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HQs e Jornalismo
Por Marcelo Del Debbio — Sexta, 12 de novembro de 2004
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Desculpem a demora para atualizar esta coluna, mas estive fora quase uma semana para o “Nação HQ”, um evento de quadrinhos e RPGs em Belo Horizonte, que ocorreu durante os dias 4, 5, 6 e 7 de Novembro.
Durante todo o evento, uma das coisas que mais me chamaram a atenção foi a história em quadrinhos “Sombras de uma Infância”, trazida pelas simpáticas gêmeas Sabrina e Natácia Federici (embora a HQ tenha sido produzida pela Sabrina, sua irmã cursa biologia e só estava lá para dar uma força e para confundir os entrevistadores com sono como eu, que nunca sabem com quem estão falando...).
O Zine utiliza o recurso narrativo das HQs para contar toda a passagem do falecimento, velório e enterro de um chefe de família no interior do Nordeste no começo do século, observado pelo ponto de vista de uma garotinha curiosa (que usa todo o tempo um saco na cabeça, para não revelar sua identidade ao leitor).
Apesar de graficamente simples, “Sombras de uma Infância” possui uma grande pesquisa por trás de sua história. Sabrina, que é estudante de Jornalismo na Unileste – MG e escreve para o jornal “_Oficina”, entrevistou diversas pessoas a respeito dos costumes e do folclore do nordeste na elaboração de seu trabalho, criando um verdadeiro “HQ-documentário”, utilizando a linguagem coloquial para passar diversos costumes típicos dos sertões nordestinos, como varrer a soleira da porta após o enterro “para a morte não voltar e levar outro membro da família” ou a descrição da noite de velório e da maneira correta de seguir o cortejo. São detalhes que as pessoas da “cidade grande” desconhecem completamente e que, com certeza, estariam perdidos em uma ou duas gerações se não fosse o trabalho de pesquisa de pessoas como a Sabrina.
A história possui desenhos bem simples, com uma diagramação não convencional, que força o leitor a virar constantemente a revista de um lado para o outro e até mesmo de ponta-cabeça, e passear com os olhos pelas ilustrações, acompanhando o passeio da garota curiosa (não, ela não tem um nome) desde o início da narrativa até o final do enterro.
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