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Specially for her
Por Mariana Zanini — Terça, 9 de novembro de 2004
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Como já foi visto no texto anterior, criatividade não faltou para que os cantores e bandas nacionais prestassem sua homenagem a uma série de mulheres. E assim como os brasileiros, americanos e ingleses também entraram na onda e capricharam nas composições dedicadas a moças de todos os tipos: das delicadas às nem-tão-dignas-de-homenagem.
Seja com sotaque da terra da Rainha ou do povo que reelegeu George Bush, tais canções embalaram gerações e amores, além de definir o nome de uma horda de meninas pelo mundo afora.
Para cumprir o prometido, portanto, aqui vai a parte dois da lista...
Judy is a punk / Sheena is a punk rocker, Ramones
Sheena, assim como Judy, é uma punk. Isso todo mundo já sabe. E pelas letras dos dois clássicos dos Ramones, também dá pra perceber que elas não eram garotas lá muito acomodadas. Enquanto uma foge para se juntar aos Ice Capades e à SLA acompanhada de sua amiga Jackie, a outra se diferencia do grupo de amigos surfistas para agitar em Nova York. Isso sem contar que é impossível ouvir qualquer uma das faixas sem mover um músculo: são contagiantes até dizer chega.
Angie, Rolling Stones
Com essa música, Mick Jagger deve ter arrebatado um punhado de corações pelo caminho. Composta para Angela Bowie, esposa do camaleão David (com quem, dizem, Mick mantinha um triângulo amoroso), Angie fala sobre separação. Nela, o mocinho enxuga as lágrimas de sua amada e explica que, se eles não estão satisfeitos com o fim do romance, pelo menos tentaram fazer com que algo desse certo. Versos de cortar o coração: “There ain´t a woman that comes close to you / Come on baby, dry your eyes”. (Não há uma mulher que chegue perto do que você é / Vamos, baby, enxugue seus olhos).
Julia, Beatles
Aí está outra canção que me faria trocar de nome, assim como as Luizas de Tom e Chico. Os quatro ídolos de Liverpool não economizam elogios à garota, que se mistura aos elementos da praia (“seashell eyes”, “windy smile”), como se fosse uma visão. E isto porque John Lennon diz, já no início, que metade de suas palavras são sem sentido, tentando se desculpar pela linda declaração de amor que vem pela frente. Pode?
Sylvia, Elvis Presley
A mesma moça que foi chamada de piranha pelo Camisa de Vênus fez Elvis se lamentar e passar horas esperando por um toque do telefone. Cruel? Imagina. Na melodia entoada pelo rei do Rock, o que não falta é vontade de socar a tal fonte de inspiração. Vou ser obrigada a reproduzir um trecho do refrão aqui para vocês sentirem o drama: “There´s nothing like a word of love from Sylvia/ The only one I´m thinking of is Sylvia / Feeling so sad now, I´d be so glad now / If I just had my Sylvya with me”. (Não há nada como uma palavra de amor de Sylvia/ A única que estou pensando é Sylvia / Estou me sentindo tão triste agora, ficaria tão alegre / Se eu apenas tivesse minha Sylvia comigo).
Lola, The Kinks
Esse é o típico caso de música que parece dizer uma coisa quando na verdade diz outra. A balada dessa banda inglesa não muito conhecida é contagiante, quando você vê, já está repetindo junto: “Lo-lo-lo-lo-lo-la”. À primeira vista, parece ser ser a narração de um tórrido caso de amor entre um garoto e uma mulher mais velha. Mas, após analisar atentamente a poesia da canção, acabei concluindo que ela não é endereçada exatamente a uma moça. Bem, pelo menos não uma que tenha nascido originalmente como tal. Sacaram? Para quem ainda duvida, a letra está aqui.
Layla, Eric Clapton
Tenho que confessar que acho esse clássico romântico uma chatice. Parece que os quase cinco minutos se arrastam, a melodia é meio sonolenta... Mas a poesia, sem dúvida, é um primor: deixada por seu namorado (ou marido), Layla, sozinha e triste, se esconde do mundo. Eis que, neste momento, surge Mr. Clapton, munido de sua guitarra, pronto para ajudar a solitária donzela. Ele se ajoelha, implora pelo amor da musa e tudo o mais. Se ela aceitou? Bem, isso não ficamos sabendo. Mas que ela deveria, isso sim.
Suzie Q., Creedence Clearwater Revival
Apesar de ter mais de dez minutos de duração, Suzie Q. consegue ser uma graça de love song. Você pode até não ter paciência para ouvi-la inteira, mas não é difícil se identificar com a letra que mais parece tirada de um caderno de sexta série. Com os versos bobinhos “Well, say that you´ll be true / And never leave me blue Suzie Q.” (Bem, diga que você será sincera / E nunca me deixe triste, Suzie Q.), o CCR lançou este que foi seu primeiro single, em 1968. Na medida exata para as mocinhas românticas da época.
Adrienne, The Calling
Mais recente que as outras dessa lista, Adrienne é um tapa na cara dos espertinhos que só fazem o parceiro de tapete. No clipe da banda pop-rock, uma fila de pessoas revoltadas e de estilos completamente diferentes reveza o microfone para cantar a tal música. Boa sacada dos moços do The Calling, pois todo mundo, querendo ou não, acaba tendo uma “Adrienne” na vida.
My name is Luka, Suzanne Vega
Apesar de ter o nome da intérprete de Tô nem aí, o sucesso oitentista de Suzanne Vega fala sobre uma vizinha problemática. A coitada bate à porta de seu vizinho de prédio e pede para que não repare se perceber alguma briga ou problema no andar superior. Em vez de reclamar, Luka apenas avisa e diz que não se importe, pois “eles batem até você chorar”. Das duas, uma: ou a pobre era masoquista, ou esse era um pedido de ajuda enrustido. Na dúvida, disk-denúncia neles!
Kim, Eminem
Chamem o FBI, a SWAT e a Cruz Vermelha! Mesmo sendo conhecido como desafeto de Deus e o mundo, ao que parece Eminem nunca esteve tão raivoso em suas rimas. Dedicada à sua ex-esposa, Kim ultrapassa o nível de anti-homenagem: ofensas, xingamentos, até mesmo gritos femininos fazem parte da “doce” melodia. Na verdade, eu não sei o que a tal ex fez para o rapper branquelo, mas deve ter sido algo muito, muito ruim mesmo. Ou não. Para o rapaz que encrenca até com as paredes, chamar a parceira de “bitch” deve ser extremamente normal...
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