Entrevistas com Leela e Tronn

Por André Mansur — Quinta, 21 de outubro de 2004

Bem-vindo ao Sobrecarga, seu destino para as principais matérias sobre Filmes, Séries, Quadrinhos, Música e muito mais... se você puder agüentar!

Use a barra superior do site para navegar entre os assuntos e confira, no final de cada texto, outras matérias relacionadas ao assunto.

Na barra lateral do site você encontra sempre boas ofertas de produtos relacionados ao universo pop, ajude o site visitando nossos patrocinadores.

Volte sempre!

Leela - Pop rock redondo


Primeiro veio o Pólux, em 97. Três anos depois mudaram o nome da banda para Pólen e logo em seguida bifurcaram: a guitarrista Eva Leiz levou adianta um projeto solo chamado mim e o casal Bianca Jhordão e Rodrigo Brandão montaram o Leela -- que significa brincadeira dos deuses, em hindu.

No início de 2001 o Leela lançou sua primeira demo, com apenas três faixas e produção do Rafael Ramos. Material na mão, correram todo o circuito independente nacional, indo mais longe do que várias bandas bem mais antigas do que eles. O segredo? Um pop rock redondo, aliado a trabalho sério e árduo, profissionalismo, contatos e uma vocalista posando de femme fatale.

A conseqüência era esperada. Bianca Jhordão (guit e voz), Rodrigo Brandão (guit), Tchago (bx) e Luciano Grossman (bat) assinaram com o selo Arsenal (EMI), do midas Rick Bonadio e lançarão mês que vem o primeiro CD, homônimo à banda, com onze faixas, sendo três parcerias com Fausto Fawcett e uma versão de Rádio Blá -- conhecida na voz de Lobão mas, na verdade, de autoria dele com Arnaldo Brandão (ex-Hanói Hanói) pai de Rodrigo.

Como habitualmente as entrevistas do Leela são feitas pela vocalista, a coluna procurou fazer diferente e chamou o guitarrista Rodrigo Brandão para uma entrevista. Segue, então:

SoBReCarGa - Por que levaram tanto tempo para gravar o CD e quais são as expectativas acerca do seu lançamento?

Rodrigo Brandão - Na verdade, gravando e mixando mesmo levamos doze dias corridos (acho bem pouco pelos padrões atuais). Primeiro, cinco dias em setembro do ano passado, depois mais três dias em dezembro e, por último, quatro dias mixando em julho deste ano -- um tempão depois.

O que levou mais tempo foi a "falta de tempo" do Rick Bonadio para se dedicar à gravação devido a vários outros projetos em que ele esteve envolvido, além dele também estar em busca de um parceiro legal pra lançar o disco e, nesse meio tempo, a EMI apareceu com uma boa proposta. Daí o lance andou mesmo em direção ao lançamento.

Nossa expectativa é a melhor possível, afinal, no disco, está refletido tudo que pensamos e criamos como o melhor que a banda podia fazer no momento. Ficamos satisfeitos com o resultado final. Esperamos que muitas pessoas escutem e curtam um trabalho que foi feito com muita dedicação e sinceridade.

Indiscutivelmente, o Leela foi nos últimos anos uma das bandas mais atuantes da música independente nacional, com diversos shows tanto em festivais de grande porte como em espaços sem um mínimo de infra. O que mudará agora depois do CD de estréia?

Tomara que o trabalho tenha uma boa repercussão e possamos fazer muitos e muitos shows e divulgar, com boas condições, nossa música. Acho que o que certamente vai mudar é que mais gente irá conhecer nosso trabalho porque muitas músicas do disco não tinham registro e as que tinham ganharam seu registro definitivo.

Atualmente a maioria dos artistas que faz escola no circuito independente, opta por lançar seus discos por gravadoras pequenas ou mesmo investindo do próprio bolso. O argumento é baseado em vários aspectos como autonomia, visão ideológica do trabalho, atenção dispensada, contratos com cláusulas desfavoráveis etc. Ainda assim, vocês resolveram debutar numa major. Por quê?

Porque achamos que numa major teríamos uma divulgação melhor do nosso trabalho e porque também pudemos fazer as coisas do nosso jeito.

Como foi a gravação do clipe Te procuro?

Foi bem trabalhoso, mas foi uma experiência rica pra gente. Como somos "metidos", escolhemos amigos (muito competentes, por sinal) pra trabalharmos para que nós pudéssemos se "meter" e ajudar a deixar o vídeo com o conceito que desejávamos.

Vídeo é uma produção muito complexa, muito mais complexa do que se produzir música, por exemplo. São muitos fatores. Posso afirmar que tivemos sucesso e sorte nessa empreitada porque o vídeo nos deixou orgulhosos. E somos muito chatos para alguma coisa nos agradar completamente. E, por mérito da equipe escolhida pelo diretor Bruno Safadi (e mérito dele também, claro), chegamos a um resultado excelente e já estamos prontos para o próximo...


