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Tarantino ataca novamente
Por Nicole Mezzasalma — Terça, 21 de outubro de 2003
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Tenho que confessar: fui ao cinema este fim de semana para assistir ao novo filme de Quentin Tarantino, Kill Bill Vol. 1, sem grandes expectativas. Li algumas críticas, ouvi comentários de amigos, e nenhum desses parecia animador. No entanto, como Tarantino foi resposável por pérolas como Cães de Aluguel e Pulp Fiction, além do fraco mas engraçadinho Um Drink no Inferno, resolvi dar a ele um voto de confiança.
Para minha enorme surpresa, saí do cinema satisfeita. Mais, até: fiquei ansiosa para ver segunda parte do filme!
Um pequeno resumo da história do filme, para aqueles que não fazem idéia do que estou falando: uma competente assassina (Uma Thurman) é praticamente morta por seu ex-empregador, Bill (David Carradine), e seus antigos colegas do Esquadrão Víbora Mortal de Assassinatos (assim chamado porque os codinomes dos membros do Esquadrão são espécies de cobras). Infelizmente para seus algozes, ela sobrevive, e volta quatro anos depois para se vingar.
Kill Bill é divertido desde a tela inicial, que mostra o ditado “A vingança é um prato que se come frio” como sendo um provérbio Klingon, até o surpreendente final, em que Tarantino magistralmente lança o gancho perfeito para o segundo volume. A crítica inglesa ressaltou o excesso de violência do filme, mas o exagero tem um propósito muito claro. A sanguinolência é trash, quase caricatural, bem ao estilo dos desenhos animados japoneses. A referência aos animes fica descarada no meio do filme, quando a história de uma das personagens é narrada em forma de desenho.
Tudo em Kill Bill é propositalmente exagerado, dos nomes dos personagens às ótimas atuações dos protagonistas. Além de Thurman, que está muito bem no papel da matadora acertando as contas com seu passado, também merecem destaque as performances de Lucy Liu e Daryl Hannah. Esta última, aliás, aproveitou o sucesso do filme (que arrecadou mais de 22 milhões de dólares somente no primeiro fim de semana de exibição noa EUA) para ressucitar sua agonizante carreira.
Outro mérito do último trabalho de Tarantino são os minuciosos detalhes técnicos. O figurino, a fotografia, as coreografias das seqüências de luta, a edição e a trilha sonora são praticamente perfeitos, compondo um conjunto precioso. O roteiro, não-linear no melhor estilo Pulp Fiction, funciona bem e prende a atenção do espectador do início ao fim. E os trocadilhos e piadinhas que permeiam as duas horas de exibição garantem boas risadas.
Os críticos que me perdoem, mas eu gostei (e muito) de Kill Bill Vol. 1 – e que venha o segundo!
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