Nós vimos III: Capitão Sky e o Mundo de Amanhã

Por Eloyr Pacheco — Quinta, 18 de novembro de 2004

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“Chamando o Capitão Sky! Chamando o Capitão Sky!”

Procurar falhas de roteiro em um filme como Capitão Sky e o Mundo de Amanhã (Sky Captain and the World of Tomorrow) é “chover no molhado”! É claro que não devemos abrir exceções em nossas críticas e, embora aparentemente apenas desenvolvido para servir de escada (termo que um bom comediante sabe valorizar) para a produção, o roteiro de Capitão Sky e o Mundo de Amanhã é fraco. Talvez ingênuo como realmente deva ser para criar o ar romântico que os filmes de ação nos ofereciam antes de sermos dominados pela cruel necessidade de tudo fazer sentido e ser coerente. Duas observações bastam para nos colocar no devido lugar na sala de cinema. Primeiro, o avião que mergulha no mar sem ter suas asas partidas; e, segundo, a necessidade de foguetes nas costas para um simples ser humano voar em contraste com plataformas gravitacionais. Diante desses dois fatos devemos perceber que não devemos levar em conta a falta de verossimilhança e o anacronismo tecnológico dominante.

O cenário virtual começa surpreendendo e, depois de passado o espanto inicial, nos “acostumamos” com ele e passamos a observar o que acontece no filme. É aí que um roteiro consistente faz falta, mas, através desta melhor observação percebemos que o filme trata-se se uma verdadeira homenagem ao cinema, às séries clássicas, aos pulps e às Histórias em Quadrinhos. Muitas das referências utilizadas por Kerry Conran, diretor e roteirista de Capitão Sky..., são facilmente identificáveis e podem deixar os cinéfilos mais ardorosos discutindo horas e horas. Sem desmerecer qualquer outra delas, permito-me registrar algumas lembranças e reminiscências de Histórias em Quadrinhos às quais Capitão Sky... pode remeter.

O clima aventuresco de Capitão Sky... lembra o de Rocketeer (The Rocketeer, 1991), filme de Joe Johnston baseado na graphic novel de Dave Stevens, publicada no Brasil pela Editora Abril em 1989. Os gigantescos robôs que surgem voando no horizonte até aterrissarem em Nova Iorque lembram os Sentinelas de X-Men, especialmente uma cena de Marvels, brilhantemente pintada por Alex Ross. O porta-aviões aéreo comandado por Franky Cook (Angelina Jolie) é muito parecido com o porta-aviões da S.H.I.E.L.D., agência dirigida por Nick Fury. Interessante também o fato dos dois comandantes utilizarem tapa-olhos: Franky usa um no olho direito, e Fury, no olho esquerdo. Os esguios robôs terrestres assemelham-se aos Pol-Robs de Magnus Contra os Robôs, criado por Russ Manning em 1963.



Esses códigos não são identificáveis pelo grande público, mas demonstram a abrangência da homenagem prestada por Conran. Pode-se rir quando Joe “Capitão Sky” Sullivan (Jude Law) se refere aos quadrinhos como fonte inspiradora para as invenções de Dex (Giovanni Ribbisi), mas, na realidade, elas realmente serviram no mínimo para incitar o questionamento em muitos cientistas, especialmente os da Era Espacial. Para ser mais ilustrativo, a aerodinâmica dos foguetes desenhados por Alex Raymond em Flash Gordon foi estudada pela NASA.


Capitão Sky..., o primeiro filme a ter atores de carne e osso numa ambientação totalmente virtual, entre para a história do cinema como, só mencionando dois exemplos, Uma Cilada para Roger Rabbit (Who Framed Roger Rabbit, 1988), de Robert Zemeckis, e Mundo Proibido (Cool World, 1992), de Ralph Bakshi, entraram ao colocarem figuras humanas contracenando com desenhos animados com interatividade e padrão de qualidade nunca antes atingidos.

Mas, não deverá ser só por isso que Capitão Sky... deverá ser lembrado no futuro. O primeiro filme de Conran tem o mérito de beber de todas as fontes e uma vez mais trazê-las de volta para nos entreter usando a tecnologia disponível para homenagear o passado. ¤




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