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Festival de Cinema de Londres
Por Nicole Mezzasalma — Quarta, 27 de outubro de 2004
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Depois de um longo e tenebroso inverno – que incluiu muito trabalho, terminar um mestrado e algumas semanas de férias – a coluna London Bridge está de volta. E para comemorar o recém-completado primeiro aniversário do SoBReCarGa, vou falar de um assunto que abordei há um ano atrás: a edição de 2004 do London Film Festival (LFF).
Em sua 48ª edição, o festival traz quase 300 filmes de 60 países, além de atores e diretores famosos ou quase anônimos. Os números impressionam, mas não são muito diferentes, por exemplo, dos do Festival do Rio. Os filmes também não são tão diversos; a gala de abertura do LFF este ano, por exemplo, foi o filme Vera Drake, dirigido por Mike Leigh (Segredos e Mentiras) e vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza. O mesmo filme, no entanto, esteve em cartaz aí no Brasil durante o evento carioca.
Qual é, então, a diferença entre os dois festivais, além obviamente do local? A resposta é mais simples do que parece: glamour. Enquanto no Rio você encontra atores de novelas e celebridades locais, Londres concentra uma quantidade impressionante de nomes de renome mundial. Atores e diretores hollywoodianos, cantores e modelos, gente famosa de todo o planeta – e reconhecíveis em qualquer lugar – podem ser vistos diariamente na capital inglesa. Durante um evento como o LFF, como era de se esperar, o número de celebridades aumenta exponencialmente.
Como estou trabalhando em tempo integral agora, não pude me esbaldar de ver filmes desta vez, mas mesmo assim tive a oportunidade de ver dois filmes especiais por motivos diferentes. O primeiro é Mr. Smith Goes to Washington (ludicamente renomeado A Mulher Faz o Homem no Brasil), uma pérola de Frank Capra que chegou às telonas americanas pela primeira vez em 1939. Neste clássico, James Stewart interpreta magistralmente um caipira escolhido para representar seu estado no Senado norte-americano e que descobre da pior maneira possível como é difícil defender ideais e virtudes em Washington.
Por que e como um filme tão antigo foi parar no LFF? Recentemente, uma universidade na Califórnia descobriu a filmoteca pessoal de Capra em um rancho doado pelo diretor. Como as técnicas de restauração de filmes antigos evoluíram bastante nos últimos anos, especialistas decidiram usar a cópia de Capra, datada do mesmo ano em que o filme estreou nos EUA, para lançar o DVD do título. E a qualidade do produto final é estarrecedora: parece até que o filme foi gravado recentemente, só que em preto e branco.
Quem foi, como eu, assistir a Mr. Smith... no último domingo ainda ganhou de brinde uma pequena explicação pelo técnico responsável pela restauração da fita sobre todo o processo a que o filme foi submetido. Talvez essa seja mais uma pequena diferença entre os festivais de cinema de Londres e do Rio...
Na semana que vem, minhas impressões sobre Santa Menina, filme argentino da diretora Lucrecia Martel que também passou pelo Festival do Rio.
Links:
London Film Festival – página oficial (em inglês)
Festival do Rio – página oficial
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