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Um adeus ao Super-Homem
Por Eloyr Pacheco — Segunda, 18 de outubro de 2004
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Christopher Reeve (25/09/52 – 10/10/04) é para mim a encarnação do Super-Homem! Ou, pelo menos, o espírito do Homem de Aço habitava nele. Não gosto de idolatrar ninguém, mas quando vemos a força de vontade de um homem sem nenhum superpoder, confinado a uma cadeira de rodas e dependendo de aparelhos para respirar temos que dar o braço a torcer: o cara era incrível! Tetraplégico desde 1995, ainda procurava se manter em atividade; Chris, sempre que possível, atuava e dirigia. Mas, o mais importante, procurava ser útil socialmente, algo que só os grandes homens buscam. Seu corpo estava preso, mas não sua mente. “Só” com o tornozelo esquerdo quebrado e tendo que me superar para andar de muletas (e, agora, felizmente, uma só) eu já precisei brigar muito com os meus limites, imagino então pelo que Chris deve ter passado. Lembro principalmente quando estive durante sessenta dias em “repouso forçado” sobre minha cama e mal podia sair para ir até o banheiro e tomar banho, dependendo da ajuda da minha esposa e, no hospital, de estranhos. Durante esse período eu exercitei muito a humildade. Somos todos iguais, mas, um homem como Christopher Reeve tem algo mais: coragem. Chega de melodrama.
Superman, o Filme é para mim uma das melhores adaptações dos quadrinhos que o cinema já produziu. Antes de X-Men, Homem-Aranha, Hulk, Hellboy e outros mais recentes irem para a telona, numa época em que a tecnologia beirava o artesanal (Ah, bons tempos aqueles em que o cinema era menos industrial!) Super-Homem foi para o cinema com a missão de fazer com que as pessoas acreditassem que o homem podia voar. Para mim, esse objetivo foi alcançado, principalmente porque o ator que interpretava Clark Kent/Super-Homem era uma unanimidade e personificava o Último Filho de Krypton. Para alegria de fãs como eu, a trilogia de Superman foi recentemente lançada em DVD pela Warner com extras incríveis. Interessante é que nos testes que estão incluídos entre os extras vemos apenas um Super-Homem. Testaram várias Lois Lane (chamada nos quadrinhos da Ebal – Editora Brasil-América e na fase Pré-Crise da Abril como Miriam Lane), mas só vemos Christopher Reeve no papel de Superman. Alimentando ainda mais nossa fantasia, isso nos faz acreditar que ele era mesmo o Super-Homem e os produtores e diretores estavam procurando uma atriz para contracenar com ele, o verdadeiro.
Fiquei muito surpreso e ansioso quando soube que Christopher Reeve estaria em Smallville interpretando um personagem especialmente criado para ele. Ao assistir ao episódio intitulado “Respostas” (o 17º da segunda temporada) pela primeira vez fiquei profundamente emocionado. Alfred Gough e Miles Millar, criadores da série, escreveram um episódio respeitando o ator que Chistopher Reeve era, não simplesmente, o homenagearam. Dr. Virgil Swann é um personagem importante para a série e com muita presença em cena. Talvez possa até lembrar um pouco o Professor Xavier de X-Men, interpretado por Patrick Stwart, mas, em Smallville o “doutor na cadeira de rodas” é muito mais marcante. Talvez o fato de sabermos que na vida real o ator está de fato em uma cadeira de rodas, nos comova e nos deixe um pouco mais suscetíveis à fantasia e nos faça crer que o Dr. Swann seja o que ele é. Mas quem é que se importa com isso? Mais uma vez Christopher Reeve como o ator talentoso que foi, empresta seu corpo para personificar um personagem e fazer com que acreditemos nele.
Swann também homenageia um dos mais prolíferos ilustradores de Superman: Curt Swan (com um “n” só mesmo). Americano, nascido em 17 de fevereiro de 1920 e falecido em 16 de junho de 1996, Swan trabalhou nas revistas do Homem de Aço quase que de maneira ininterrupta de 1958 a 1975. Seu traço em Super-Homem tornou-se facilmente identificável pelos fãs, embora Swan procurasse aperfeiçoá-lo e modernizá-lo no decorrer dos anos. Em 1983, Curt Swan tornou-se coadjuvante em uma aventura publicada em Superman Annual #9. Chamado especialmente para desenhar essa história escrita por Elliot S! Maggin, Swan ficou imortalizado nas páginas da revista que ajudou a tornar um sucesso. Imagino o quanto Swan deve ter se emocionado ao receber essa homenagem, assim como Christopher Reeve. Legal mesmo é o reconhecimento que esses caras tiveram enquanto estavam vivos, e puderam vivenciar essa emoção.
Isso aí! Até semana que vem. Tchau! ¤
As duas primeiras temporadas de Smallville estão disponíveis em DVD pela Warner. A terceira temporada de Smallville está sendo reapresentada na Warner Chanell as terças-feiras, às 21 h. A série também é apresentada no SBT aos domingos, às 14:30h.
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