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Putz!
Por Pedro Serrano — Sexta, 5 de novembro de 2004
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Americanos gostam de manteiga de amendoim, baseball, cachorro-quente, mulheres de coxas finas e narizinho arrebitado, posar de intocáveis e, acima de tudo, amam uma briga. Concordo que, até agora, não falei nenhuma novidade, correto?
Pois bem, existe um lado da cultura yankee que poucos conhecem: a incrível paixão por itens colecionáveis. Tudo o que se pode colecionar é adorado por aqui. A lista é grande, vai de bibelô até ferramenta pra automóvel... Mas existe um item que é campeão, o "crème de la crème": boneco.
Existem coleções de artistas de cinema, gente da música... E, depois de terem feito até boneco do Colin Powell - o primeiro general negro daqui, logo após o fim da primeira Guerra no Golfo, quando o mesmo foi chefe de estado-maior das forças aliadas -, por que não lançar um boneco do presidente dos Estados Unidos? Acha uma boa idéia?
Querendo ou não, é isso que deve acontecer. Nem deu tempo do mundo digerir a reeleição do sr. George Walker Bush, e uma empresa já promete colocar na praça um boneco do bonachão presidente do tal “lar dos bravos, terra dos livres”. Quer hora melhor pra uma boa aposta de marketing?
Um protótipo do que seria o Super-Bush já foi mostrado em vários meios de comunicação, para atiçar os aficcionados por coleções e republicanos em geral. A concepção da criação é até interessante, ligada ao estereótipo do Super-Homem. Ela aborda o tema “bobalhão esforçado (não muito bem compreendido) que, num piscar de olhos, se transforma em uma maravilhosa máquina bem azeitada”. Que o Bush tem toda a força do mundo nas mãos, não se discute. Muito menos sobre a tal postura de bobalhão (felizmente, a cara de imbecil do boneco condiz muito com a realidade). E, trocando em miúdos, quer concepção melhor pra mexer com o emocional de um povo - que acabou de perder seu verdadeiro Homem de Aço - do que essa de agora?
Só nos resta ver como o povo vai receber a novidade. Eu apostaria que, muito, muito em breve, o bonequinho do Super-Bush vai estar enfeitando muita prateleira deste quinhão de chão do Tio Sam. E, daqui a uns bons anos, todos nós vamos nos surpreender quando alguma loja de leilão da Inglaterra vender um desses homenzinhos feiosos por uma verdadeira fortuna. Por hora, o que dizer, senão o batido "God bless America"? E o digo com um senso enorme de piedade...
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