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Lágrimas do Sol: por que, Monica?
Por Marco Antônio Barbosa — Sexta, 17 de outubro de 2003
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A grande pergunta que deve ser feita a respeito de "Lágrimas do Sol" é: o que diabos Monica Bellucci está fazendo nesta aventura de guerra sentimentalóide, que, para todos os propósitos, não passa de mais um rotineiro veículo para o "ultimo grande herói" Bruce Willis?
Pois, não fosse pela presença da mocinha italiana, que tem se aproximado cada vez do cinemão hollywoodiano, a fita de Antoine Fuqua não teria nada mais a se ressaltar a seu respeito.
Quem viu o trailer já viu tudo. Willis, comandante de um esquadrão de, aham, "forças especiais" ianques, leva seus homens a um grotão da Nigéria para proteger a pesquisadora Lena Kendricks (Monica), que lá desenvolve um trabalho com refugiados. A missão é clara; arrancar a moça do perigo e não intervir nos conflitos entre um exército inimigo (de intenções, como sempre, nebulosas e mal-explicadas) e a comunidade de nativos.
Lena não quer sair de lá sem deixar seus "objetos de estudo" em segurança. E lá vai Willis, duro de matar como sempre, contrariando ordens superiores (como sempre), arriscar sua vida e a de seus comandados para salvar não apenas a moça, mas também os refugiados. Porque, e aí o sub-texto romântico já deixou de ser sub e virou explícito, tá rolando um clima entre o milico e a doutora.
Há de se reconhecer um mérito no diretor Fuqua: ele deu peso mais ou menos igual à ação e à tensão sexual entre os protagonistas. Isso poderia resultar num filme mais ambíguo, menos óbvio. Mas o roteiro não ajuda, preferindo os clichês e a previsibilidade (o próprio Fuqua travou nesta mesma encruzilhada em seu trabalho anterior, "Dia de Treinamento"). Poderia ser um anti-filme de guerra, houvesse uma ênfase maior no estudo dos personagens e suas motivações. Só que a necessidade imperativa era a de mostrar Willis dando porrada e metralhando meio mundo. E a pergunta que não quer calar: por que a (maravilhosa) Mônica foi escalada para esse papel? Por que desperdiçar sua presença única, peculiar, num personagem que poderia ser vivido por qualquer uma?
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