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Nós Vimos: Celular - Um Grito de Socorro
Por Humberto Yashima — Quinta, 4 de novembro de 2004
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O celular a serviço do bem
David R. Ellis já fez de tudo em Hollywood: foi ator, dublê, coordenador de dublês, diretor de segunda unidade (em produções como Harry Potter e a Pedra Filosofal (2001) e Matrix Reloaded (2003) - só para citar algumas) e finalmente tornou-se diretor. Sua estréia na direção foi com A Incrível Jornada II - Perdidos em São Francisco (1996); depois fez Premonição 2 (2003), longa-metragem que obteve quase tanto sucesso quanto a produção original, Premonição (2000).
Com seu terceiro filme, Celular - Um Grito de Socorro (Cellular, 2004), Ellis demonstra habilidade ao transpor para as telas o roteiro de Chris Morgan, que foi baseado numa história de Larry Cohen. Cohen trabalhou na trama do filme enquanto tentava vender o roteiro que havia escrito para Por um Fio (2002), que curiosamente é uma produção na qual o protagonista fica preso numa cabine telefônica durante a maior parte do tempo. Em Celular - Um Grito de Socorro ocorre exatamente o contrário: o protagonista pode ir a qualquer lugar, mas não pode desligar o telefone.
No filme, Jessica Martin (Kim Basinger) é seqüestrada e levada a um local desconhecido, de onde consegue fazer uma ligação utilizando o que sobrou de um telefone destruído por um dos bandidos. A chamada, feita “às cegas”, acaba sendo recebida pelo celular do jovem Ryan (Chris Evans), que decide ajudar a mulher em perigo. Através das informações fornecidas por Jessica, o rapaz tenta impedir que seu filho Ricky (Adam Taylor Gordon) e seu marido Craig (Richard Burgi) também caiam nas garras dos seqüestradores. Paralelamente, o policial Mooney (interpretado pelo ótimo William H. Macy), que atendeu Ryan quando ele foi à delegacia na tentativa de avisar às autoridades competentes, passa a investigar por conta própria o suposto seqüestro.
Durante toda a confusão em que Ryan se mete para ajudar Jessica, há momentos muito divertidos, que envolvem carregadores de bateria de celulares, linhas cruzadas, um Porsche, o advogado que é dono do Porsche e o celular do advogado (dono do Porsche). Também há uma ótima piada envolvendo o nome do garoto, Ricky Martin, homônimo do hoje famoso cantor. Para completar, há algumas citações de outros filmes da produtora do filme, a New Line: Ricky usa uma mochila de O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel (2001); na casa dos seqüestradores está passando Premonição 2 (2003)
na TV e o produtor Dean Devlin faz uma ponta como um motorista de Táxi.
Celular - Um Grito de Socorro é um filme que combina tensão e risos de forma agradável, em uma produção valorizada por um bom roteiro e que não precisa apelar para efeitos especiais, como tem acontecido com freqüência ultimamente.
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