 |
Referências e Déja vus
Por Tiago Cordeiro — Sexta, 12 de novembro de 2004
|
|
Bem-vindo ao Sobrecarga, seu destino para as principais matérias sobre Filmes, Séries, Quadrinhos, Música e muito mais... se você puder agüentar!
Use a barra superior do site para navegar entre os assuntos e confira, no final de cada texto, outras matérias relacionadas ao assunto.
Na barra lateral do site você encontra sempre boas ofertas de produtos relacionados ao universo pop, ajude o site visitando nossos patrocinadores.
Volte sempre!
|
Na última coluna comentei a respeito da falta de originalidade da saga O Legado das Estrelas escrita por Mark Waid e focada em contar uma nova origem para o Super-homem. Na ocasião comentei rapidamente do grande problema das revisões de personagens (relembrando que o homem de aço já teve sua origem revista por John Byrne, no século passado) que é exatamente seguir sua proposta sem mergulhar na tentação de não rever, mas repetir o personagem e sua história.
Pegando novamente a mini-série de Waid, reparem que muito pouca coisa é nova ali. Apenas repetições da origem pré-crise de Kal-El e um novo olhar sobre a relação entre os jovens Lex Luthor e Clark Kent. Eu disse “novo”? Bom, novo para quem não assiste a série Smallville da Warner onde os mesmos conflitos compactados na série de cinco edições aparecem. Isso não significa que todas as séries devem ser 100% originais ou mesmo que nenhuma revisão seja válida.
Pegue, por exemplo, histórias do tipo O que aconteceria se da Marvel Comics ou Túnel do Tempo da DC Comics. Seja na história Morcego de Aço (onde um certo foguete kriptoniano aterrisa nos arredores de Gotham City e sua “bagagem” é recebida pelo casal Wayne) ou mesmo em uma saga original (e maravilhosa, sensacional, histórica e etc.) como Watchmen de Alan Moore, há uma infinidade de referências sem que haja a sensação de que tudo aquilo já foi visto antes. Aqui o déja vu fica por conta dos personagens que existem ou se parecem com outros que já existiram, mas não na história com um enredo que possa surpreender o leitor.
Da mesma forma em Matrix há pouquíssima originalidade. Referências ao budismo, cristianismo, Joseph Campbell, mitologia grega e etc. estão aos montes, mas sem que isso deixe de surpreender o espectador (“como assim ele não é o messias?”). Aliás, mesmo cópias descaradas podem resultar em grandes histórias. O próprio Moore fez isso com Supremo, clone óbvio do Super-homem e, mais recentemente, Straczinski fez o mesmo em Poder Supremo, dando uma nova olhada, ou melhor revisada, nos personagens do extinto Esquadrão Supremo que a Marvel criou como cópia descarada da Liga da Justiça (diga-se de passagem, esses personagens já haviam passado por uma renovação de suas histórias que saiu por aqui na extinta Marvel Force, da editora Globo, sem o mesmo brilho de sua versão atual). O roteirista de Homem-aranha simplesmente usou personagens que fazem alusão óbvia aos da editora concorrente e os encaixou em um contexto que editora alguma jamais teria coragem de colocar. Sucesso, mesmo com um órfão planetário com poderes idênticos ao alter ego de Clark kent, um velocista e outros tão “parecidos” (é bom lembrar que Straczinski, mesmo assumindo as semelhanças cuidou de tornar seus personagens psicologicamente muito distantes de suas contrapartes decenautas).
Por isso tudo, referências estão longe de serem sinônimo de história ruim. O problema está na sua banalização. Em usar uma marca, personagem ou o que for, com o emblema de “revisão” ou “nova versão”, quando ali está tudo exatamente como antes.
PS: O leitor Thales Eduardo Soares Martins, chama a atenção de que o fato da origem contada em O Legado das Estrelas ser tão parecida com os episódios de Smallville é na verdade uma proposta da linha editorial da DC Comics. A editora tenta retomar a Era de Ouro dos seus personagens (algo me diz que a DC ainda vai precisar de outra Crise nas Infinitas Terras) e a série da TV é resultado direto dessa nova linha, assim como a saga de Waid. De um jeito ou de outro, isso não invalida o fato de O Legado das Estrelas não contar nada de novo ou de interessante sobre o maior super-herói de todos os tempos.
|
 |