Ainda vivemos sob ditadura do jabá nas rádios e tevês. É notório o montante de dinheiro que as grandes gravadoras (e algumas pequenas também) pagam para terem seus "produtos" circulando na grande mídia. Qual a posicionamento de vocês caso a EMI resolva "investir" no Leela por esta via?

Um fator de se trabalhar com uma grande gravadora é que, em certos aspectos, você fica de fora do processo. O que é bom por um lado, que permite nos dedicarmos mais a parte musical, e é ruim por outro, já que somos metidos, ficamos sem saber de algumas coisas. Então não sabemos muito realmente sobre como é feito esse processo de divulgação nas rádios. Mas espero que os programadores das rádios acreditem mesmo no nosso trabalho e o divulguem o máximo possível, sem exageros, para não encher o público, mas isso é uma coisa que foge completamente do nosso controle. Nosso objetivo é que o maior número de pessoas tome conhecimento da nossa música e nossa expectativa é que muita gente goste, mas isso só vamos saber se a divulgação for boa mesmo.

O seu pai que te introduziu na música? Ele dá pitacos sobre o Leela? Como foi crescer nesse ambiente?

Sim, foi ele quem comprou minha primeira guitarra e arrumou um professor para eu aprender violão (o falecido e saudoso Almir Chediak) mas ele só fez isso porque eu pedi. Ele nos ajuda muito com conselhos sobre como devemos conduzir nossa carreira mas em relação à parte conceitual e artística ele praticamente não se mete. Crescer nesse ambiente só me ajudou a me tornar quem eu sou e o artista que estou sendo no momento, já que acredito que o artista deve estar sempre inquieto e em busca de caminhos que aperfeiçoem sua arte e te tornem mais satisfeitos com seu trabalho.

Sabemos que você curte quadrinhos. O que você gosta de ler? Qual seu desenhista preferido? E HQs nacionais, você acompanha? O que está lendo no momento?

Curto muito quadrinhos. Gosto mais de quadrinhos europeus e de americanos independentes e de alguns do mainstream também. Meus desenhistas preferidos são Enki Bilal e Moebius. Eu acompanho HQs nacionais sim, sou muito fã do Lourenço Mutarelli, tenho todos os seus álbuns e atualmente compro também a compilação >Front da editora Via Lettera. No momento estou lendo os primeiros 20 números do Justiceiro do roteirista Garth Ennis (de Preacher) de quem sou muito fã já que ele tem uma visão bastante cínica e interessante (e bastante violenta também) do modo americano de viver. Não curto muito super-heróis, mas quando o autor é bom acompanho direto suas obras.


¤ ¤ ¤


Tronn - A Europa é logo ali


Passar alguns meses na Europa, se apresentando em vários países, conhecendo novas bandas e pessoas. Parece muito distante da sua realidade? Mas não é, não. A banda punk industrial Tronn topou o desafio, sem um puto no bolso, sem ninguém bancando, e se jogou na gringa durante três meses. Passaram pela Alemanha, Suíça, Holanda, Bélgica e França, num total de 23 shows. A quantidade de apresentações só não foi maior porque a Inglaterra e a Escócia ficaram de fora por problemas burocráticos de última hora.

O vocalista e programador Hudson aceitou destrinchar (desmistificar) o caminho das pedras para quem quiser fazer o mesmo. A banda, que é composta também por Salsa e Alt nas guitarras, acaba de lançar seu segundo álbum Alienofilia, o sucessor de Cyberpunk's Not Dead, de 2001.

SoBReCarga - Quais as etapas para uma banda brasileira fazer uma turnê pela Europa?

Hudson - Primeiro de tudo, tem que ter um material de qualidade da banda, pra poder deixar uma boa impressão do teu som para os caras. Depois, é entrar em contato com o povo. Normalmente, o que as bandas daqui fazem, é descolar um selo ou uma banda do estilo que lança teu disco ou um EP por lá. Isso facilita em MUITO as coisas. Tendo alguma coisa lançada por lá, fica bem mais fácil de arrumar um cara que marque toda, ou quase toda, a turnê pra você. Nós não fizemos isso, foi esquema DIY total (nota: Do It Yourself). Passei coisa de um ano entrando em tudo quanto era site procurando tudo quanto era produtor, pico de show que tivesse alguma relação com o som da gente. Fizemos tudo sozinho, deu um trabalho dos infernos, mas rolou.

Qual foi o maior perrengue?

