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Meu herói
Por Tiago Cordeiro — Quarta, 13 de outubro de 2004
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Nem me lembro quantos anos tinha quando descobri que um homem poderia voar. Contudo, sei que Super-homem, o filme foi lançado em 1978, um ano antes deste cinéfilo nascer. Apesar de contabilizar quase 30 anos, o filme ainda é a maior adaptação cinematográfica de um personagem de histórias de quadrinhos de todos os tempos e influência nítida para filmes do gênero como Homem-aranha, dirigido por Sam Raimi. Mesmo contando com o astro Marlon Brando, com a direção brilhante de Richard Donner (responsável por filmes como Goonies e Máquina mortífera) é impossível não aplaudir o trabalho de Christopher Reeve por ter encarnado de forma tão perfeita o homem de aço.
Ator desconhecido até então, Reeve conseguiu alguns bons momentos além daqueles em que atuou com a roupa azul e vermelha, mas jamais conseguiu repetir o mesmo sucesso. Seu último filme com saúde foi o profético Sem suspeita (Above Suspicion de 1994) em que interpretava um policial que ficava paraplégico após receber um tiro nas costas, mas o ator jamais se entregou ao ostracismo participando de outras produções e atuando inclusive no seriado Smallville onde interpretava o Dr. Virgil Swann, cientista que ajudava Clark Kent (Tom Welling) a entender seu passado.
Após a lesão, o ator criou a Fundação Christopher Reeve, Organização Não-lucrativa que arrecadava dinheiro para pesquisas médicas em busca da solução da paralisia. Além disso, o ator fez várias aparições públicas para pedir que políticos e Hollywood (na cerimônia do Oscar em 1996) se unissem na superação da doença. Segundo vários médicos, o ator durante a fase de sua doença se transformou em um autêntico Super-homem usando todo seu nome e energia para uma questão que ainda recebe pouco financiamento: a pesquisa para danos na coluna vertebral com o uso de células-tronco. Em outra ocasião, o ator comentou para um repórter sobre a importância de seu personagem para o público infantil:
-Vi crianças morrendo cujo último pedido era poder falar comigo. E elas foram para seus túmulos em paz, sabendo que sua crença nesse tipo de personagem estaria intacta. Vi que o Super-Homem é realmente importante, pois fazia com que elas se relacionassem com algo muito básico: a habilidade de superar obstáculos, de perseverar e entender a dificuldade e dar as costas para ela, enfatizou.
Me recordo que todas as vezes em que vi os filmes do Super-homem, especialmente o primeiro, sempre sou contagiado pela empolgação que me acompanhou durante o segundo. Apesar de estar menos inocente para eventuais falhas de filmagem, não consigo ficar alheio ao clima heróico que permeia o filme. Reeve encarnou toda nobreza e pureza do último filho de Kripton de uma forma que nem o mais fundamentalista dos nerds ousaria reclamar. Muitos dirão que ele foi apenas um-ator-de-um-personagem-só, já que jamais conseguiu ser tão bem sucedido em outros filmes. Bem...Discussões à parte, ele interpretou o maior herói de todos.
Para o alto e avante, Reeve. E que Rao ilumine Bryan Singer na ingrata tarefa de arranjar um substituto à sua altura.
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