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Nós vimos II: Celular – Um Grito de Socorro
Por Eloyr Pacheco — Quinta, 4 de novembro de 2004
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- E se a bateria acabar?!
Se depois de você ter assistido Por um Fio, estrelado por Colin Farrell (Demolidor – O Homem sem Medo), e o brasileiro Viva Voz, achou que o tema tinha se esgotado, enganou-se. Celular – Um Grito de Socorro (Cellular, 2004), apesar de abusar do merchandising de uma fabricante dos “benditos (ou seria malditos) aparelhinhos”, surpreende. No atual momento de globalização onde ninguém (ou, quase ninguém) consegue mais viver sem o seu celular à tira-colo, o filme brinca com isso e cria um thriller de ação que rende bons momentos de distração. Thriller de ação? Talvez o filme esteja mais para “comédia de ação” com “quês” de suspense. Conhece a velha frase: “Seria cômico se não fosse trágico!” É isso. Mas, sem a preocupação de rotular o filme, a ação e as cenas cômicas (por assim dizer) funcionam, levando a produção a ser considerada boa.
A professora de biologia Jessica Martin (Kim Bassinger) vê a porta de sua casa sendo derrubada a pontapés, sua empregada sendo assassinada e é seqüestrada sem nenhum motivo aparente. Levada para um lugar desconhecido, ela consegue “remendar” um velho aparelho de telefone, destruído por um dos seqüestradores, e fazer uma ligação. O jovem Ryan (Chris Evans) atende seu celular e ouve a voz chorosa de uma mulher que afirma estar correndo risco de morte. Ryan, inicialmente reticente, decide ajudá-la. Sua missão é somente ir até a delegacia mais próxima e entregar o celular a um policial que possa resolver o caso. Mas quem disse que isso é simples assim. Confusão atrás de confusão, Ryan se envolve cada vez mais no caso, comete atos impensados e, criando uma estranha afinidade com a seqüestrada, sente-se o único capaz de ajudar a professora e seu filho que também foi vítima dos bandidos. Aliás, numa situação onde Ryan não obteve sucesso.
Assim como Ryan se envolve na história, o roteiro de Chris Morgan, desenvolvido a partir de uma história de Larry Cohen (Por um Fio), também prende o expectador que mesmo rindo de determinadas situações quer ver como a história vai chegar ao fim.
Kim Bassinger, que recentemente pôde ser vista em 8 Miles, (numa atuação que deixou a desejar), está um pouco exagerada em sua interpretação. Não creio que precisava gritar tanto (e tão alto). Chris Evans (Não é Mais um Besteirol Americano) funciona bem no papel do cara comum que decide ajudar. Evans encontra um equilíbrio interessante em sua atuação que ajuda no desenrolar da trama. O veterano William H. Macy (Fargo) faz um detetive cansado de seus 27 anos de serviço que fica com “uma pulga atrás da orelha” depois de ter recepcionado Ryan na delegacia e tê-lo mandado para outro departamento. Macy, responsável por uma boa parte da dose de risadas no filme, está irrepreensível no papel do policial Mooney. Os vilões são os vilões: cara amarrada o tempo todo sem muito espaço interpretativo para merecer qualquer comentário adicional.
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