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Manobra Tasker
Por Édnei Pedroso — Sexta, 8 de outubro de 2004
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Quando aportou no Brasil no ano de 94, True Lies do diretor James Cameron e estrelado por um Arnold Schwarzenegger que ainda não estava tão engajado na política, não era muito conhecido. Dava-se conta apenas de que era, até ali, o filme mais caro da história ( US$ 120 milhões ) e que era um filme de espionagem. Mal sabíamos o que nos esperava na tela.
Receosos, um amigo meu e eu fomos conferir essa jóia no cinema e, nos dez minutos iniciais, já tínhamos certeza de que estávamos diante de um legítimo “Schwarza”, afinal, que outro herói da ação nocautearia dois dobermans batendo suas cabeças uma na outra? Começamos a vibrar como se estivéssemos assistindo Comando para Matar pela primeira vez, só que com Schwarzenegger vestido de smoking. Nos próximos 130 minutos, descobriríamos que era mais do que isso.
O roteiro ( do próprio Cameron, baseado no filme françês La Totale! ) era pura diversão. Numa época em que atentados terroristas não estavam tanto na moda, encontramos Harry Tasker ( Schwarzenegger ), um espião de uma agência do governo e pai de família. Fluente em seis idiomas, com sólidos conhecimentos militares e de lutas corporais, Tasker faz sua família ( uma filha meio rebelde e uma esposa carente, interpretada por Jamie Lee Curtis, no melhor papel de sua carreira ) crer que é um mísero vendedor de material de informática ( estranho mesmo era um vendedor ter aqueles músculos, mas ninguém reclamou que as calças do Hulk não rasgavam-se completamente, então deixamos assim ). Não demora muito ( na verdade demora sim, quinze anos de casamento ) para que Helen Tasker ( já falei que é o melhor papel da vida de Jamie Lee Curtis?, Ah, bom. ) vá procurar quebrar a rotina em outro lugar e daí, meu amigo (a), daí é diversão garantida.
Desta parte em diante do show, temos Bill Paxton ( hilário na pele de Simon, o vendedor de carros que dá uma de espião ), árabes malucos tentando explodir o planeta, fêmeas fatais ( Tia Carrere, para delírio da ala masculina ), tiroteio em banheiro de shopping, aula de tortura, um “strip-tease” de Lee Curtis que já está marcado na história do cinema, perseguição a cavalo, submetralhadoras UZI fazendo um belo estrago e até a Manobra Tasker ( Harry pilotando um Marine Harriers no meio de Nova York ) fazendo a festa na tela.
Lembro que, depois de eu voltar a respirar e sair do cinema extasiado, meu amigo olhou para minha cara e disse: “O sistema de gatilho da UZI impossibilita aquela cena.” Claro que mandei ele longe. Na verdade, a aventura do diretor de Titanic não era para ser levada a sério, é uma paródia aos filmes do gênero “espionagem”. Claro que Cameron e Schwarza uniram o útil ao agradável ( leia-se, a proposta e o dinheiro que tinham a disposição ) e nos presentearam com um dos filmes de ação mais divertido dos anos 90. Se Tasker estava seco quando saiu da geleira, ou se o gatilho da UZI é perfeito demais para fuzilar terroristas numa simples queda na escada, que importa? Antes de tudo, temos de lembrar que cinema é sinônimo de diversão, e o último filme realmente bom do “Governator” nos traz exatamente isso.
Mas afinal, no que True Lies influenciou no cinema mundial? Depois do sucesso estrondoso do filme, James Cameron pegou impulso de sobra para filmar Titanic, arrebatando 11 Oscars e deixando metade da população feminina com lágrimas nos olhos. Já para Schwarza, True Lies pode ser considerado o marco final para o ator, pois o austríaco nunca mais filmou nada de muito útil e seus filmes posteriores chegaram, no máximo, até a cintura. Ainda bem ( para ele ) que seu futuro político parece estar indo de vento em popa.
Tudo isso consolida True Lies ao que este filme realmente é: um amontoado de tudo o que nós, os fãs de ação, gostamos de ver na tela e que nunca mais veremos...não com o Arnold no comando.
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