traven, protagonizado por Keanu Reeves em Velocidade Máxima.
Um dos grandes hits de 94, o filme levou muita gente para os cinemas com esta simples, porém, inusitada fórmula ( conheço um cara que chegou a ver este filme nove vezes na tela grande ). Todo mundo queria ver o que aconteceria acaso o enorme veículo parasse, mas não sem antes vibrarem com as estripulias do esquadrão antibombas e de Jack, para tentarem desarmar a bomba. As tentativas variavam de carrinho de dublês em alta velocidade pendurado por um fino arame, até a evacuação das movimentadas ruas da cidade. Longe de todo aquele agito, o mesmo psicopata das dinamites citado acima Howard Payne, aposentado e mestre na arte de explosivos, assiste a tudo de sua TV do Paraguai, com um dedo no detonador, dando início a uma temporada de filmes sobre bombas, que contaria, dali em diante, com espécimes como Contagem Regressiva, O Detonador em Alta Voltagem, entre outros.
Mas nem só em C4 se baseia a ação de VM, pois se a desgraça fosse pouca, o filme não teria a menos graça. Um passageiro armado resolve ter uma crise de paranóia e atira no motorista do ônibus, tirando-o da trama tão rápido quanto entrou. Quem estaria lá para substituir o motora e lançar sua carreira para o estrelato absoluto nos anos 90? Tudo bem, Reeves se firmou depois deste filme, mas estamos falando de Sandra Bullock. A personagem Annie Porter, que assume a direção do veículo, deu asas à Bullock que, não se sabe como, caiu nas graças do público, emplacando um sucesso atrás do outro. Pena que a sorte da estrela não a acompanhou depois da virada do milênio, pois seus novos projetos não ganham mais a simpatia incondicional do público ( principalmente os americanos, que trocam de "namoradinha da América” como eu troco de cuecas ).
Outro que ganhou asas e bancou Ícaro foi o diretor Jan de Bont. Depois do seu filme ganhar dois Oscars ( Melhor Som e Melhor Efeitos Sonoros ), o holandês conquistou moral para dirigir Bill Paxton e Helen Hunt em Twister ( depois deste trabalho, Helen Hunt, que era famosa apenas pelo seriado Mad About You, trabalharia com Jack Nicholson em Melhor é Impossível, e ambos ganhariam o Oscar de Melhor Ator e Atriz ). Aproveitando a boa maré que os tornados deram, Jan de Bont começaria a gastar cartuchos de grosso calibre com uma fracassada continuação de seu sucesso inicial. Velocidade Máxima 2, que estreou 3 anos depois do original, tornou-se o supra-sumo da estupidez. Para não deixar barato este fracasso, o diretor tentaria abordar o sobrenatural em A Casa Amaldiçoada em 99...e o produto desta incursão foi de mal a pior. Recentemente, dirigiu Angelina Jolie em Tomb Raider: A Origem da Vida e devo admitir que seu trabalho continua em franca decadência.
Sorte quem teve mesmo foi Keanu Reeves. Depois de um tempo de molho, o ator impressionou a todos com golpes de Kung-Fu, filosofia e Bullet Time no papel de sua vida em Matrix...mas isso é uma outra história.
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