Sem dúvida foi quando fomos barrados na Inglaterra. Tínhamos 30 shows marcados lá e tivemos que cancelar todos por causa de produtores estúpidos que não correram atrás de um tal de work permit que toda banda de fora da comunidade européia precisa pra entrar. A turnê que deveria ter 50 shows acabou se reduzindo a menos da metade, por causa disso. Também teve um lance na Bélgica. O pessoal que arrumou o show pra gente simplesmente esqueceu que a gente não era de lá e que precisávamos de um lugar pra passar a noite. Sem ter onde dormir, acabamos dormindo em um prédio abandonado por algumas horas. Bem desagradável, diga-se de passagem.

E o melhor momento?

Viver como um rockstar. Show todo dia, direto. Tocar numa cidade (e num país) diferente a cada dia. Ser tratado como um músico de verdade, ser pago por isso, ter um som decente, camarim, rango bom, cervejas mil etc. Tocamos mais de uma vez em algumas cidades e era legal ver gente, no segundo show, com camisa da banda, que já conhecia as músicas e tal. Outra coisa é conhecer um monte de lugares, fazer grandes amigos e nos divertir às pampas, independente de música e tal.

O que de melhor você trouxe dessa viagem?

O CD novo do Dillinger Escape Plan que um cara da Alemanha gravou pra mim e um DVD do Foetus que eu comprei.

Falando sério, o que valeu mesmo foi a experiência, ver como as coisas funcionam por lá, desmistificar a coisa. Sem contar na bagagem profissional que você pega quando faz vários shows seguidos, a banda cresce com isso, principalmente na performance ao vivo.

O que mais te surpreendeu na viagem?

Ver que o povo "underground" de lá não é muito diferente daqui. Com mais dinheiro, mas em termos de "cultura musical" não muda muito não. Você ia aos shows e via os moleques usando as mesmas camisas de banda que em um show do Convés (nota: casa de shows em Niterói).

Eu conhecia um monte de bandas de lá que nem eles tinham ouvido falar. A grande diferença é que rola espaço pra todo mundo. Mesmo se você faz um som totalmente diferente, que fuja ao padrão hardcore/emo/metal, sempre vai ter lugar pra você tocar e um público (ainda que pequeno) que prestigie.

Ah, outra coisa que me surpreendeu muito foi o fato de que ninguém trabalha naquele lugar, todo mundo vive de seguro-desemprego.

Em termos de infra-estrutura, a cena independente gringa está muito na nossa frente?

O povo tem dinheiro, paga ingresso, compra CDs e camisas das bandas. Tudo isso movimenta a "cena". Além do mais, vários lugares recebem grana do governo, como incentivo cultural, o que dá pra incrementar a estrutura dos lugares. No plano musical, não achei nada demais. As bandas são tão ruins quanto as brasileiras, a diferença é que todas elas tem equipamento próprio e fodão. São mais bem ensaiadas e tal. Isso pesa um pouco.

Qual a reação do público europeu quando se depara com uma banda de um lugar "tão improvável" quanto o Brasil?

Quando a gente tocava em pico punk (squats etc) o pessoal meio que já estava acostumado a ver bandas brasileiras, todo mundo toca lá agora. Não é uma coisa mais tão exótica assim. Mas não tem jeito, em todo lugar que a gente ia, tínhamos que falar sobre Sepultura, Floresta Amazônica e Cidade de Deus.

E para quem quiser ver as fotos dos shows, basta entrar no site da banda: www.tronn.com.br




VEJA TAMBÉM...
22/06 > Meninas Superfuriosas
28/12 > Entrevista com o Vampiro: conversa perigosa

 

COMPRAS
DVD > 007 - O Mundo Não É o Bastante- Duplo (Pierce Brosnan)
Eletronico > Gravador de DVD Design Slim Multiformato EZ-REC DVD-R170 Samsung (Samsung)
Game > Jogo PS2 Mortal Kombat Armageddon
Informática > Mouse Óptico PS2 Preto - Bright
Livro > Inquietações e Mudanças no Ensino da Arte (Ana Mae Barbosa)
CD > Sex and the City (Vários)
DVD > 007 Ultimate Collection - Vol. 1- 10 DVDs
Eletronico > TV 40" LCD Full HD c/ 3 HDMI e Entrada p/ PC Série 5 Samsung (Samsung)

 

 


Superman - O Retorno
DVD duplo
Smallville
5ª Temporada - 6 DVDs

Carros l Os Sem-Floresta
DVD

Os Melhores Quadrinhos

Mythology: The DC Comics Art Of Alex Ross

Cirque Du Soleil:
Saltimbanco l La Nouba
DVD

Desperate Housewives
2ª temporada - 7 DVDs
Monk
1ª temporada - 4 DVDs

House l Grey's Anatomy
1ª temporada

Os Cavaleiros do Zodíaco:
Hades - Vol. 3 e 4

DVD duplo

Battlestar Galactica
1ª Temporada - 5 DVDs

Gravadores de DVDs
A partir de R$ 599,00
XML
© 2003 SOBRECARGA LTDA. Todos os direitos reservados Powered by Drupal. Uniela Unium. Tecnologia