|
Nós vimos III: Kill Bill 2
Por Tiago Cordeiro — Sexta, 15 de outubro de 2004
|
|
Bem-vindo ao Sobrecarga, seu destino para as principais matérias sobre Filmes, Séries, Quadrinhos, Música e muito mais... se você puder agüentar!
Use a barra superior do site para navegar entre os assuntos e confira, no final de cada texto, outras matérias relacionadas ao assunto.
Na barra lateral do site você encontra sempre boas ofertas de produtos relacionados ao universo pop, ajude o site visitando nossos patrocinadores.
Volte sempre!
|
O nome da noiva se escreve com sangue
Com apenas quatro filmes no currículo Quentin Tarantino demonstra em seus filmes um impressionante domínio do ofício da direção cinematográfica. Trilha sonora sempre consistente e impressionantemente adequada, imagens sofisticadas e roteiros bem finalizados. Por isso, falar bem de seus filmes é quase chover no molhado. E se você acha que eu incorrerei nessa repetição, você acertou.
Kill Bill 2 é, surpreendentemente, um filme diferente de seu antecessor. Existe ação, porém muito mais dosada do que no primeiro filme. Em muitos momentos, o filme mergulha em tantos flashbacks e diálogos que você quase sente vontade de gritar “dá porrada logo!” Quase. Tarantino consegue brincar com o limite entre o exagero absurdo e a polêmica divertida e brinca muito bem. A segunda parte da vingança da noiva (Uma Thurman) é uma história repleta de referências à filmes orientais e de seqüências perfeitas.
Entre as revelações, a realidade sobre o casamento é esclarecida, assim como o nome da protagonista. Na verdade, o fato de jamais conseguirem dizer o nome da noiva durante o filme, pode ser interpretado como parte da busca da identidade que a personagem de Uma Thurman percorria. Sem a filha e sem nenhum motivo para viver, apenas a vingança move a ex(?)-assassina que só tem seu nome revelado quando enfrenta Elle (Daryl Hannah) que representa a própria antítese da Mamba Negra: uma assassina cruel e fria. Vale a pena ressaltar como Tarantino busca um diferencial em suas cenas de ação, longe de banalizar a arte do “arame-fu”. Na luta entre as duas víboras assassinas remanescentes, o combate se desenvolve em um apertado trailer sem que a luta se torne chata ou inverossímil. Nesse momento, o diretor brinca com a criação de expectativas no espectador, esfriando tudo em fins surpreendentes para várias cenas de ação sem que isso irrite quem está assistindo (como na luta entre Mamba Negra e Elle). Todo mundo ri, mesmo quando o motivo de risadas são monges shaolin masoquistas ou amputações de membros.
Mesmo com tantas explicações ao passado da personagem (o que acaba tornando Kill Bill2 um filme com vários pequenos filmes em si), a película de Tarantino permanece fiel ao seu objetivo de contar a trilha da noiva em busca não apenas de sua vingança, mas também da vida que perdeu. É nessa busca pela filha que sequer sabe que está viva que estará a realização da personagem.
Apesar do “padrão Tarantino de qualidade” é possível perceber que Kill Bill 2 não é um Pulp Fiction. Os diálogos, marca registrada do diretor, estão presentes, mas muito menos “cotidianos” e mais carregados de mensagens (como na conversa em que Bill (David Carradine) e a noiva tem quando ele fala a respeito do Super-homem). Não que isso comprometa o filme, mas talvez Tarantino esteja ficando mais refinado e intelectual, sem perder a simplicidade e competência, outras de suas marcas registradas. Enfim, o cineasta parece estar cada vez melhor e tudo o que podemos querer é que ele realmente faça um Kill Bill 3.
|