Não sou daqueles que acha que toda História em Quadrinhos deva ter amarração cronológica. Pelo contrário, acredito que HQs bem-escritas que se comprometam unicamente em entreter possam, além de divertir, conquistar novos leitores. Em termos de grande indústria, sou extremamente favorável a uma linha de revistas que estejam desatreladas do intrínseco universo cronológico dos super-heróis. Uma linha como essa poderia facilitar muito a vida de um leitor esporádico que deseja somente fugir um pouco da realidade. Imagine o leitor que por puro escapismo ou curiosidade vai até a banca de revistas comprar um simples gibi e, atraído pela arte, opta por um do Wolverine. Argh!! Pobre leitor de primeira viagem! Creio que de todos os super-heróis (Wolverine está mais para anti-herói) da Marvel esse é o que mais sofreu mudanças. Tinha adamantium revestindo os ossos, depois ele foi retirado, agora tem adamantium de novo. Antes de entrar para os X-Men foi membro da Tropa Alfa. Teve a fase do Caolho, teve a fase oriental... Chega!! Como já disse, pobre leitor de primeira viagem.
Um dos maiores diferenciais entre os quadrinhos europeu e americano é a cronologia. Mesmo com personagem fixo, as histórias produzidas na Europa, geralmente, podem ser lidas separadamente sem comprometimento da compreensão do todo.
A Marvel Comics investiu na linha Ultimate que tem como proposta básica “recontar” a origem de seus personagens, mas, não é de uma linha assim a que me refiro. Um bom exemplo do que estou defendendo é a linha Animated, baseada nos desenhos animados que já comentei aqui. São histórias bem-escritas, com roteiros muito bem-feitos. Traço atraente, embora simples. O storytelling é simples, mais “quadradinho”, sem requadros exagerados, o que pode agradar uma parte maior de leitores, ou pelo menos os iniciantes mais jovens.
Batman - O Desenho da TV (à esquerda), de março de 1994, da Abril: surge no Brasil a linha Animated em quadrinhos.
Batman - Máscara do Fantasma, de agosto de 1994, da Abril: um ótimo filme, uma boa adaptação.
Essa linha de revistas, no Brasil, teve poucas publicações. A Abril Jovem publicou em formatinho vinte edições de
Batman - O Desenho da TV entre 1994 e 1995 e o especial
Batman - Máscara do Fantasma, adaptação do longa-metragem, cancelando a revista quando a animação chegou ao fim. Entre 2002 e 2003, a Opera Graphica publicou duas edições em formatinho de
Batman - O Cavaleiro de Gotham e dois especiais (formato livro):
Batman - Louco Amor e
Batman – Inimigos Mortais. Também em 2003 a Panini publicou oito edições (no formato habitual da editora) de
Liga da Justiça - O Desenho da TV.
Os especiais publicados pela Opera Graphica em formato livro com miolo em Preto & Branco
Batman - Louco Amor, de Bruce Timm e Paul Dini, já havia sido publicado pela Abril Jovem em
Batman – O Desenho da TV. Mereceu o relançamento pela Opera Graphica por ter ganho os prêmios
Eisner e
Harvey.
Liga da Justiça #6, da Panini, merece destaque. A presença de
Lobo é hilária, a única observação é que o esperado combate proclamado na capa da edição acaba não acontecendo, na verdade Lobo é o principal aliado do Homem de Aço nesta história. Outro detalhe que pode incomodar um pouco é Lobo ter sido chamado de
O Último Czariano. O correto é
Czarniano (adotado pelos editores da
Globo em 1991 quando da primeira aparição do personagem em título solo), porque, tanto em inglês como em português, seu planeta de origem é
Czarnia.
Liga da Justiça #1 (à esquerda), de fevereiro de 2003, da Panini: na onda do novo desenho.
Liga da Justiça #6, de julho de 2003, da Panini: Superman versus Lobo?
Em algumas edições da revista
Liga da Justiça destaca-se o trabalho desenvolvido pelo brasileiro
Aluir Amâncio em
Superman Adventures, e nas edições publicadas pela Abril o trabalho de
Mike Parobeck (
The Fly,
Sociedade da Justiça,
El Diablo), um dos precursores do estilo de desenho que marcou a linha. Parobeck morreu em 3 de julho de 1996 dias antes de completar 31 anos devido a complicações resultantes de diabetes.
A gente ainda volta nesse assunto. Tchau! ¤