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U2 e o retorno da maleta perdida
Por Rodrigo Seabra — Quarta, 27 de outubro de 2004
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Bono, vocalista da já lendária banda irlandesa U2, acaba de resolver um dos maiores mistérios do rock e finalmente recebeu de volta um verdadeiro cálice sagrado da história da banda: a famosa maleta perdida do disco October.
Quem conhece um pouco mais a fundo a história do U2 deve se lembrar do fato. Em 1981, durante o planejamento do segundo álbum da banda, o U2 estava fazendo um show em Portland, nos EUA, quando duas mulheres se dizendo groupies (fãs, digamos, mais atiradas) conseguiram entrar nos camarins e levaram a pasta marrom do vocalista. Desde então, não se tinha mais notícia do objeto roubado e dos itens em seu interior.
Foi então que uma certa Cindy Harris, no ano seguinte, achou uma maleta no sótão durante a mudança para uma casa a qual acabara de alugar, em Tacoma. Examinando os pertences, de pronto percebeu do que se tratava e quem era o dono; pensou na hora em devolver, mas não deu muita importância ao fato (o que, convenhamos, é bem estranho) e acabou esquecendo tudo. Lembre-se: o U2 não era exatamente uma grande banda àquela época.
No fim do ano passado, Harris, hoje com 44 anos, comentou sobre a maleta com sua colega de trabalho Danielle Rhéaume, 27 anos, uma fã inveterada do U2. A moça sabia da importância do achado para a comunidade de fãs e quase entrou em pânico. Durante quase um ano, ambas tentaram contato com Bono e, na semana passada, finalmente puderam entregar a ele sua pasta - muito bem conservada, aliás.
Dentro dela, estavam cartas de amor entre Bono e sua então namorada (e atual esposa), seu passaporte americano de trabalho, fotos promocionais, agendas de turnês e até recibos de hotéis. Além disso, havia um bloco de notas cheio de letras para o álbum October. Bono teve de reescrever letras (novas) de forma corrida já nas vésperas de eles entrarem em estúdio e, por isso, October acabou sendo, na opinião dos quatro membros, o disco mais difícil de a banda gravar até hoje.
Uma opinião posterior de Bono sobre essa época foi a seguinte: "eu me lembro até hoje da maneira desesperada como escrevia já com o microfone em minhas mãos. Estávamos gastando 50 libras por hora de estúdio e eu perdendo tempo tentando criar imagens na cabeça. Steve [Lillywhite, produtor] ficava passeando pelo estúdio pacientemente, ele foi um grande cavalheiro. E o mais engraçado é que, apesar disso, a paz era grande, ainda que houvesse essa pressão em cima de mim."
Harris e Rhéaume conseguiram arranjar um encontro com Bono num saguão de hotel em Portland, conversaram com o ídolo e ainda deram umas risadas sobre o conteúdo.
Acredita-se que muita coisa da maleta ainda possa ser aproveitada em futuras letras do U2, já que Bono não conseguia se lembrar das letras que perdera.
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