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Para Elas
Por Mariana Zanini — Sábado, 30 de outubro de 2004
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Elas sempre estiveram presentes como tema musical, seja como lutadoras, frágeis, fatais, esnobes e, principalmente, como objeto de desejo. É fato: sempre haverá letras de música em homenagem às mulheres, e, além disso, canções que trazem nomes femininos no título.
Na música brasileira há inúmeros exemplos de mulheres homenageadas (ou não) por cantores e bandas. São Marias, Camilas, Amélias, Julianas e tantas outras que desfilam pelo cancioneiro popular brasileiro. Por isso, decidi fazer uma lista com alguns exemplares, sejam eles favoráveis ou nem tanto às suas musas.
São elas...
Luiza, Tom Jobim e Chico Buarque
Se pudesse trocar meu nome, com certeza escolheria esse. Todas as Luizas deveriam se inchar de orgulho por serem tão bem representadas por dois mestres da MPB. O primeiro promete sete mil amores para a tal moça, enquanto o segundo faz “a lua e a brisa pra Luiza dormir em paz”. Hum, o cotovelo aqui está latejando.
Leila, Legião Urbana
Não sei se a Leila da música realmente existiu, mas já devo ter encontrado um punhado delas pelo caminho. Renato Russo deixa transparecer o ar moderno e totalmente verossímil dessa mulher, que vai pegar os filhos no colégio e tem pavor de baratas voadoras, mas sabe enfrentar as belezas da vida.
Janaína, Biquini Cavadão
Assim como Leila, Janaína é gente como a gente. Acorda todo dia às quatro e meia, trabalha, tem uma vida comum à de muitas jovens brasileiras. E, apesar de todas as dificuldades, ela ainda tem sonhos. Mesmo que tenha martelado nas rádios à exaustão, a baladinha do Biquini Cavadão passa uma mensagem bonita. Ponto pra eles – e para as Janaínas.
Carolina, Seu Jorge
Ok, a dedicatória no início da música dita no vozeirão do sambista bacana até assusta um pouco. Além disso, talvez não seja tão legal ser comparada a um “docinho de pavê”. Mas o samba-rock esperto conta muitos pontos pelo ritmo contagiante e pela declaração malandra mas bem feita de Seu Jorge.
Madalena, Ivan Lins
A canção belissimamente interpretada por Elis Regina sempre me desperta uma dúvida: porque o pobre rapaz chora tanto se o amor entre ele e Madalena é tão forte que até o sol se desespera e se esconde na serra? Mistério.
Carla, LS Jack
Foi só digitar o título da canção-chiclete para ela se instalar no meu córtex cerebral. A intenção do grupo LS Jack foi até bonita, visto que a música é uma homenagem do vocalista Marcus Menna à sua esposa. Mas os programadores das estações de rádio não podiam ter se apiedado um pouco mais de seus ouvintes?
Mila, Netinho
Sim, chegou a parte das anti-homenagens. Deve ser um pesadelo quando as Milas se apresentam para alguém. Afinal, neste momento, lá no fundo do cérebro se acende uma luzinha relembrando do sucesso do carnaval de 1998. A pobre moça foi convidada a passar mil e uma noites de amor com o cantor baiano na praia, no barco, no farol apagado, para enfim aportar na paradisíaca Ilha do Sol. Tomara que ela não tenha aceitado.
Natasha, Capital Inicial
Se seguir a linha de raciocínio da banda brasiliense for válido, todas as Natashas devem ser umas tresloucadas. Sim, porque a garota-título foge de casa, começa a abusar de baratos ilegais e proibidos e ainda passa a viver como mulher de vida nada fácil. E tudo isso com apenas dezessete anos. Alguém pode me dizer o que os pais dessa menina fizeram pra ela?
Mariana, Tonico e Tinoco e Sem Compromisso
Dessa lista, até agora, nenhum chamamento foi tão injustiçado como o desta colunista que vos fala. Afinal, não é nada lisonjeiro ter seu nome ligado a uma cidadã totalmente desequilibrada, que “só usa chapéu grande de bombacha e espora” e ainda é deixada pelo marido. Tenham dó! Como se isso não bastasse, muitos anos depois o grupo de pagode Sem Compromisso decidiu “homenagear” minhas xarás com: Mariana, Parte Minha. Ficou até engraçadinho, mas não com a voz melosa daquele cantor nem daquele rapazinho que vivia cantando essa música pra mim. Trauma, puro trauma.
Geni e o Zeppelin, Chico Buarque
Bem, tenho que reconhecer que, por mais que as músicas ligadas ao meu nome não sejam muito inspiradoras, ficaria muito triste se meus pais tivessem me batizado como Geni. Impressionante é ver como o mesmo moço gentil que coroou Luiza, como já citei acima, fez o favor de desmerecer todas as Genis do Brasil em Geni e o Zeppelin. Ah, não é desmerecimento? Experimente ser alvo dos versos: “Ela é feita pra apanhar / ela é boa de cuspir / ela dá pra qualquer um / Maldita Geni”!
Estes são alguns exemplos encontrados na música tupiniquim. Semana que vem, trago mais alguns de fora do território nacional. Prepare-se, talvez seu nome esteja na próxima lista.
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